Três adolescentes apareceram no noticiário local nos últimos dias: dois deles foram mortos em circunstâncias de possível envolvimento com tráfico de drogas e furtos em cidades do interior do Espírito Santo, o outro foi apreendido em uma operação da Polícia Civil, sob a suspeita de liderar um grupo que promove violência psicológica e física contra crianças e adolescentes em plataformas digitais como Discord e Telegram.
Os dois casos em que os adolescentes acabaram perdendo a vida, supostamente por terem escolhido caminhos errados, são uma realidade cruel que, lamentavelmente, se repete demais. Sobretudo no que diz respeito ao tráfico de drogas, no qual jovens são aliciados para seguirem um roteiro que quase sempre termina do mesmo jeito: com a morte. A criminalidade exerce um magnetismo entre adolescentes sem perspectivas de futuro, e isso precisa mudar.
O caso do adolescente apreendido na Serra, de 16 anos, causa incredulidade diante de outra faceta da violência: quem consegue entender o fascínio causado pela imposição de desafios a outros jovens, como a automutilação, aproveitando-se da vulnerabilidade das vítimas? Não é um caso isolado: a internet tem sido recorrentemente cenário dessas práticas.
À letra da lei, no caso o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad), não se trata tecnicamente de crimes, mas atos infracionais. Mas, na prática, sobretudo para as vítimas, eles acabam se equivalendo a atos criminosos. Eles estão sujeitos a medidas socioeducativas. A punição máxima é de três anos de internação.
Apesar dos clamores de parte da sociedade, principalmente diante de casos de repercussão, não basta pedir punição para o adolescente infrator. É preciso ter a consciência de que o trabalho a ser feito é prévio: no caso dos crimes fundados nas desigualdades sociais, fundamental é dar condições dignas de vida que impeçam o primeiro contato com o crime.
A escola deve ser o principal palco dessa mudança, com o envolvimento familiar. E isso acaba valendo também para impedir que adolescentes se fascinem por tantas atrocidades digitais: a educação é sempre a primeira a construir algum nível de blindagem. Além de combater as desigualdades e investir mais na educação das novas gerações, estamos precisando cuidar também da saúde emocional desses jovens.
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