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Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 17:59
Histórico parceiro comercial e destino de grande parte do café produzido no Espírito Santo, os Estados Unidos têm visto a entrada desses grãos capixabas diminuir, principalmente após o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump aos produtos brasileiros. >
O México fechou 2025 como principal destino dos cafés capixabas, com 13,4% dos envios. Na sequência, aparece a Bélgica, com 9,5%, e a Turquia, com 7,56%. Os Estados Unidos aparecem só na quarta colocação, com 7,29%. A participação norte-americana chegou a ser de 12%, em 2023, quando liderava o recebimento de café capixaba.>
A sobretaxa, que chegou a 50%, vigorou de agosto a novembro, quando o país norte-americano decidiu retirar 40% das tarifas sobre o café e outros produtos do agronegócio brasileiro. Mas, mesmo assim, o café solúvel continua taxado. Só no ano passado, 46% dos envios em volume aos Estados Unidos foram desse tipo. >
As informações são de relatório do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). Em geral, no ano passado, segundo o centro, o Espírito Santo exportou 276 mil sacas de café em dezembro de 2025, o que representou uma receita de US$ 83 milhões. No acumulado do ano, as exportações de café pelo Estado totalizaram 4,3 milhões de sacas, sendo 3,2 milhões de café conilon, 675 mil de arábica e 425 mil de café solúvel. O volume exportado resultou em uma receita cambial de US$ 1,2 bilhão.>
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Na análise por tipo de produto, a Turquia destacou-se como principal destino do café arábica, absorvendo 45% do volume exportado dessa variedade. Já o México liderou as importações do conilon, com 17% de participação. No segmento solúvel, os maiores compradores foram a Indonésia (39%) e os Estados Unidos (34%).>
O volume total exportado em 2025 apresentou uma redução de 49% em relação a 2024 e de 18% na comparação com 2023. "A retração é explicada, principalmente, pela menor competitividade do café conilon capixaba em termos de preços, quando comparado a outras origens internacionais; pelas restrições logísticas para o escoamento do café arábica; e, ainda, pelos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos à importação de café brasileiro, que afetaram sobretudo as exportações de café solúvel produzido no Espírito Santo", informa o documento do CCCV.
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Os EUA, segundo o CCCV, sempre foram parceiros comerciais importantes para o Espírito Santo. Segundo a entidade, em dez anos, somente em 2022 o país norte-americano não esteve entre os três principais compradores do café capixaba, quando ocupou a quinta colocação.>
Já dados disponibilizados pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que em 2025 a Turquia foi o principal destino, representando 10,01% das exportações, na frente do México, com 9,4%, e dos Estados Unidos, com 8,4%.>
O secretário de Agricultura do Espírito Santo, Enio Bergoli, lembra que, mesmo com a perda do protagonismo dos Estados Unidos, o Estado conseguiu diversificar sua base, com produtos do agro capixaba em geral alcançando 133 países em 2025, contra 125 no ano anterior. >
Ele aponta que dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento (MDIC) mostram que a queda no volume de divisas dos EUA do café — de cerca de 24% para 20% em 2025 — foi acompanhada pela ascensão de novos mercados.>
Sobre o crescimento do México, que se consolidou como um destino fundamental para o conilon capixaba, Bergoli enfatiza que a alta das vendas para os mexicanos não foi uma consequência direta do tarifaço norte-americano, mas sim uma tendência que já era forte em 2024. >
“O país possui uma indústria de café solúvel potente e enfrentou uma redução na oferta interna, passando a comprar o grão do Espírito Santo para garantir o abastecimento de suas fábricas”, explica.>
Apesar do impacto das tarifas no período em que vigoraram, Bergoli observa que o café solúvel ainda enfrenta desafios maiores que o grão cru, já que os EUA representam entre 35% e 40% do destino do solúvel capixaba. >
No entanto, mesmo com uma queda de 8,7% no volume enviado aos americanos, o valor em divisas cresceu 20,4% devido aos preços favoráveis no mercado internacional em 2025.>
Ele lembra ainda que o ano de 2024 foi marcado por recordes em volume de café exportado, com destaque para destinos da Europa, como a Bélgica. Uma das razões para isso foi uma antecipação dos compradores na expectativa do início da vigência de uma lei que proíbe importação de produtos provenientes de área desmatada, que acabou sendo prorrogada.>
Em relação ao Brasil, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos cafés brasileiros, apesar da queda de 24,2% na comparação com as aquisições realizadas em 2022. Os norte-americanos importaram 6,067 milhões de sacas, montante que representou 15,5% dos embarques totais, segundo informações do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).>
Em geral, em 2025, o Brasil teve queda no volume do café exportado, mas receita recorde com os envios. Segundo o Cecafé, o país embarcou 40 milhões de sacas no ano passado, queda de 21% ante 2024, mas obteve ingresso histórico de US$ 15,6 bilhões, alta de 24% no valor.>
Segundo a entidade, o recuo no volume era esperado após recorde em 2024 e menor disponibilidade de café no ano passado. O Cecafé afirma ainda que o tarifaço dos EUA potencializou a queda, o que fez os norte-americanos perderem a liderança no ranking de principais destinos dos cafés do Brasil em 2025.>
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