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Idoso de 70 anos recebe polilaminina após cair do telhado no ES

Idoso de 70 anos recebe polilaminina após cair do telhado no ES

Homem sofreu lesão completa na medula após queda; aplicação de medicação experimental ocorre por decisão judicial e segue critérios rigorosos, segundo a Sesa

Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 20:00

Luiz Fernando Mozer, 37 anos, morador de Iconha, recebeu uma dosagem de polilaminina.

Um homem de 70 anos, que caiu de um telhado e está internado no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, recebeu a medicação polilaminina no sábado (17). Por conta da queda, ele sofreu uma lesão completa na medula — perda total da sensibilidade e da capacidade de movimento do nível lesado para baixo. 

Segundo o subsecretário de Estado de Regulação do Acesso em Saúde, Gleikson Barbosa (Kim), a polilaminina é um medicamento ainda em fase experimental, derivado de uma proteína da placenta humana, que tem como proposta estimular a reconexão dos neurônios após lesões na medula. Ele explicou que a substância ainda passa por testes clínicos e, por isso, só é utilizada em casos muito específicos, seguindo critérios rigorosos.

"São pacientes com indicação clínica clara de trauma medular, que correm risco de evoluir para quadros de paraplegia ou tetraplegia”, afirmou.

O subsecretário destacou ainda que o Espírito Santo foi escolhido para a aplicação do tratamento por ser um Estado organizado do ponto de vista da rede de saúde, o que viabilizou a parceria com uma universidade do Rio de Janeiro e o acompanhamento técnico adequado dos casos.

O idoso é o terceiro paciente capixaba a receber o medicamento. Além dele, Vinícius Brito França, recebeu a polilaminina no dia 7 de janeiro e permanece internado na mesma unidade hospitalar, sob acompanhamento clínico e neurológico contínuo.

Já Luiz Fernando Mozer, paraplégico, recebeu a aplicação da proteína no último dia 13 de dezembro, no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cachoeiro de Itapemirim. Atualmente, ele está em tratamento de reabilitação no Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes).

Estudos experimentais investigam o potencial da polilaminina de estimular processos de regeneração neural, especialmente em casos de lesão medular. No entanto, a substância ainda se encontra em fase de pesquisa, sem comprovação científica definitiva de eficácia e segurança em larga escala, motivo pelo qual não possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os casos de aplicação do medicamento registrados no Estado decorrem exclusivamente de determinações judiciais, que autorizam o uso excepcional do produto pela própria equipe de pesquisadores e em situações específicas, sob acompanhamento médico rigoroso.

"A polilaminina pode revolucionar a medicina. Um medicamento que vai gerar esperança", destacou o subsecretário.

Conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), diante do avanço de pesquisas e do surgimento de terapias consideradas inovadoras para condições clínicas de alta complexidade, o Espírito Santo instituiu, por meio da Portaria Conjunta nº 58-S, o Grupo de Trabalho (GT) Intersetorial Estadual Preparatório para Incorporação de Terapias Inovadoras.

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