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Os detalhes da nova matriz que pode determinar até lockdown nas cidades

Novo modelo que calcula risco dos municípios diante do coronavírus vai considerar, além do número de leitos disponíveis e o índice de contágio, dados como isolamento e número de idosos em cada local

Publicado em 20/05/2020 às 21h46
Atualizado em 21/05/2020 às 10h56
Classificação nova matriz de risco ampliada do Estado
Classificação da nova matriz de risco ampliada do Estado. Crédito: Reprodução

O governo do Espírito Santo anunciou uma nova Matriz de Risco que será usada para avaliar a situação em que cada município se encontra diante da pandemia do novo coronavírus. A partir de domingo (24), dados de isolamento e o número de pessoas acima de 60 anos terão peso na hora de classificar o grau de risco em cada cidade e, com isso, estabelecer restrições, que podem chegar ao "lockdown", ou seja, bloqueio total da circulação de pessoas.

Os outros dois modelos, até então usados pelo Estado, consideravam apenas o coeficiente de incidência da Covid-19 (proporção de contaminados em relação à população) e a taxa de ocupação de leitos em cada local. A partir daí, os municípios eram classificados com risco baixo, moderado e alto. A nova matriz inclui a classificação do risco extremo.

Renato Casagrande

Governador

"É um modelo mais complexo, que considera diversas variáveis na hora de tomar decisões. A nova matriz dará muita responsabilidade ao cidadãos, porque se eles não colaborarem, o município poderá entrar em um isolamento social mais radical"

Dois fatores serão levados em conta no novo modelo: ameaça e vulnerabilidade. O índice de ameaça poderá ser classificado como leve, moderado, severo ou extremo. Essa variável vai ser cruzada com a vulnerabilidade dos municípios, baseada na ocupação de leitos. Neste caso, o risco poder ser: adequado, alerta, crítico ou plano de crise.

Para calcular o nível de ameaça, serão analisadas quatro variáveis com pesos diferentes, que são: o coeficiente de incidência do vírus (com peso de 50% no cálculo), a taxa de letalidade da doença (20%), o índice de isolamento (20%) e a porcentagem de população acima de 60 anos (10%). 

Nova matriz de risco ampliada do Estado para o coronavírus
Nova matriz de risco ampliada do Estado para o coronavírus. Crédito: Reprodução

O cruzamento dos dados dessas quatro variáveis levarão a um número final, que permitirá classificar o nível de ameaça do coronavírus nos município de leve a extremo. 

"Vamos supor que a gente tem um município com coeficiente de incidência baixa do coronavírus. Nesse quesito, ele obtém uma nota e ganha pontos. Mas aí ele tem grande quantidade de mortes e o isolamento é pequeno, perdendo pontos. Se tiver muitas pessoas com mais de 60 anos de idade, a nota cai mais ainda. A partir desses dados, a gente faz uma equação matemática que estabelece o índice de ameaça de cada lugar", explicou Casagrande. 

A nova Matriz de Risco vai considerar também a vulnerabilidade dos municípios, que é baseada na taxa de ocupação de leitos de UTI. Atualmente, o Estado possui 69% dos leitos ocupados, o que o coloca numa situação de alerta. Acima de 80%, essa classificação se torna crítica e, ao atingir 91%, entra o plano de crise, o que pode levar ao isolamento total nos municípios. 

Nova avaliação da matriz de risco ampliado do Estado
Nova avaliação da matriz de risco ampliado do Estado. Crédito: Reprodução

Todos esses fatores, juntos, definirão se uma cidade está em risco baixo, moderado, alto ou extremo. É esta classificação que determinará quais medidas de restrições serão adotadas nos municípios.

Em caso de alto risco, há alternância no funcionamento do comércio. O caso extremo, uma classificação nova do modelo, pode levar ao "lockdown", que é o isolamento compulsório da população, com fechamento de comércio, proibição de andar em ruas e paralisação total do transporte público.

NOVA CLASSIFICAÇÃO 

A partir desse domingo, quando entra em vigor a nova matriz, três municípios que possuíam risco moderado passam a fazer parte do grupo de alto risco: Marataízes, Alfredo Chaves e Afonso Cláudio.

Juntamente com a Grande Vitória, Fundão, Santa Teresa e Presidente Kennedy – que já estavam em alto risco –, 11 cidades terão agora que tomar medidas mais restritivas no funcionamento de comércio. A maior parte das cidades capixabas, um total de 45, passa a ter nível moderado de risco. Outras 22 dias permanecem em risco baixo.

Comparativo semanal do mapa de risco do ES
Comparativo semanal do mapa de risco do ES. Crédito: Reprodução

"A gente pode observar a mudança de coloração dos mapas desde a primeira matriz de risco. Agora, grande parte dos municípios passou para risco moderado, 22 com risco baixo e 11 com risco alto. Claro que, até sexta-feira (22), vamos ter mais dados que poderão tornar um outro município de moderado ou alto risco, mas é importante observar que as ameaças cresceram", declarou Casagrande. 

Apesar de não ter nenhum município que se encontre em risco extremo, o governo estadual apresentou uma simulação de como ficaria o cenário nos municípios, caso o Estado alcançasse a taxa de 91% de ocupação dos leitos de UTI. De acordo com Casagrande, seria necessário isolamento total na maior parte do Espírito Santo. 

Mapa de risco caso o ES alcance mais de 91% de ocupação de leitos de UTI
Mapa de risco caso o ES alcance mais de 91% de ocupação de leitos de UTI. Crédito: Reprodução

"O mapa ficaria todo vermelho [o que mostra o risco alto], com vermelho mais forte de risco extremo. Os municípios teriam que parar completamente suas atividades econômicas, porque é um passo além do risco alto", concluiu. 

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