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Como está o único motociclista que sobreviveu ao ser projetado para fora da 3ª Ponte

Como está o único motociclista que sobreviveu ao ser projetado para fora da 3ª Ponte

Um ano e dois meses depois do acidente Paulo César Santana de Oliveira já não trabalha como motoboy, mas ainda convive com dores constantes na perna

Mikaella Mozer

Repórter / [email protected]

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 17:49

 - Atualizado há 2 horas

Paulo César Santana de Oliveira, de 22 anos,
Paulo César Santana de Oliveira, de 22 anos, sobreviveu após ser lançado para fora da Terceira Ponte Crédito: Acervo pessoal | Yago Araújo

Aos 22 anos, a vida de Paulo César Santana de Oliveira mudou bruscamente. No dia 28 de dezembro de 2024, o jovem acabou projetado para fora da Terceira Ponte após colisão com um carro, tendo lesões por todo o corpo. A situação o tornou o segundo motociclista a ser arremessado da via e o único a sobreviver a um acidente do tipo. À época, o jovem trabalhava como motoboy, mas os impactos da colisão levaram a uma mudança de rota.

A decisão foi amadurecida durante os três meses em que o jovem ficou sem trabalhar, dois para tratamento dos machucados e mais um do conserto da moto. O abalo mental e a percepção da vulnerabilidade de trabalhar pilotando em meio aos demais veículos foram avaliadas durante este período e o fizeram escolher um novo caminho profissional: o setor de logística.

Antes percorrendo a Grande Vitória como motoboy autônomo, Paulo César agora passa os dias dentro de um galpão. O serviço, segundo ele, traz mais segurança não só física, mas financeira. Moto agora apenas em trajetos curtos, como a ida e volta do local de trabalho.

Andar, principalmente de moto, às vezes é, mesmo você tendo responsabilidade no trânsito, encontrar uma pessoa que não tem a mesma responsabilidade e acaba fazendo com que você sofra um acidente

Paulo César Santana de Oliveira

Profissional de logística 

“Eu decidi sair um pouco desse ramo devido às possibilidades de acidente também. Agora eu fico em um lugar com menos risco de acontecer um acidente. Voltaria (a ser motoboy) caso houvesse uma necessidade grande. Quando acontece esse tipo de coisa, um acidente fatal ou não, o motoboy fica por ele mesmo. ”, destacou Paulo. 

Rescaldos

As alterações na vida não ficam somente nas escolhas profissionais. Elas também estão no corpo de Paulo. Apesar de não precisar mais de remédios e fisioterapia, ele permanece com dores. “De vez em quando, o meu pé, ele meio que dá um choque. Aí do joelho para baixo começa a doer e tipo assim, eu tenho que dar uma paradinha, caso contrário não aguento de dor”

Três casos

A decisão de não ter um serviço atrelado ao uso da motocicleta foi reforçada por Paulo na tarde de terça-feira (4). Ele viu a mesma dinâmica que o fez "parar" a vida por 90 dias aconteceu com um homem de 60 anos. O contador José Antônio Dallapicola Tardin seguia pela Linha Verde quando, segundo a Polícia Militar, um veículo saiu da faixa da direita para a esquerda.

Um acidente envolvendo carro e moto terminou em morte na Terceira Ponte, na manhã desta quarta-feira (4).

O condutor não teria visto o motociclista, o atingindo, levando ele a "voar" e cair na Ciclovia da Via, na parte inferior da Terceira Ponte. Além dos dois, seis meses antes do acidente de Paulo, Glênio Alves também bateu em um carro que entrou na Linha Verde e caiu fora da ponte. 

"É muito triste porque muita das vezes a pessoa está correndo atrás do seu ganho ganha-pão e por imprudência de outra pessoa, ela acaba perdendo a vida, causando uma tristeza grande na família. É muito triste isso", frisou Paulo. 

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