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Publicado em 1 de fevereiro de 2022 às 18:53
A Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) quer esclarecimentos sobre o atropelamento da cadeirante Gisele de Oliveira Mota, de 34 anos, que aconteceu nesta segunda-feira (31), em Cariacica. Ofícios foram enviados à prefeitura e à Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros (Ceturb) nesta terça-feira (1º).>
De acordo com comunicado divulgado no site oficial do órgão, o acidente "chamou atenção sobre a possível falta de acessibilidade no município". Os pedidos foram oficializados e enviados por meio da Coordenação da Pessoa Idosa e com Deficiência.>
No que diz respeito à administração municipal, a DPES quer saber:>
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Já em relação à Ceturb, que é responsável pelo gerenciamento do Sistema Transcol, cujo ônibus se envolveu no atropelamento, a Defensoria Pública Estadual quer explicações sobre:>
Nos dois casos, o prazo para que os retornos sejam dados é de 15 dias. Caso ele não seja cumprido, a Defensoria Pública do Estado reforçará o pedido e tentará, mais uma vez, uma solução administrativa. Em último caso, o órgão adiantou que poderá buscar uma medida junto à Justiça. >
Conforme explicado pelo gestor Hugo Matias, o objetivo é avaliar se houve alguma violação de direitos fundamentais, estudar quais medidas devem ser adotadas e qual será o meio de cobrá-las. Recomendações e compromissos de ajustamento de conduta estão entre as possibilidades.>
"Na prática, significa que, embora o fato seja individual, ele pode sinalizar que algo estrutural encontra-se pendente de ajustes ou correções. Por isso, a Defensoria Pública tem legitimidade para atuar a fim obter a construção de propostas de superação das dificuldades apresentadas", esclareceu.>
Em nota, a Ceturb informou que enviou um ofício ao Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) para que seja apresentado um cronograma de treinamento para motoristas a fim de reforçar a direção defensiva e as boas práticas no trânsito.>
"Pelo contrato de concessão do Transcol, os consórcios têm até 48 horas para informar sobre acidentes de trânsito e quais as medidas tomadas, quando há vítimas. As punições, nesses tipos de ocorrência, são aquelas previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB)", esclareceu.>
Já a Prefeitura de Cariacica confirmou o recebimento do ofício e garantiu que enviará a resposta dentro do prazo. O município também afirmou que a construção de calçadas-cidadãs em imóveis particulares é de responsabilidade do proprietário, mas não esclareceu se há fiscalização ou se fará algum tipo de notificação.>
"No site oficial, há orientações sobre normas para construções, reformas de imóveis e regularização. Os moradores podem se informar no telefone (27) 3354-5407. O cidadão ainda pode colaborar denunciando irregularidades nos telefones 3354-5409, 3354-5408 e 3354-5113 ou na Ouvidoria, pelo 162", orientou.>
A cadeirante Gisele de Oliveira Mota, de 34 anos, foi atropelada por um ônibus na tarde dessa segunda-feira (31), no bairro Bela Aurora, em Cariacica. O vídeo abaixo mostra que o motorista chegou a parar logo atrás dela, mas, depois, acelerou e acertou a vítima, que estava na beira do asfalto. Veja:>
Apesar dos ferimentos e do trauma psicológico, ela recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (1) e já está em casa. Em entrevista, ela explicou que estava na rua porque não conseguia subir nas calçadas, devido ao desnível e à ausência de rampas. A cadeira de rodas dela ficou destruída.>
Por enquanto, Gisele está com uma cadeira emprestada e aguarda um ressarcimento para poder arcar com os prejuízos físicos e materiais. Em nota enviada na ocasião, a Ceturb lamentou o ocorrido e afirmou que iria notificar o consórcio operador para "apurar os fatos e informar as providências tomadas".>
Nesta segunda-feira (7), o motorista Rômulo Fontana – que dirigia o ônibus no atropelamento – procurou a equipe de A Gazeta para reforçar que prestou todo o apoio à vítima, tanto no momento em que o acidente aconteceu, quanto nos dias seguintes, quando pagou pela nova cadeira da Gisele.>
"Eu tinha visto ela antes, mas eu preciso ficar observando os passageiros desembarcarem pelo retrovisor. Nesse tempo, ela foi para o meu ponto cego e pensei que ela tivesse saído. Quando prensou, eu esperei tirarem ela daquela situação, abri a porta e desci, disse que iria cuidar de tudo", lembrou.>
Ele também afirmou que "o local não tem calçada-cidadã", que esperou a chegada da ambulância e se identificou junto à polícia. "No dia seguinte, eu dei R$ 1.390 na empresa para poder pagar a nova cadeira, porque a que tinha sido emprestada não passava pelas portas da casa dela", comentou.>
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