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Coronavírus é o responsável por 20% das mortes no ES

De abril a outubro, quatro em cada 20 óbitos no Espírito Santo foram decorrentes da Covid-19, conforme dados consolidados no portal da Transparência do Registro Civil

Rede Gazeta
Publicado em 17/11/2020 às 19h36
Atualizado em 18/11/2020 às 10h38
Comércio da avenida Expedito Gárcia, em Campo Grande, Cariacica
A população, além de usar máscaras, deve evitar locais de aglomeração como prevenção à Covid-19. Crédito: Ricardo Medeiros

Correção

18 de Novembro de 2020 às 10:38

Uma versão anterior deste texto afirmava erroneamente que uma em cada 20 mortes no Espírito Santo é provocada por Covid-19. No entanto, o dado correto é de que quatro em cada 20 mortes são causadas pelo coronavírus. A informação foi corrigida.

A pandemia do coronavírus trouxe novos paradigmas para a saúde pública em todo o Brasil e, no Espírito Santo, não foi diferente. Dados do Painel Covid-19, divulgados pelo governo estadual, indicam que, até esta terça-feira (17), 4.037 pessoas morreram no Estado em decorrência da infecção. A doença é, atualmente, responsável por cerca de 20% dos óbitos registrados em território capixaba. 

De abril deste ano, quando foi confirmada a primeira morte por coronavírus no Estado, até outubro, 17.765 pessoas morreram no Espírito Santo, conforme dados consolidados no portal da Transparência do Registro Civil. Desses óbitos, 3.850 foram provocados pela Covid-19, o equivalente a 21,6%. Isso significa dizer que aproximadamente quatro em cada 20 mortes são causadas pelo coronavírus.

Os números da pandemia ajudam a inflar as estatísticas e fazem do acumulado de óbitos de janeiro a outubro de 2020 o pior desde 2015. Foram, até o mês passado, 23.924 mortes no Espírito Santo. Para efeito de comparação, de 2015 a 2019, o maior número de óbitos registrados havia sido no ano passado, com 20.981 registros.

O acumulado de janeiro a setembro já havia batido recordes. Do mês passado para esse, porém, o número de mortes caiu. Em setembro, foram 2.374 óbitos no Espírito Santo. Já em outubro, a quantidade de registros foi de 2.191, o menor número desde abril, quando houve a primeira morte desde o início da pandemia, em fevereiro. 

Já com os dados  do Painel Covid-19, do governo do Estado,  é possível estabelecer um perfil médio dos óbitos causados pela doença.

É preciso, no entanto, analisar com calma os dados. As porcentagens de quem não tem nenhuma comorbidade, por exemplo, são relevantes. Esta parcela dos óbitos por Covid representa 29% do total, ou seja, 1.192 pessoas que não tinham nenhum fator de risco preexistente.

Pablo Lira, diretor de Integração do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), aponta que as características do perfil médio do óbito por coronavírus no Espírito Santo são comuns não só ao Estado, mas ao mundo todo. “As áreas urbanas concentram a maior parte das infecções e das mortes pela característica da vida na cidade. Densidade demográfica, maior número de pessoas num mesmo domicílio, ritmo de vida acelerado”, explica.

O estilo de vida nas grandes cidades pode afetar, ainda, o sistema imunológico e outras áreas da saúde do cidadão. Pablo Lira afirma que, esses fatores, em conjunto, podem fazer com que o coronavírus seja mais letal em quem vive nos meios urbanos, como mostram os dados.

No Espírito Santo, os números absolutos de mortes causadas pelo coronavírus se concentram nas grandes cidades. Vila Velha está em primeiro lugar, com 565 óbitos, seguida por Serra (564),  Cariacica (508) e Vitória (480). O ranking segue com municípios do interior do Estado.

Pablo Lira esclarece que, mesmo não estando perto da Grande Vitória, alguns municípios são polos de suas regiões. “Vemos o fenômeno se repetir no interior porque algumas cidades concentram esse estilo de vida urbano, o mesmo que acontece na Capital. Um adensamento de pessoas que aumenta o número das infecções e óbitos”, detalha Pablo.

Assim, Cachoeiro de Itapemirim aparece em quinto no ranking de números absolutos de óbitos causados pelo coronavírus no Espírito Santo. O município do Sul do Estado registrou 195 mortes até esta terça-feira, seguido por Linhares (143) e Colatina (141).

Embora a Covid-19 esteja em evidência devido à pandemia, outras doenças também continuam provocando muitas mortes no Estado. Para efeito de comparação, neste ano, 3.388 morreram no Espírito Santo em decorrência da pneumonia, o que equivalente a cerca de 14% dos óbitos de 2020. Outras 2.175 (9%), depois de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e 1.799 pessoas morreram após infartos (7%).

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Rafael Carelli é aluno do 23° Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob supervisão da editora Joyce Meriguetti e de Aline Nunes.

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