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Chegou a hora de voltar para a escola, com segurança

O retorno às salas de aula é uma decisão dos gestores públicos tomada com responsabilidade, em um momento de queda de transmissão e de vacinação ampla entre os profissionais da educação

Publicado em 27/07/2021 às 02h00
Alunos da Escola Major Alfredo Rabaioli, no bairro Mário Cypreste, com distanciamento entre eles na sala de aula.
Alunos da Escola Major Alfredo Rabaioli, no bairro Mário Cypreste, com distanciamento entre eles na sala de aula. Crédito: Carlos Alberto Silva

A volta às aulas neste segundo semestre de 2021 tem um peso histórico sem igual, com o compromisso de redução de danos após 16 meses de pandemia. No Brasil, é a primeira vez que há um retorno massivo às aulas presenciais,  como mostrou reportagem do jornal O Globo nesta segunda-feira (26). Um levantamento  do Vozes da Educação, uma consultoria técnica formada por profissionais da área, registra que a partir de agosto somente uma rede estadual e três municipais entre as capitais manterão apenas as aulas remotas.

Nas 430 escolas estaduais do Espírito Santo, esta segunda-feira (26) foi marcada pelo retorno obrigatório às salas de aula, em um modelo de revezamento diário, para garantir o distanciamento. Em dias alternados, os 240 mil alunos terão que frequentar a escola, não mais semanalmente. É um passo importante para a retomada do vínculo com professores e colegas, dentro de um processo de recuperação de aprendizagem que será desafiador e não pode mais ser adiado. 

A reabertura das escolas se dá em um momento de fase decrescente, embora de forma estável, da curva de contágio no Espírito Santo. Em 16 de julho, chegou-se a quatro semanas seguidas com a taxa de transmissão da Covid-19  abaixo de 1, em um patamar que demonstra que o ritmo da pandemia está desacelerando. Na semana epidemiológica de 2 julho, houve uma oscilação para cima, com indicadores de Estado, Grande Vitória e interior acima de 1. Mas, segundo o acompanhamento do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), com a redução de casos e mortes registrada nas últimas semanas, as taxas devem voltar a cair.

O Vozes da Educação realizou uma pesquisa comparativa sobre o retorno às aulas em vários países. Naqueles em que esse processo foi considerado satisfatório, houve alguns pontos em comum: higienização constante da escola, distanciamento social (proporcionado pelo distanciamento físico, diminuição do número de estudantes por sala e alternância de horários de entrada e saída) e uso obrigatório de máscaras.

Essas medidas estão sendo preconizadas não somente no retorno da rede estadual, mas também nas municipais. Diversos municípios da Grande Vitória e do interior, cujas aulas recomeçam em agosto, vão adotar a alternância diária nos casos em que não é possível estabelecer a distância de 1,5 metro entre os alunos.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou nesta segunda-feira (26) mais uma medida importante nessa reabertura das escolas: os municípios estão autorizados a organizar a testagem em massa de estudantes, professores e funcionários das unidades escolares e terão, cada cidade, 2 mil exames disponíveis por dia. Não haverá obrigatoriedade. O município que decidir realizar os testes nas escolas deverá submeter à Sesa um plano de logística e organização da aplicação.

É fundamental assegurar que o risco de contaminação seja mínimo, sem desconsiderar o fechamento pontual das escolas em casos de novos surtos. Por isso, o monitoramento precisa ser constante e a comunicação com a comunidade escolar, pelo poder público, deve primar pela transparência. O levantamento do Vozes da Educação mostra que nos países que tiveram bons resultados na volta às aulas a resistência da opinião pública foi atenuada à medida que reabertura transcorria com êxito, sobretudo pela sociedade estar sempre bem-informada.

O fechamento das escolas foi o efeito colateral mais dramático da pandemia: uma ação necessária nos momentos mais críticos, mas com consequências ao processo de ensino. Expôs as vulnerabilidades educacionais, muitas delas preexistentes, e cavou ainda mais o abismo da desigualdade. No Espírito Santo, os prejuízos de aprendizagem vão ser contra-atacados com aulas de reforço em português e matemática no nível estadual e também em algumas redes municipais.

O retorno às salas de aula é uma decisão dos gestores públicos tomada com responsabilidade, em um momento de queda de transmissão e de vacinação ampla entre os profissionais da educação. Os cuidados não mudam. Mas a urgência de cuidar da educação desta geração também se impõe.

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