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Covid-19: mortes mais que dobram na primeira quinzena de dezembro

Primeira quinzena de dezembro registrou 351 mortes, um aumento de 127,9% em relação ao mesmo período de novembro, quando 154 pessoas perderam a vida em consequência do coronavírus; é o segundo aumento seguido no número

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 15/12/2020 às 21h44
Ato homenageia capixabas mortos pelo novo coronavírus na praia de Camburi, em Vitória
Coronavírus já matou mais de 4 mil pessoas no Espírito Santo. Crédito: Ricardo Medeiros

O avanço da pandemia do coronavírus sobre o Espírito Santo trouxe mais um dado alarmante nesta terça-feira (15): a quantidade de mortes causadas pela Covid-19 mais que dobrou na primeira quinzena do mês de dezembro em comparação ao mesmo período em novembro.

Segundo dados do Painel Covid-19, ferramenta da Secretaria do Estado de Saúde (Sesa), durante os primeiros 15 dias de dezembro foram registradas 351 mortes por conta do coronavírus. São 197 mortes a mais que o registrado em novembro no mesmo período analisado — quando 154 pessoas perderam a vida.  Este valor representa um aumento de 127,9%, ou seja, é maior que o dobro do número de óbitos apontados no mesmo período de novembro.

Essa também é a segunda vez seguida que o Espírito Santo registra aumento nas mortes nas comparações entre quinzenas. De outubro para novembro, houve um aumento de 3,35% de óbitos em relação aos 15 primeiros dias dos respectivos meses. Em outubro, foram 149 mortes causadas pelo coronavírus, contra 154 em novembro.

O número de mortes registrado nesta terça-feira (15) se aproxima dos valores registrados no período considerado o pico da pandemia no Estado. Na primeira quinzena do mês de junho, 485 pessoas perderam a vida em decorrência da Covid-19. Já nos primeiros 15 dias de julho, ponto crítico de contaminação da doença, foram 449 óbitos.

Doutora em epidemiologia e colunista de A Gazeta, Ethel Maciel afirmou que este crescimento no número de mortes é decorrente das aglomerações geradas pelas eleições, que aconteceram nos dias 15 e 29 de novembro. Segundo a infectologista, a tendência destes números para as próximas semanas ainda é um mistério.

"Estamos vendo um reflexo das aglomerações das eleições. As mortes de hoje, são as infecções de três, quatro semanas atrás, quando houve muitas aglomerações, festas inclusive. A tendência é um mistério, uma incerteza. Depende muito do comportamento das pessoas e da ação dos órgãos do Estado, para fiscalizar, multar. Algumas pessoas só compreendem a mensagem desta forma. É preciso que cada um faça sua parte", disse.

NOVO AUMENTO DE CASOS

Além das mortes, o número de infecções pelo coronavírus no Estado também cresceu de forma preocupante. Analisando a primeira quinzena de novembro, 14.207 pessoas contraíram a Covid-19. Já nos primeiros 15 dias de dezembro, o número de infectados pulou para 27.937. Em valores percentuais, o aumento foi de 96,6% no número de novos casos entre os períodos observados.

O número de novos casos da primeira quinzena de dezembro já ultrapassou o valor apontado nos meses de pico da doença no Espírito Santo. Nos primeiros 15 dias de julho, foram 19.459 pessoas infectadas pela Covid-19. No entanto, é importante lembrar que a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) ampliou a testagem duas vezes, nos dias 11 e 22 de setembro. Desde então, quem mora com um positivado ou quem apresenta sintomas da doença é testado, independentemente de idade ou comorbidades.

Tanto o número de novos casos quanto o de óbitos causados pelo coronavírus são indicadores preponderantes para a elaboração do Mapa de Risco de transmissão da Covid-19, desenvolvido pelo Governo do Espírito Santo e que delimita a classificação dos municípios do Estado.

E as consequências do aumento nos valores dos indicadores é perceptível: no mais recente Mapa de Risco, divulgado na última sexta-feira (11), seis municípios do Estado aparecem em risco alto de transmissão da doença. Outros 48 estão em risco moderado e mais 24 cidades estão classificadas no risco baixo.

35º mapa de risco do ES; Covid-19; coronavírus
35º mapa de risco do ES. Crédito: Governo do ES/Divulgação

Grande Vitória, que concentra os quatro municípios com maior número de casos confirmados da Covid-19 — Vila Velha, Serra, Vitória e Cariacica — está toda classificada como risco moderado, em amarelo. A tendência, porém, é que isso mude: o governador Renato Casagrande afirmou, em entrevista à Rádio CBN Vitória nesta terça-feira (15), que as cidades da região Metropolitana caminham para o risco alto de contaminação da Covid-19.

"A tendência é a Grande Vitória caminhar para o risco alto nos próximos dias pela quantidade de pessoas que estão perdendo a vida, pela quantidade de pessoas que estão contaminadas. Risco maior (significa) fechamento de comércio a partir de 16h no sábado, e no domingo não tem abertura", disse o governador.

