Publicado em 2 de abril de 2023 às 14:40
Em um vídeo publicado neste sábado (1º) nas redes sociais, a Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim), por meio do advogado James Walker, presidente da entidade, sugeriu que a defesa do pastor Georgeval Alves Gonçalves, acusado de torturar, violentar e matar o enteado Kauã e o filho Joaquim em 2018, abandone o júri devido a ameaças no primeiro minuto, sem medo de represálias e multas. Segundo ele, os advogados sofreram ameaça de agressão e morte. O crime ocorreu em Linhares, no Norte do Espírito Santo.>
Em contato com a reportagem de A Gazeta, Walker afirmou que cabe aos advogados seguirem ou não a recomendação. Segundo ele, o debate está destinado às condições do exercício da profissão. >
“As recomendações foram feitas a título de ‘sugestão’ como está dito no vídeo, cabendo exclusivamente aos colegas seguir ou não. É importante registrar que a Anacrim não está discutindo condenação ou absolvição, mas, tão somente, o direito dos colegas de atuarem em condições do exercício profissional, sem ameaças de morte, sem a pressão excessiva e angustiante de uma agressão. O que está em jogo é o respeito à advocacia e a defesa do livre exercício profissional”, respondeu o presidente da Anacrim.>
No vídeo, Walker fala sobre o teor das mensagens aos profissionais que fazem a defesa de Gerogeval no caso. “Elas falam ‘nós vamos matar os advogados’, ‘temos que linchar os advogados’, ‘os advogados são tão bandidos quanto os réus’, ‘se o réu for absolvido, temos que prender todo mundo, inclusive os advogados’, coisas dessa natureza”, comentou o presidente da Anacrim na gravação. >
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Em entrevista na última sexta-feira (31), o advogado Pedro Henrique Souza Ramos, que atua na defesa do acusado, disse que os advogados da banca de defesa e o próprio Georgeval receberam uma série de ameaças às vésperas do Tribunal do Júri. No entanto, ele não especificou as intimidações. >
Souza Ramos alegou, na ocasião, não ter "garantia da nossa segurança para exercer a advocacia". "Esses ataques são não apenas ao direito de defesa, mas também à cidadania, direitos tão caros construídos e conquistados a duras penas pela nossa jovem democracia", falou o advogado.>
Advogados de acusação, Síderson Vitorino e Lharyssa Almeida comentaram sobre o vídeo em uma nota, afirmando “que já estão prontos, juntamente com sua equipe, para percorrer todo o caminho até a condenação de Georgeval. E que a suspensão dos trabalhos do júri só prolonga um sofrimento que precisa chegar a um desfecho”, relataram.>
Na última sexta-feira (31), Souza Ramos pediu a suspensão do julgamento e a decretação de segredo de justiça sob o argumento de risco à segurança, porém foi negado pelo juiz Tiago Favaro Camata. >
Segundo a decisão do magistrado, a defesa atualmente constituída peticionou várias vezes nos autos e nunca arguiu qualquer questão relativa ao suposto risco à segurança dos advogados e do acusado, nem à imparcialidade do julgamento. >
"Ora, não é crível que somente no primeiro dia útil que antecede ao julgamento, a defesa tenha vislumbrado o tal risco à segurança e à imparcialidade dos jurados, vindo a requerer a suspensão do julgamento faltando 3min para o encerramento do expediente", ressaltou o juiz.>
A reportagem apurou, neste domingo (2), que a defesa de Georgeval estaria tentando, neste fim de semana, junto ao plantão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), adiar o julgamento. A Gazeta tentou contato com o órgão judiciário e com os advogados com réu para confirmar e ter mais detalhes, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.>
A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Espírito Santo, também foi procurada e questionada sobre o que pode ocorrer caso a defesa abandone o júri no dia do julgamento e o posicionamento do órgão a respeito do assunto, mas a OAB-ES ainda não retornou.>
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