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Publicado em 25 de fevereiro de 2022 às 09:13
Há cerca de dez dias, o nível do Rio Doce em Linhares, no Norte do Espírito Santo, começou a se estabilizar. Nas localidades da sede do município, a água baixou e os moradores puderam voltar para suas rotinas. Mas no interior, em Povoação e Brejo Grande, comunidades inteiras continuam ilhadas. Apenas em Brejo Grande são cerca de 200 famílias isoladas. Fazendas, casas, estradas e escolas ainda estão inundadas devido à cheia. >
Em Linhares, o Rio Doce está em 3,50 metros, de acordo com a medição mais recente às 7 horas desta sexta-feira (25). Nível ainda acima da cota de inundação, que é de 3,45 m. Apesar de acima da cota, o volume é baixo em comparação ao que já foi registrado no início deste ano, 5,80 metros. A maior cheia desde dezembro de 2013, quando a água marcou 6,50 metros na régua.>
Os impactos da inundação ainda deixam moradores desalojados. A dona de casa Denete Santos Gama é moradora de Brejo Grande, mas está há mais de dois meses fora de casa.>
“Desde o dia 20 de dezembro estamos fora de casa, e não tem como voltar porque as estradas continuam alagadas. A água baixou, e achamos que iria resolver, mas encheu novamente”, relatou ao repórter Eduardo Dias, da TV Gazeta Norte.>
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O único jeito de atravessar as estradas alagadas é de trator. Mesmo assim, correndo o risco de o veículo cair em um dos buracos que foram abertos nas estradas por causa da inundação. >
“Eu estou fora de casa, porque tenho onde ficar. Mas tem pessoas lá que não têm. E é muito difícil porque não dá mais para beber a água do poço, porque a água da enchente invadiu. Então tem que comprar, mas é muito difícil fazer esse percurso para comprar qualquer coisa”, afirmou a produtora rural Kelly Raquel Lopes.>
A escola municipal da comunidade ainda está com o pátio inundado. Pais e estudantes reclamam que nenhum tipo de atividade extra foi enviada aos alunos. Lara Gama de Souza é estudante do ensino médio de uma escola estadual, mas não pode ir para a escola porque o ônibus escolar não consegue circular nas estradas. >
"Ninguém passa tarefa. A escola não liga para minha mãe para saber como estamos. E eu fico sem estudar”, contou a estudante. >
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu), informou que os alunos das áreas inundadas que tiverem acesso à internet podem entrar em contato com a escola para receber o material de forma on-line. Já para os alunos que não têm essa opção, a Sedu informou que eles não terão prejuízo, e um esquema especial de ensino será aplicado para que esse aluno tenha todo o conteúdo até o final do ano letivo.>
Em alguns pontos da comunidade de Brejo Grande, a estrada está mais funda e não dá para passar nem de trator. São cerca de 200 famílias que ficaram totalmente isoladas. Segundo apuração da TV Gazeta Norte, a previsão é de que a situação permaneça assim ainda por alguns dias, porque o nível da água diminui devagar.>
Em Povoação, a situação também é crítica. A secretária de Assistência Social de Linhares, Luciana Amorim, informou que na comunidade os moradores podem contar com a assistência do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). “Nós orientamos a comunidade que toda a solicitação pode ser direcionada à extensão do CRAS de Povoação. E, a partir da próxima semana, nossa equipe voltará a prestar apoio à comunidade", afirmou.>
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