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Tarifaço de Trump deve tirar ao menos R$ 605 milhões do PIB do ES em um ano, diz estudo

Tarifaço de Trump deve tirar ao menos R$ 605 milhões do PIB do ES em um ano, diz estudo

Estudo realizado pela UFMG aponta que a retração na economia capixaba equivale a 0,25% no período, a sétima maior retração do país

Publicado em 21 de julho de 2025 às 12:09

Exportação, navio, porto
O Espírito Santo tem nos Estados Unidos o principal parceiro e destino das exportações Crédito: Shutterstock

O anúncio do presidente Donald Trump de impor, a partir de 1° de agosto, tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos pode fazer o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo recuar 0,25% no primeiro ano de  vigência das tarifas.

A estimativa está em um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que aponta que a retração na economia capixaba equivale a R$ 605 milhões no período, entre as mais elevadas do país. Considerando o percentual do PIB, o Estado é o sétimo mais impactado e, em número absoluto, o 11°.

O documento do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada do Cedeplar (Nemea) da UFMG aponta ainda que o tarifaço pode reduzir em 0,16% o PIB do Brasil e da China, além de provocar uma queda de 0,12% na economia global e uma retração de 2,1% no comércio mundial, o equivalente a US$ 483 bilhões.

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Tarifaço de Trump deve tirar ao menos R$ 605 milhões do PIB do ES em um ano, diz estudo

No Brasil, o emprego pode ser afetado negativamente com diminuição de 0,21%, equivalente a cerca de 110 mil postos de trabalho.

O grupo de pesquisa utilizou modelos de Equilíbrio Geral Computável (EGC) para analisar os desenvolvimentos recentes de tarifas comerciais e estimar os impactos no Brasil, nos estados e na economia mundial.

Para o economista Raphael Oliveira, o impacto no PIB pode ser ainda maior. Ele considera que o valor de R$ 605 milhões está subestimado porque o Espírito Santo é o Estado com maior abertura comercial e também tem nos Estados Unidos o principal parceiro e destino das exportações.

Oliveira acrescenta ainda que mercadorias dentro do grupo "Produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço", "Cal, cimento e materiais de construção fabricada (exceto materiais de vidro e barro)", onde se incluem as rochas ornamentais e a celulose, são cerca de 70% da balança capixaba de exportação para os EUA.

Já o economista Eduardo Araújo pontua que o impacto projetado de R$ 605 milhões no PIB capixaba chama a atenção não apenas pelo valor absoluto, mas pelo peso que o comércio exterior tem na economia capixaba.

Ao contrário de Estados com economias mais voltadas para o mercado interno, o Espírito Santo depende fortemente das exportações — e, no nosso caso, os Estados Unidos são destino de cerca de um terço de tudo o que é vendido daqui para o exterior.

Segundo ele, isso ajuda a explicar por que o Estado aparece em 7º lugar entre os mais afetados proporcionalmente, mesmo não estando entre os maiores exportadores do Brasil em termos de volume.

“Nossa pauta exportadora inclui setores com alta exposição ao mercado americano, como rochas ornamentais, café, celulose e aço. Qualquer turbulência nessa relação afeta diretamente o dinamismo da economia capixaba”, afirma.

Para Araújo, esses dados mostram que o Espírito Santo é estruturalmente mais vulnerável a choques no comércio global, especialmente quando envolvem parceiros estratégicos como os Estados Unidos.

Por isso, medidas que mexem com a previsibilidade e a fluidez das trocas comerciais tendem a causar efeitos maiores por aqui do que em Estados com base produtiva mais voltada para o consumo interno.

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