Repórter / [email protected]
Publicado em 30 de maio de 2023 às 17:01
- Atualizado há 3 anos
Com cerca de 20% da duplicação prevista para a BR 101 no Espírito Santo concluída, a Eco101 pleiteia uma indenização de aproximadamente R$ 950 milhões após a devolução do contrato de concessão em julho do ano passado. Parte do valor, R$ 600 milhões, seriam de investimentos diretos, e outros R$ 350 milhões de empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A empresa não confirma as dívidas e diz que investiu, até dezembro do ano passado, R$ 2,8 bilhões na modernização, melhoria e ampliação da rodovia.>
A informação sobre as dívidas é do deputado estadual Josias da Vitória, o Da Vitória (PP), em entrevista para a jornalista Fernanda Queiroz, da CBN Vitória, nesta segunda-feira (29). “Essas obras já deveriam estar muito mais avançadas, mas só foram feitas somente 20% do que está previsto no contrato. Para nós é inadmissível ter uma empresa que atua por tantos anos e ainda, na sua saída, quer que seja devolva a ela devolvido praticamente um bilhão de reais”. >
O parlamentar faz ainda outras críticas, destacando que a rodovia federal é a principal obra de infraestrutura do Estado. “É uma modelagem de contrato muito ruim. O Espírito Santo tem sofrido por conta dessa dificuldade da execução da obra, com os prazos estão no contrato e que não são cumpridos, o que deixa o cidadão capixaba com muita dúvida”, diz.>
Acrescenta que no mesmo tempo de contrato houve arrecadação com pedágios. “Estou buscando atualizar, mas são mais de R$ 1,5 bilhão arrecadado em pedágio. Nada justifica que possa estar há 10 anos um contrato e não cumprir aquilo que está pactuado. Essa obra já é um pesadelo para os capixabas, e ela (concessionária) sempre buscando fazer recursos administrativos e recursos judiciais para que as obras não avancem, de acordo com que ela mesmo pactuou no contrato”, disse.>
>
De acordo com Da Vitória, existem muitas dúvidas sobre os números que envolvem a Eco101 e a concessão da rodovia. “Temos uma dúvida muito grande, que é não só dos capixabas, mas também dos próprios parlamentares, em relação ao que foi arrecadado e a entrega do cronograma das obras”, assinala.>
Outro ponto, segundo o parlamentar, foi a desistência do governo do Estado em tocar a obra da rodovia. “Não é interessante para o Estado aportar um dinheiro desse montante, já gastando quase R$ 1 bilhão com indenização, nem começando fazer a obra”.>
Afirmou ainda ser contrário a flexibilizações no contrato para a empresa. “Todo mundo que passa pela BR 101 paga pedágio e há 10 anos não existe flexibilização. E agora a empresa quer, pelo lado dela, que o contrato seja flexibilizado, sem concluir a obra e ainda tem indenização”, pondera.>
Coordenador da bancada federal do Estado, Da Vitória informou que está tentando resgatar a Comissão Especial de Fiscalização do Contrato da BR 101, da Câmara dos Deputados, que encontra-se desativada. Em paralelo busca junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) soluções para o impasse com a Eco101. "Queremos que esclareçam estes pontos".>
Em julho do ano passado, a Eco101 comunicou a devolução da concessão em pedido de devolução amigável protocolado junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). >
O Grupo EcoRodovias, controlador da Eco101, também informou aos acionistas, na ocasião, e ao mercado, por intermédio de um fato relevante, que pediu a extinção do contrato e ainda a celebração de um termo aditivo com novas condições contratuais até que seja feita uma nova licitação. >
Em nota, na ocasião, a Eco101 informou os motivos que levaram à desistência da concessão. "A complexidade do contrato, marcado por fatores como dificuldades para obtenção do licenciamento ambiental e financiamentos; demora nos processos de desapropriações e desocupações; decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de alterar o contrato de concessão; não pedagiamento da BR 116; não conclusão do Contorno do Mestre Álvaro e o agravamento do cenário econômico, tornaram a continuidade do contrato inviável", disse. >
Diz ainda que “todos os serviços continuarão a ser prestados normalmente, de forma a preservar o interesse e a segurança dos usuários da rodovia”.>
A relicitação ou “devolução amigável” está prevista na Lei 13.448, de junho de 2017. A legislação estabelece as condições para que o processo possa acontecer, incluindo a realização de estudo técnico para viabilizar o processo. >
A mesma legislação também trata de possíveis indenizações devidas ao contratado, por investimentos em bens reversíveis vinculados ao contrato de parceria realizados e não amortizados ou depreciados ao longo dos anos.>
O Ministério dos Transportes criou um grupo para avaliar a situação dos contratos de concessões da chamada terceira etapa, todos em fase de devolução. A negociação envolve, além da Eco101, que administra a BR 101 ES/BA; a ViaBahia (com a BR-116/324/BA e BA-526/528); a MSVia (com a BR-163/MS - com início na divisa com Mato Grosso e término na divisa com o Paraná); e a Arteris Fluminense (com a BR 101/RJ, da divisa Rio-Espírito Santo até a ponte Presidente Costa e Silva).>
Em seu site, o Ministério do Transportes informa que a orientação da Presidência da República, por meio da Casa Civil, é trazer os contratos inadimplentes para a regularidade, permitindo a retomada de investimentos que hoje estão parados.>
“É prioridade para o Ministério dos Transportes solucionar esses contratos de uma forma que atenda, acima de tudo, ao interesse da sociedade brasileira”, afirmou o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, que assina as portarias de criação dos grupos de trabalho.>
O texto das portarias estabelece que para que as sugestões sejam apresentadas, serão levados em conta cinco itens. São eles: defesa do interesse público, com comprovada vantajosidade; viabilidade técnica e jurídica; execução imediata dos investimentos previstos contratualmente, atualmente paralisados em decorrência de ação judicial ordinária; tarifas módicas; e redução de acidentes e melhoria da fluidez da rodovia.>
Ao fim de 30 dias, vão ser apresentados relatórios assinalando possíveis cenários para a realização de acordos consensuais com as concessionárias. Os documentos produzidos serão protocolados para análise da Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (SecexConsenso) do Tribunal de Contas da União (TCU).>
Sobre a possível dívida da concessionária Eco101, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou, por nota, que “os valores ainda serão objeto de levantamento conforme previsto na Resolução ANTT nº 5.926/2021”. >
E sobre o processo de devolução do contrato, informou que “irá se manifestar quanto à qualificação ou não da Eco101 em processo de relicitação”.>
Por nota, a concessionária informa que, desde que assumiu a concessão em 2013, e que até dezembro de 2022 investiu R$2,8 bilhões na modernização, melhoria e ampliação da BR 101/ES/BA, incluindo também os serviços operacionais, que somaram mais de 1,4 milhão de atendimentos. “O valor arrecadado no mesmo período foi R$ 1,6 bilhão”.>
O texto acrescenta que o processo de relicitação segue em andamento, conforme o rito da Lei 13.448/2017, e que está aguardando nesta fase a sanção presidencial. “Todos os serviços operacionais e obras em andamento estão mantidos – incluindo a construção de dois viadutos em Cariacica e sete quilômetros de duplicação entre Guarapari e Anchieta, sendo 15 quilômetros já entregues neste segmento”. >
A empresa ressalta ainda que, “sem prejuízos ao processo em curso, se mantém aberta ao diálogo com o governo e demais entes públicos. Com relação a possíveis indenizações, a concessionária ressalta que é uma previsão que está na lei. Informa, ainda, que os cálculos são realizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).”>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta