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Conectada à fé, nova geração mantém viva a devoção à padroeira do ES

Jovens engajados trazem renovo aos trabalhados nas comunidades católicas e contam sobre as experiências marcantes na Festa da Penha

Publicado em 10/04/2021 às 07h00
Atualizado em 10/04/2021 às 07h01
Simone Venturim Bernardino (agachada, ao centro), componente da comissão da Romaria dos Adolescentes, na edição de 2019 da caminhada.
Simone Venturim Bernardino (agachada, ao centro), componente da comissão da Romaria dos Adolescentes, na edição de 2019 da caminhada. Crédito: Arquivo Pessoal

A consagração ainda no ventre da mãe, a experiência intensa no seio da Igreja, a graça alcançada, a vontade de seguir o sacerdócio. Com essas e outras vivências, a juventude católica marca seu espaço trazendo renovo e fôlego para a Festa da Penha, que este ano, pela segunda edição consecutiva, será realizada de modo virtual e interativo, de 4 a 12 de abril.

Seja em que formato for, on-line ou presencial, Antonio Daniel de Moura Carvalho, 24 anos, mantém vivos o amor ao evento religioso e a relação estreita com a fé, uma história que vem de berço. “Ainda bebê, fui apresentado no Convento. Por influência da minha madrinha, sempre participei do Oitavário. Com 14 anos, comecei a ajudar na festa, fazendo a coleta, e já frequentei romarias. Sempre que preciso de alguma graça eu recorro a Nossa Senhora. Ela tem me ajudado em todos os momentos da vida”, conta ele.

Congregando na Comunidade Sagrado Coração de Jesus, da Paróquia Santíssima Trindade (Aribiri, Vila Velha), o fiel atua em várias equipes da Igreja, entre elas a do Encontro de Jovens com Cristo (EJC), cujo objetivo é a evangelização de pessoas de 17 a 30 anos. “Esse é atualmente um dos principais movimentos jovens nas igrejas cristãs no Brasil. Para os jovens afastados da comunhão, mesmo que tenham nascido em lares católicos, minha palavra é: espelhem-se na parábola do filho pródigo e retornem. Deus é um Pai amoroso que sempre está de braços abertos para receber a todos que O procurarem de coração”, ressalta.

Antonio Daniel, de 24 anos, é fiel atuante. Participa da Festa da Penha com a mãe e se prepara para entrar no seminário.
Antonio Daniel, de 24 anos, é fiel atuante. Participa da Festa da Penha com a mãe e se prepara para entrar no seminário. Crédito: Arquivo Pessoal

O próximo passo dessa caminhada na vida de Antonio é também o mais significativo e definitivo. “Sou propedeuta na casa de formação Bom Pastor. Vamos ver se Nossa Senhora me concede a graça de me tornar um seminarista.”

"NASCI DE UM MILAGRE"

Maria Victória Amaral Santana, 20, estudante de Fisioterapia, também preserva os valores que cultivou em família, apesar dos empecilhos e perdas que foram surgindo ao longo dos tempos. “Nasci através de um milagre, de muita oração e novena. Minha mãe teve três abortos espontâneos antes de engravidar de mim. Minha família sempre foi católica, mas com o tempo acabei me afastando. A partir dos 11 anos, senti uma vontade muito forte no meu coração de retornar. Aos 12, meu avô (que era como um pai para mim) faleceu e, a partir da missa de sétimo dia, voltei para a Igreja. Comecei a participar ativamente e me tornei coroinha”, detalha ela, integrante da coordenação do Grupo de Adolescentes da Paróquia São Pedro (Jacaraípe) e do núcleo de coordenação do Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC).

A jovem relata que tem uma “relação incrível com Deus”: “E meu vínculo com Maria não dá nem para explicar. Ela nunca me deixou, tenho várias e várias histórias que ela se fez presente! A Festa da Penha tem grande importância na minha vida!”

No fim de 2016, complementa, os problemas de saúde por vezes impediam-na de andar, a ponto de chorar de dor. “Na Romaria dos Homens de 2017, não consegui andar quase nada. Segui sobre um trio elétrico! Não foi um caminho fácil, teve horas que meus amigos me carregaram no colo. Mas, ao descer a Segunda Ponte, vendo Maria ali pertinho de mim, eu não contive a emoção. Prometi que quando eu me curasse eu andaria todo o percurso sozinha, sem apoio de automóveis. E em 2019 eu consegui! Em 2020, eu e minha família acompanhamos as missas e a romaria pela internet! Todos juntinhos.”

Maria Victória, de 20 anos, em Aparecida e na Festa da Penha, em Vila Velha, com a família. Ela conta que está sempre conectada com o evento, seja presencial, seja on-line.
Maria Victória, de 20 anos, em Aparecida e na Festa da Penha, em Vila Velha, com a família. Ela conta que está sempre conectada com o evento, seja presencial, seja on-line. . Crédito: Arquivo Pessoal

CONEXÃO À FÉ EM TEMPOS DE PANDEMIA

Enquanto os encontros presenciais não podem acontecer em virtude da pandemia, grupos de jovens realizam reuniões virtuais semanais com temas litúrgicos, leitura bíblica e reflexão. É a maneira que buscam para manter “on” a devoção. Catequista, coordenadora de Vila Velha do Grupo Perseverança e componente da comissão da Romaria dos Adolescentes, Simone Venturim Bernardino fala sobre esses novos desafios.

“Cada paróquia tem a sua realidade. Há algumas comunidades, mais carentes, onde adolescentes não têm tantas tecnologias. Na nossa, a Paróquia São João Paulo II, da Praia de Itaparica, conseguimos fazer esses encontros nas plataformas, desde abril do ano passado. A Romaria dos Adolescentes é supernova, foi feita em duas edições da Festa da Penha. Esperamos no ano que vem, em segurança, voltarmos com a programação”, diz Simone, que é doutoranda em Física e professora na mesma disciplina.

PADROEIRA PROTETORA

Romeira também é Karynna Ribeiro Barroso, 23, que preserva o laço com Nossa Senhora da Penha desde que se entende por gente. “Sempre que posso eu tento visitar o Convento, seja com grupo de jovens, seja com passeio da igreja como a festividade de devoção a ela. Sou capixaba, a padroeira está sempre comigo”, garante a estudante do terceiro período do curso de Pedagogia, que congrega na comunidade Sagrado Coração de Jesus, da Paróquia São Pedro (Jacaraípe).

Karynna Ribeiro durante romaria e em visita ao santuário. Segundo a jovem, ela preserva o laço com Nossa Senhora da Penha desde que se entende por gente.
Karynna Ribeiro durante romaria e em visita ao santuário. Segundo a jovem, ela preserva o laço com Nossa Senhora da Penha desde que se entende por gente. Crédito: Arquivo Pessoal

A universitária lembra que estar nos bancos da Igreja é uma recordação já de infância. A catequese foi o primeiro degrau, mas outros ainda mais altos vieram. “Apeguei-me mesmo foi quando fiz o crisma, pois além de aprender eu pratiquei. Foi quando entrei na catequese, comecei a aprender mais sobre a Igreja e todas as coisas que a compõem. Há muito o que aprender ainda. Depois que entrei no canto, foi onde em cada missa aprendi a vivenciar e a servir com amor”, finaliza.

Fique por dentro de todas as informações da Festa da Penha 2021. Acompanhe a página especial do evento em A Gazeta: agazeta.com.br/festadapenha.

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