"MOMENTO CRÍTICO"

O aumento do número de casos coloca o Espírito Santo em um momento crítico da pandemia do coronavírus, segundo o secretário de saúde do Estado, Nésio Fernandes. Ele explicou que, para as próximas semanas, acredita que mais municípios estarão classificados em risco moderado e até em risco alto. Nésio ainda afirmou que Vila Velha é a cidade que mais preocupa, sendo o município da Grande Vitória que se encaminha para a classificação de risco alto de transmissão da Covid-19.

"Isso representa o risco iminente de que muitos municípios capixabas irão migrar para risco alto e moderado. Serão raros os municípios em risco baixo na última semana deste mês. Existe uma chance grande de não haver município em risco baixo. Acompanhando a evolução de óbitos, vemos que a situação de Vila Velha está crítica. Dos municípios da Grande Vitória, é o que caminha para um ponto muito crítico no mapa de risco, já que saiu de 14 óbitos na semana para 35 óbitos duas semanas depois, ou seja, mais do que dobrou a quantidade de mortes em 15 dias", alertou o secretário.

O secretário de Saúde ainda elucidou a situação do interior, alegando que a maioria dos municípios enfrenta agora um comportamento de primeira onda de transmissão do coronavírus. Para Nésio, os comportamentos das ondas de crescimento de casos e óbitos são diferentes na região Metropolitana em relação ao interior do Estado.

"As curvas em vários municípios do interior representam a primeira onda de coronavírus. Governador Lindenberg é um exemplo muito significativo. Tinha 5,6 casos na média móvel em setembro e 16,93 agora em dezembro. Isso também contribui para que muitos municípios possam preencher a pressão de casos no interior do Estado", disse.

"Tem um conjunto grande de municípios que têm um comportamento de óbitos muito preocupante. Em outros municípios, percebemos que não tiveram a primeira onda e estão tendo agora esse comportamento. A segunda expansão de casos no Espírito Santo é a somatória de um comportamento de primeira onda em muitos municípios do interior somada a uma nova expansão em municípios que tiveram ondas muito significativas, tanto em número de casos quanto de óbitos."

A previsão do secretário para as próximas semanas não é nada animadora. Segundo Nésio, o Espírito Santo deve enfrentar semanas críticas no que diz respeito ao avanço do coronavírus e os números de novos casos, internações em UTIs e óbitos tendem a seguir aumentando. Isso ainda é potencializado, de acordo com o secretário, por conta das interações nas festas de final de ano e do contexto de alta transmissão em que o Estado está agora inserido.

"Quando fazemos uma análise das interações sociais das próximas semanas, são em um contexto de alta transmissão. As interações que tivemos em setembro, era em um contexto de baixa transmissão da doença. Uma interação agora, teria uma violência epidemiológica muito maior. Torço para que esteja errado, mas o início da queda sustentada de óbitos seria daqui a oito semanas. Teremos semanas muito críticas no Estado, que caminha para, em janeiro, ter um aumento nos casos, internações e, infelizmente, de óbitos também", finalizou.

"GALOPANTE NO INTERIOR"

Todos os seis municípios classificados em risco alto de contaminação do coronavírus estão no interior do Estado. São eles: Ecoporanga, Mantenópolis, Marilândia, Ibiraçu, Domingos Martins e Anchieta. Em pronunciamento na última sexta-feira (11), o governador Renato Casagrande classificou o avanço da Covid-19 nos municípios do interior do Espírito Santo como "galopante".

"São seis municípios que estão em risco alto. Isso mostra como a doença está galopante no interior. Está também na Grande Vitória, mas o processo é crescente no interior do Espírito Santo. É preciso entender que, quando chega ao risco alto, reduz a liberdade; é preciso compreender que as medidas caminham na direção do aumento das restrições de atividades econômicas e sociais", disse.

O governador também chamou atenção de outros dois indicadores importantes para a classificação de risco do Estado: a média móvel de mortes e a taxa de transmissão da doença. Segundo Casagrande, esses são outros dois indicadores que tiveram aumento nas últimas semanas no Espírito Santo. E Casagrande ainda voltou a ressaltar que o avanço da pandemia no interior é mais preocupante do que na Grande Vitória.

"Nós estamos acompanhando o crescimento da pandemia no Brasil todo e aqui no Espírito Santo. Só para se ter uma ideia, a média móvel de óbito dos últimos 14 dias chegou praticamente a 20. Há um mês e meio, estávamos com a média móvel em torno de oito, nove. Agora, chegamos a 20 por dia. A taxa de transmissão do Espírito Santo, consolidada, está em 1,43. A taxa do interior do Estado, em 1,71 e, a da Grande Vitória, em 1,03. A taxa de transmissão do interior está muito superior à da Grande Vitória. Precisamos chamar atenção: a pandemia do interior está mais descontrolada do que na Grande Vitória", alertou.

A COVID-19 NO ESTADO

De acordo com a atualização do Painel Covid-19 desta terça-feira (15), o Espírito Santo registrou 21 mortes e 2.400 novos casos de coronavírus nas últimas 24 horas. Até o momento, o Estado contabiliza um total de 4.630 mortes pela doença e 217.938 casos confirmados.

A quantidade de curados também subiu, chegando a 199.651. A taxa de letalidade da Covid-19 se mantém 2,12%, e 703,255 testes já foram realizados no Estado.

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