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Terceira onda da Covid-19 deve desacelerar ainda mais economia do ES

Antes mesmo das novas restrições, índice do Banco Central já apresentava resultados negativos, com encolhimento de 1,91% em janeiro, em comparação com desempenho de dezembro

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 15/04/2021 às 02h01
Movimento do comércio na avenida Central no bairro Laranjeiras, na Serra, no primeiro dia de quarentena no ES
Movimento do comércio em Laranjeiras, na Serra, durante a quarentena. Crédito: Ricardo Medeiros

O Espírito Santo tem sofrido para reagir à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Antes mesmo da terceira onda da Covid-19 atinger o Estado, a atividade econômica capixaba já apresentava resultados negativos, com encolhimento de 1,91% em janeiro, em comparação com o desempenho de dezembro.

Esta foi a primeira variação mensal negativa desde abril de 2020 (-8,55%) — que foi um mês crítico, em que o comércio esteve praticamente fechado, com exceção de supermercados, farmácias, entre outras atividades essenciais — , e o pior janeiro desde 2015 (-2,15%), de acordo com levantamento feito pelo economista Eduardo Araújo, a partir dos dados do Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), do Banco Central.

"Os dados chamam atenção para o fato de estarmos num processo de estagnação econômica desde 2015, com uma leve recuperação em 2017 e 2018. A pandemia veio e só agravou todo o quadro recessivo. O resultado é que hoje, em um cenário moderado, estamos produzindo cerca de 16% menos ao que se fazia em 2014, com queda significativa no nível de renda das famílias capixabas e uma tendência de ampliação da desigualdade social", destaca Araújo.

Ao final de 2020, a soma das riquezas produzidas pelo Estado ao longo do ano apresentava queda superior a  4,1% em relação ao período anterior, mas, ainda assim, em dezembro a economia capixaba conseguiu crescer 1,56% na comparação com novembro.

“No final de 2020, a economia capixaba ainda estava turbinada com todas essas fontes de transferências de recursos públicos, além de recursos de 13° salários e as compras de fim de ano. Mas quando veio janeiro, período de férias, de turismo, de festas, não houve a mesma movimentação dos anos anteriores em função da Covid-19”, observa o economista.

Para este ano, ele destaca que, até então, as expectativas não são boas, e o Estado deve continuar em recessão, talvez ainda mais profunda que a observada no ano passado.

A vacinação ainda caminha lentamente no país, assim como no Estado. Até o momento, cerca de 446,9 mil capixabas receberam a primeira dose da vacina - algo em torno de 11% da população -, mas somente 106,3 mil receberam a segunda dose e podem ser considerados realmente imunizados.

Enquanto isso, a disseminação de novas variantes da Covid - mais transmissíveis e letais - tem levado ao colapso do sistema de saúde. O salto do número de casos e óbitos diários veio a partir de março, elevando também as taxas de ocupação de leitos destinados ao tratamento da Covid-19.

Como consequência, os capixabas já enfrentaram 18 dias de quarentena, e o futuro ainda é incerto. No momento, boa parte das atividades funciona com restrições de dia e horário.

“Essas medidas que estão sendo colocadas para o momento que estamos vivendo são medidas duras, mas necessárias para preservar a vida. A situação é crítica. Na economia, o que vai definir quão rapidamente vamos superar a crise é, principalmente, a vacina.”

Hoje, num cenário otimista, a queda da atividade econômica do Espírito Santo ao final de 2021 é projetada em 4%; no cenário pessimista, pode chegar a 6%, segundo Araújo. Ele observa que é difícil prever todos as variáveis, mas que um dos fatores que tende a contribuir para uma queda maior que a observada no ano passado é a menor injeção de recursos na economia.

O auxílio emergencial, que garantiu renda à população economicamente vulnerável no ano passado, será pago a um número menor de pessoas, e o valor do benefício é bastante inferior aos R$ 600 ou até R$ 1.200 pagos anteriormente.

Ao mesmo tempo, as empresas não estão confiantes o suficiente para fazer contratações em um volume capaz de suprir o aumento da demanda por postos de trabalho. O Estado encerrou 2020 com quase 280 mil desempregados. No final de 2019, eram aproximadamente 220 mil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O agravamento da crise pode levar a novas rodadas de demissões, embora haja ainda a expectativa de renovação do programa de redução de jornada e salário e suspensão temporária do contrato de trabalho que, pode ajudar a blindar milhares de empregos no Estado. Por outro lado, a medida abrange somente os empregados formais, com carteira assinada.

De maneira geral, a expectativa é que haja crescimento no número de pessoas buscando emprego, que são os dados efetivamente quantificados pelo IBGE.

“É uma repetição do que houve no ano passado, mas em patamares mais críticos: índice de mortalidade mais alto, empresas com menor disponibilidade de caixa, famílias com uma renda menor, e número de desempregados ainda mais elevado.”

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