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Médico relata racionamento de remédios para intubação em hospitais de Linhares

Diretor clínico do Hospital Rido Doce,  Ronaldo José de Souza falou do drama vivido pelos profissionais da unidade e afirmou que a perspectiva é que os medicamentos durem no máximo por mais cinco dias

Colatina / Rede Gazeta
Publicado em 15/04/2021 às 20h08
Médicou falou
Médico relata racionamento de remédios para intubação e desabafa no ES . Crédito: TV Gazeta Norte / Reprodução

Preocupação em todo país, a falta de medicamento para intubar pacientes internados em UTIs com a Covid-19 já começa assustar também profissionais de saúde do Espírito Santo. O médico e diretor clínico do Hospital Rio Doce, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, afirmou que atualmente o hospital conta com medicação para poucos dias e as equipes estão usando maneiras para diminuir o consumo da medicação de alguns internados. 

Em entrevista para a TV Gazeta Norte, o médico Ronaldo José de Souza relatou o drama vivido pelos profissionais da unidade filantrópica. Segundo ele, a perspectiva é que os medicamentos durem no máximo por mais cinco dias. Com isso, as equipes já estão adotando algumas estratégias para diminuir o consumo da medicação em alguns pacientes.

Ronaldo José de Souza

Médico e diretor clínico do Hospital Rio Doce

"No ritmo que está, nós só temos estoque das medicações ideais para os próximos três ou cinco dias. Nós temos medicações alternativas, longe do ideal, que a gente consegue manter os pacientes em ventilação mecânica e já estamos usando naqueles que estão funcionando bem"

Em mais de três décadas de trabalho, o profissional relatou que nunca imaginou presenciar uma uma situação do tipo. "Tenho 35 anos vivendo dentro de leitos de UTI. Eu não fui treinado para falta de medicação, fui treinado para atender pacientes graves”, se emocionou o médico.

O profissional reforçou que a situação pode comprometer a assistência das pessoas com quadro mais grave e que dependem de ventilação mecânica durante o tratamento. “Os pacientes não vão aguentar ficar com o tubo na garganta sem intubação”

Segundo o médico, 16 pacientes estão intubados no hospital. Nove deles por Covid-19 e outros sete por outras doenças. Um kit intubação, segundo a assessoria da Sesa, é composto por analgésicos (remédio para dor), bloqueadores neuromusculares e sedativos, utilizados quando há necessidade de intubar o paciente. Na lista de medicamentos padronizados pelo Ministério da Saúde há 22 itens que integram o kit.

Hospital Rio Doce, em Linhares
Hospital Rio Doce, em Linhares . Crédito: TV Gazeta Norte / Reprodução

DIFICULDADE TAMBÉM NO HGL 

Outra unidade com leitos públicos para pacientes com a Covid-19 no munícipio, o Hospital Geral de Linhares (HGL) também relatou dificuldades com os estoques de medicamentos para intubação de pacientes. A secretaria de Saúde de Linhares informou que estão baixos os estoques de remédios como sedativos, anestésicos e relaxantes musculares e confirmou que alguns itens estão sendo substituídos por outros medicamentos, com a mesma finalidade.

Hospital Geral de Linhares (HGL)
Hospital Geral de Linhares (HGL). Crédito: Prefeitura de Linhares

"A secretaria pontua que, a exemplo de outros hospitais, encontra dificuldades para a aquisição de insumos junto aos fornecedores, mas que busca de forma emergencial a compra desses itens, assim como, há previsão da chegada de medicamentos comprados anteriormente", disse a nota. 

O QUE DIZ A SESA? 

A Secretaria da Saúde (Sesa) informou que no momento não há desabastecimento de medicamentos para intubação na rede estadual de saúde. Ressaltou que todos os esforços estão sendo empenhados para ajudar a garantir a assistência dos pacientes de unidades das redes privada e filantrópica – segmentos que começaram a sentir o impacto da crise nacional.

A Sesa vai emprestar 14.525 medicamentos do chamado “kit intubação” a sete hospitais: Hospital João dos Santos Neves (HJSN), em Baixo Guandu; Hospital Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim; Hospital Menino Jesus de Itapemirim; Hospital Santa Casa de Misericórdia de Colatina, Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, Hospital Materno-Infantil Francisco de Assis (HIFA), em Cachoeiro de Itapemirim; e Vila Velha Hospital. Vale destacar que os hospitais filantrópicos são instituições privadas, porém sem fins lucrativos, que possuem contrato com o Sistema Único de Saúde (SUS).

A Secretaria da Saúde realizou um levantamento entre as unidades hospitalares estaduais que estão com estoques garantidos para mais de sete dias e realizará o empréstimo já a partir desta sexta-feira (16). Esse foi o resultado de uma reunião realizada nessa quarta-feira (14) com diretores de diversos hospitais da Região Sul. Ainda nesta quinta-feira (15), o Governo do Estado deverá fazer um novo encaminhamento sobre o assunto, apoitando esses hospitais em uma ação judicial conjunta para obrigar os fornecedores a entregarem os medicamentos já comprados.

Além disso, o Estado apoia os hospitais em processos de compra internacionais de medicamentos já em andamento, que deverão abastecer a rede estadual e privada por três meses. O processo conduzido pela Sesa, por exemplo, contém 14 itens que demandarão investimentos da ordem de mais de R$ 22 milhões.

A Sesa tem garantido o abastecimento de medicamentos nos hospitais estatais a partir da gestão estratégica das unidades, diante de um cenário pandêmico que impõe um aumento na demanda assistencial. As equipes se prepararam ajustando contratos para garantir a demanda por consumo e até mesmo requerendo, por via judicial, a entrega de insumos já adquiridos, como ocorreu recentemente.

KIT INTUBAÇÃO COMEÇA A CHEGAR EM HOSPITAIS DO ES

O governo do Estado conseguiu nesta quinta-feira (15), a 12ª liminar favorável da Justiça para o fornecimento de medicamentos a pacientes com a Covid-19, o chamado kit intubação usado nas UTIs. Os remédios já começaram a ser distribuídos aos hospitais, garantindo a assistência adequada quando há necessidade de sedação.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) ingressou com 13 ações na semana passada, uma contra cada fornecedora de medicamentos que não havia cumprido o prazo de entrega em contrato feito com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A alegação foi de que o Ministério da Saúde havia requisitado todo o estoque e não haveria mais insumos para distribuir ao Espírito Santo, mas não apresentaram provas.

No mesmo dia em que foi ajuizada ação, uma das empresas restabeleceu o fornecimento para o Estado e não houve necessidade de apreciação judicial. Para todas as outras ações, a Justiça atendeu o pedido do governo e determinou a entrega dos medicamentos. A Sesa, porém, não informou a quantidade de remédios recebidos e distribuídos.

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