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Maior retração percentual

ES deve ser Estado mais atingido por tarifaço de Trump, aponta estudo

Estudo feito pela UFMG  aponta que o Espírito Santo é o Estado com maior impacto proporcional no PIB, com redução 0,45 ponto percentual em dois anos, o que equivale a R$ 1,087 bilhão

Publicado em 12 de Agosto de 2025 às 11:54

Leticia Orlandi

Publicado em 

12 ago 2025 às 11:54
O Espírito Santo deve ser, proporcionalmente, o Estado mais impactado pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump aos produtos brasileiros.
Um estudo feito por economistas do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — e que já contabiliza a lista de quase 700 exceções —, aponta que o Estado deve ter um impacto de 0,45 ponto percentual sobre o PIB em um período de dois anos.   
A queda proporcional na economia do Espírito Santo é o maior do país, segundo o estudo, ficando na frente de Santa Catarina, que deve recuar -0,28%, e o Pará, com -0,33%. Em números absolutos, a retração na economia capixaba equivale a R$ 1,087 bilhão ao longo de dois anos. 
ES deve ser Estado mais atingido por tarifaço de Trump, aponta estudo
A projeção feita pelos economistas considera um cenário em que nada muda: as tarifas que começaram a valer no útlimo dia 6 permanecem como estão por dois anos, sem novos acordos ou exceções adicionais.
O estudo divulgado na última semana atualiza o que foi feito no mês passado e que já considerava todos os produtos com a cobrança dos 40% adicionais. Na primeira avaliação, os economistas da UFMG colocavam o Espírito Santo como o sétimo mais impactado, considerando o percentual do PIB, e o 11° em número absoluto.
O economista Eduardo Araújo explicou que o levantamento usou um modelo econômico que simula o funcionamento da economia brasileira e global para estimar os efeitos das tarifas em vigor desde o início do mês. 
Sobre o impacto no Espírito Santo, ele explica que o peso vem da alta concentração da pauta exportadora em produtos diretamente atingidos. As rochas ornamentais — responsáveis por cerca de 10% das exportações do Estado e com 65,9% das vendas para o mercado americano — tiveram apenas alguns tipos de quartzito incluídos nas exceções, com tarifa menor. A maior parte da pauta de mármore e granito ficou fora da lista e segue com tarifa elevada, o que pressiona preços e margens, lembra o economista.
Araújo detalha ainda a situação de outros setores importantes para o Estado. A siderurgia, outro pilar industrial do Estado, já enfrentava sobretaxa de 50% e continua sob esse custo, mantendo a perda de competitividade.
No agronegócio, o café conilon e o café solúvel — nos quais o ES é líder nacional e que têm forte presença nos EUA — ficaram fora das exceções e continuam sob tarifas altas, encarecendo o acesso ao mercado. Já na celulose e na mineração/petróleo, as tarifas foram reduzidas para 10%, o que ele considerou um alívio, mas insuficiente para neutralizar o impacto, dada a relevância dos EUA como destino.
Contêineres
Contêineres no pátio do Porto TVV em Via Velha Crédito: Carlos Alberto Silva
O economista aponta ainda que estudo da universidade mineira mediu o “efeito líquido”: parte das perdas diretas poderia ser compensada por ganhos gerados pelas tarifas americanas contra outros países e pela retaliação da China, que abre espaço para exportadores brasileiros. "No caso capixaba, porém, esse 'colchão' foi pequeno — o redirecionamento de vendas para outros mercados ajudou pouco. Resultado: mantemos o topo do ranking proporcional de perdas", ressalta.
"Na prática, tarifas mais altas significam vender menos. E vender menos lá fora reduz receita, leva empresas a adiar investimentos e contratar menos, com efeito em cadeia sobre fornecedores, logística, serviços e, no fim, a renda das famílias. A UFMG estima que, no efeito total, o país pode perder 57 mil postos de trabalho; no choque direto EUA–Brasil, seriam 188 mil. No Espírito Santo, onde o comércio exterior tem peso muito maior que a média nacional, a vulnerabilidade é ainda maior", aponta Araújo.
Para o economista Raphael Oliveira, as estimativas feitas por este segundo estudo estão mais correspondente com a realidade, já que, ao avaliar o primeiro, já tinha considerado subestimado o cálculo de retração de 0,25% do PIB e não colocava o Estado entre os mais impactados. 
Outra consideração feita por ele é o fato de o estudo não considerar variáveis como busca por novos mercados e especificidades dos produtos que permitem manter o fluxo de exportação, que é o caso do café.
"O mais importante para o Estado é o impacto sobre pequenas culturas como pimenta-do-reino, gengibre, mamão, macadâmia. Pequenos produtores, normalmente aglomerados e com forte destinação para os EUA. Nesse caso, salvo engano, é importante as linhas de crédito em nível federal e estadual", pondera.
Ele exemplifica o peso em algumas culturas. No caso do gengibre, neste ano, os Estados Unidos foram o principal destino do produto capixaba (58,01%). Mesma situação da macadâmia, que também tem, no país norte-americano, o principal comprador (54,04%). 

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