"São duas as questões que fazem com que a pancada em cima do solúvel seja pior do que na média do complexo cafeeiro. Primeiro porque se trata de um produto acabado, com valor agregado, portanto, a tarifa de 50% tem um impacto financeiro maior. Além disso, caso percamos o cliente norte-americano, que é o maior comprador, é muito mais difícil arrumar um substituto do que no café verde, que é uma commodity. O solúvel é um produto feito pensando no cliente, o público dos Estados Unidos é diferente do da Europa, não se troca isso de uma hora para outra. Por fim, a oferta e a demanda por café solúvel estão ajustadas, mexer nisso é complexo, ainda mais pagando as tarifas mais altas", explicou Márcio Cândido Ferreira, superintendente na Tristão Comércio Exterior e presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Além de uma renegociação com os EUA, que Cândido vê com otimismo, ele afirma que o Brasil precisa negociar as tarifas cobradas por outros países. "Acho que as coisas estão caminhando junto aos Estados Unidos, vejo com otimismo, mas não para por aí. A China cobra 12% em cima do nosso solúvel, a Indonésia cobra 20%, a Tailândia 49% e a Europa 9%. Todos esses cobram zero do Vietnã, que é nosso grande concorrente. Precisamos negociar, sob pena de ficar mais barato enviar o conilon para o Vietnã, industrializar lá e vender para o resto do mundo. Está fora da razoabilidade".
Por tudo isso, o assunto é para lá relevante para a agroindústria capixaba. As gigantes do setor já consomem boa parte do conilon produzido pelo Espírito Santo (70% da produção brasileira está aqui). Elas resolveram se instalar no Estado por duas questões fundamentais: proximidade com as lavouras de conilon e complexo portuário em expansão. O tarifaço pode colocar um freio nos bilionários planos de crescimento do setor.