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ES não deve ter queda de casos e mortes nas próximas oito semanas

Nésio Fernandes, secretário de Estado da Saúde, alertou que neste período não deverá haver redução do número de  óbitos pela Covid-19, o que  levará o Espírito Santo a viver um momento muito "muito crítico e difícil"

Publicado em 14/12/2020 às 18h23
Atualizado em 14/12/2020 às 18h23
Praia da Costa, em Vila Velha, lotada no dia 13/12/2020, em meio a pandemia e ao crescimento de casos da Covid-19 no ES
Praia da Costa, em Vila Velha, lotada no domingo (13), em meio a pandemia e ao crescimento de casos da Covid-19. Crédito: Ricardo Medeiros

O Espírito Santo enfrentará uma fase de “grande risco social” nas próximas oito semanas. O alerta foi feito pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes,  que assinala que não haverá redução do número de mortes pela Covid-19 nas próximas oito semanas e que teremos que nos preparar para momentos muito difíceis. 

Ele conclamou a população, na tarde desta segunda-feira (14) a fazer um pacto para conter o avanço da doença. O pedido é para evitar qualquer tipo de interação social.

"Em uma avaliação de cenário de continuidade de crescimento de casos, de internação e de óbitos, a previsão é de que não iremos ter uma redução do número de mortes pela Covid-19 em período inferior a oito semanas, o que nos obriga a preparar toda a rede de vigilância e atenção para um momento muito crítico e difícil que Espírito Santo, assim como o Brasil,  irá viver”, destacou Nésio.

A preocupação é com as festas de final de ano, até mesmo as familiares ou em grupos de amigos e religiosos. Este tipo de interação pode levar a um contato maior entre as pessoas e por consequência a contaminação. Situações como a do último domingo (13), cujo sol forte fez lotar as praias do Estado.

"Estamos inaugurando uma etapa de grande risco as pessoas que amamos. Conclamo as lideranças religiosas, as famílias, a sociedade para um amplo movimento civilizatório de forma a reduzirmos, significativa, a partir de hoje, toda e qualquer interação. Façamos um pacto de não interação social, evitem atividades sociais que gere aglomeração”, assinalou Nésio.

O secretário orienta a todos a buscarem outras alternativas de manifestar carinho nesta época do ano, principalmente aos idosos.  “As festas de fim de ano poderão levar uma grande quantidade de pacientes doentes, sintomáticos, assintomáticos, a interações amplas com pessoas em situação de risco. O final de ano pode representar um janeiro e fevereiro muito triste. Temos um risco alto de perdermos muitas pessoas”, destacou.

Durante coletiva, na tarde desta segunda-feira (15), ele reiterou várias vezes o apelo para que as pessoas não saiam de casa a partir das 20 horas e fiquem em casa aos finais de semana, além de reduzirem o consumo de álcool no final do ano. “O consumo de álcool está associado a comportamentos sociais que levam ao alto risco de transmissão. Reduzam o consumo de álcool nesse período".

Nésio informou ainda que até o mês de fevereiro o Estado terá uma expansão der 900 leitos de UTI para pacientes com Covid-19. A medida faz parte da estratégia para evitar que se alcance 90% de ocupação dos leitos o que poderia levar a um colapso do sistema de saúde no Espírito Santo. 

“Mas somente leitos não serão suficientes para salvar todas as vidas. Eles garantem o acesso ao tratamento, mas uma parte dos pacientes evoluem a óbito, que é o que desejamos evitar. Por isto exortamos a todos sobre gravidade do momento e de como precisamos da colaboração de todos para superar este momento”, assinala.

TAXA DE TRANSMISSÃO 

A taxa de transmissão (RT) do novo coronavírus no Espírito Santo voltou a crescer, saindo de 1,2 para 1,43. Os maiores indicadores estão no interior do Estado, em regiões como o Caparaó, com taxa de 2,28, e o Litoral Sul, que alcançou 2,70, situação em que dez pessoas podem contaminar outras 27, por exemplo. Na Grande Vitória, o índice de contágio saltou de 0,87 para 1,03.

A taxa de transmissão acima de 1 significa avanço da pandemia da Covid-19 e, quanto maior esse indicador, maior é o potencial de contaminação pela doença. Assim, uma consequência dessa expansão é a alta no número de novos casos confirmados no Estado. No interior, cresceu também o número de mortes.

O ideal, segundo o diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Pablo Lira, é que todas as regiões fiquem abaixo de 1. Um dos principais fatores tem sido o causador do crescimento da taxa é o aumento da interação social.

"Está havendo maior interação entre a população, que está em um nível de exaustão. Há um número maior de pessoas negligenciando os protocolos. Até o uso de máscaras diminuiu. E isso é preocupante porque as medidas como máscara, higiene e distanciamento fazem um controle efetivo da transmissão do vírus até a chegada da vacina"

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