ASSINE

Ômicron: entenda o que se sabe sobre os perigos da variante

Estudos apontam que cepa parece menos letal que o vírus originário e outras variantes. Mas a transmissão ocorre tão rapidamente que pode pressionar o sistema de saúde

Tempo de leitura: 5min
Colatina
Publicado em 06/01/2022 às 15h30
Imagem destaca variante ômicron do coronavírus feita com um microscópio
Imagem destaca variante Ômicron do coronavírus feita com um microscópio. Crédito: Cortesia Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong

Os dados atuais sobre a pandemia mostram que a cepa de coronavírus predominante atualmente é a Ômicron. Detectada pela primeira vez no final de novembro de 2021, ela  já é responsável por 31,7% dos casos de Covid-19 no Brasil. No Espírito Santo, o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, afirmou que o Estado espera um aumento de registros da nova variante nas próximas semanas.

A primeira morte causada pela variante ômicron do coronavírus no Brasil foi confirmada nesta quinta-feira (6) pela secretaria de saúde de Aparecida de Goiânia, município de Goiás. Um homem de 68 anos morreu após ter testado positivo para a nova cepa na cidade, que fica na Grande Goiânia.

O crescimento de casos traz um alerta: ainda se sabe muito pouco sobre a variante Ômicron. Estudos feitos até o momento apontam que essa cepa parece menos letal que o vírus originário e do que outras variantes. Mas a transmissão ocorre tão rapidamente que o avanço do número de casos pode trazer desafios para a saúde pública.

A médica infectologista Rúbia Miossi afirma que, até o momento, a maioria das infecções pela nova variante foram leves ou assintomáticos. “Ela causa a forma da doença menos grave. A maioria dos internados com casos graves são de não vacinados ou com esquemas de vacinação incompletos” explica.

Ainda que as chances de casos graves sejam menores, a médica afirma que a variante ainda pode ser perigosa. “Principalmente para não vacinados, imunodeprimidos e idosos, ela é mais perigosa para todos. Porque são os grupos que mais adoecem de forma grave e morrem com essa cepa. As complicações são as mesmas das outras variantes".

Entre fevereiro e abril de 2021, o país viveu um dos piores momentos da pandemia. O aumento de internações por causa da doença resultou na falta de leitos de UTI e desabastecimento de oxigênio.

Com o Estado enfrentando agora também a epidemia de Influenza, que já pressiona a rede de serviço de Saúde, o aumento de casos pela variante Ômicron pode resultar em um novo colapso.

Esse cenário é um risco, segundo a infectologista, porque os estudos indicam que a variante seja mais contagiosa do que as outras cepas. 

Rúbia Miossi

Infectologista

"A capacidade de transmissão aumentada faz com que mais pessoas tenham a doença ao mesmo tempo, e se precisarem de internação ao mesmo tempo isso pode gerar um colapso no sistema de saúde"

Para evitar que isso aconteça, os cientistas vêm tentando entender a nova variante. As evidências levantadas até o momento apontam algumas questões importantes:

1 - Casos mais leves que outras variantes

Infecções causadas pela variante Ômicron representam casos menos graves quando comparadas com as provocadas pela Delta, segundo um estudo assinado por seis pesquisadores dos Estados Unidos, da Escola de Medicina da Universidade Case Western Reserve, em Ohio

As análises feitas mostram que, mesmo em idosos, a nova cepa representou menor risco de complicações pela doença. O estudo foi publicado na plataforma medRxiv e é um pré-print, ou seja, ainda não foi revisado por pares.

Para a investigação, os pesquisadores acessaram informações da TriNetX, uma plataforma que compila dados de mais de 80 milhões de pacientes de 63 serviços de saúde dos Estados Unidos.

Os cientistas se concentraram nas informações de três períodos de 2021 para comparar os impactos da delta e da Ômicron na gravidade de casos de Covid-19. Apesar de o número de casos ter aumentado em relação aos períodos, o número de internações foi menor, o que mostra que menos pessoas precisaram procurar os serviços de Saúde com casos mais graves.

Um consórcio grande de cientistas japoneses e americanos divulgou um relatório sobre hamsters e camundongos infectados com Ômicron ou com uma de várias variantes anteriores, e chegou a uma conclusão semelhante. O estudo mostrou que os infectados com ômicron apresentaram menos danos pulmonares, haviam perdido menos peso e tinham menos probabilidade de morrer.

Embora os animais infectados com Ômicron tivessem sintomas muito mais leves, em média, o que chamou especialmente a atenção dos cientistas foram os resultados obtidos com hamsters sírios, uma espécie que sabidamente adoeceu gravemente com todas as versões anteriores do coronavírus.

2 - Danos menores ao pulmão

Pesquisadores da Universidade de Hong Kong que estudaram tecido retirado de vias aéreas humanas durante cirurgias descobriram que a Ômicron se espalhou mais lentamente que as variantes delta e outras.

As infecções por coronavírus começam no nariz ou possivelmente na boca e se propagam garganta abaixo. As infecções leves não passam muito da garganta. Mas quando o coronavírus chega aos pulmões, pode provocar danos graves.

Essas descobertas ainda precisam ser seguidas por estudos posteriores, como experimentos com macacos ou um exame das vias aéreas de pessoas infectadas com a Ômicron. Se os resultados se mantiverem, talvez expliquem por que pessoas infectadas com essa cepa parecem ter risco menor de ser hospitalizadas que as infectadas com a Delta.

3 - Transmissão aumentada

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong (HKUMed, na sigla em inglês) analisou a capacidade de replicação da variante Ômicron e indicou que ela pode ser de fato mais transmissível. Os pesquisadores destacaram que, mesmo com severidade reduzida, o risco global da linhagem é "provavelmente muito significativo".

Para chegar aos resultados, os cientistas utilizaram tecidos pulmonares para analisar como a cepa original do novo coronavírus, a Delta e a Ômicron infectam o trato respiratório humano.

A análise apontou que, quando comparada às outras duas cepas, a Ômicron se multiplica 70 vezes mais rápido nos brônquios humanos (estruturas com formato de tubo que ligam traqueia e pulmões, cuja função é encaminhar ar para esses órgãos). Isso pode explicar porque a linhagem detectada na África do Sul é mais transmissível - como indicaram evidências preliminares citadas pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS).

4 - Vacinação pode ter resultado em casos menos graves

Os primeiros estudos realizados pelas fabricantes da vacina já apontam que os imunizantes desenvolvidos contra a Covid-19 conseguem evitar o agravamento da doença e proteger o organismo dos impactos mais nocivos da infecção pela variante Ômicron.

Um estudo preliminar divulgado pelas farmacêuticas Pfizer e Biontech, responsáveis pela produção da vacina da Pfizer, afirmam que o imunizante aplicado em três doses é capaz de neutralizar a variante. Ainda assim, as empresas afirmam que duas aplicações protegem contra casos graves da doença.

A Anvisa também já informou, com base em estudos que foram passados por outras fabricantes, que as vacinas aplicadas atualmente no país devem proteger contra doenças graves, hospitalizações e mortes mesmo em casos de infecção pela Ômicron.

* Com informações da Agência Folhapress e Agência Brasil

Este vídeo pode te interessar

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.