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Cheia do Rio Doce potencializa aparições de cobras em Regência

Bióloga que atua na comunidade explicou que a inundação fez com que espécies procurassem novos locais para reprodução, que ocorre neste período do ano

Tempo de leitura: 3min
Linhares
Publicado em 25/01/2022 às 10h50
Atualizado em 25/01/2022 às 15h40
Animal capturado em Regência
Jiboia e outras espécies de cobras foram capturadas na comunidade de Regência nos últimos dias. Crédito: Alexsandra Frossard/Arquivo Pessoal

Correção

25 de Janeiro de 2022 às 15:39

Anteriormente, a matéria informava que a cheia do Rio Doce seria responsável pela aparição de cobras na vila de Regência, em Linhares. O aumento no nível do rio de fato potencializou o aumento de serpentes na região, mas o fator principal para isso é que o verão é época de reprodução desses animais. Para deixar essa informação mais clara, o título e o texto foram corrigidos.

Imagine encontrar uma serpente no quintal de casa. O que você faria? Na vila de Regência, no litoral de Linhares, no Norte do Estado, uma bióloga ajuda os moradores que acham esses animais por perto. Alexsandra Frossard atua há cerca de três anos na comunidade e é responsável por recolher e devolvê-los para o meio ambiente. Segundo ela, apenas neste verão houve cerca de 30 chamados do tipo.

Ela explicou que o aumento do aparecimento de cobras e serpentes tem relação com a época do ano e também com a última cheia do Rio Doce, que alagou pastos e áreas de vegetação, onde estes répteis costumam habitar. 

“É nesse período do ano que os répteis se reproduzem. Por serem animais ectotérmicos, o metabolismo está mais acelerado e as cobras estão mais ativas, em busca de alimentos e abrigos. A cheia potencializou esse número de aparições, porque elas procuraram outros lugares para se abrigarem”, explicou a bióloga - ectotérmicos são aqueles animais que necessitam de fontes externas para manter a temperatura habitual.

O trabalho de Alexsandra também é voltado para a consciência ambiental. Ela apresenta informações aos moradores de Regência sobre a ecologia da cobra e a forma como ela se relaciona com o ambiente. De acordo com a bióloga, na grande maioria das vezes, o bicho não representa risco aos humanos.

A orientação é não matar estes animais, mas chamar quem possui treinamento para fazer o manejo correto. A morte da espécie pode causar desequilíbrio na cadeia alimentar.

“A parte de ensinar, mostrar o verdadeiro comportamento, ecologia dos animais, faz com que as pessoas entendam que os bichos buscam alimento. Matar causa desequilíbrio. Por exemplo: a serpente se alimenta de rato. Se mata a população de serpentes, aumenta a população de ratos. A Polícia Ambiental pode ajudar, os bombeiros também. Se o bicho ficar quieto, é ter paciência de aguardar a polícia. Além disso, ficar atento, caso ele se esconda”, comentou Alexsandra.

EM BOA HORA

A representante comercial Ana Aires mora em Regência desde 2015. Ela conta que tinha dificuldade de lidar com as serpentes antes da chegada da Alexsandra, mas agora está ciente do que fazer quando vê alguma aparecer pelo quintal.

“Comecei a observar mais cobras quando vim para cá e, antes da chegada da Alexsandra, eu não sabia lidar com elas. Ela explicou que elas não são tão perigosas, porque não atacam, mas se defendem, exceto no caso das jararacas. A Alexsandra me orientou a olhar para o chão, limpar sempre o terreno para elas não ficarem abrigadas”, disse a representante.

Além disso, Ana deu um exemplo de como agir: “Na semana passada encontrei com uma jararaca. Eu e meu companheiro paramos, esperamos ela passar, ela foi para o cantinho dela, e depois seguimos para casa normalmente”, relatou Ana.

Com informações de Eduardo Dias, da TV Gazeta Norte

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