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Como agia adolescente de 16 anos suspeito de liderar grupo criminoso digital no ES

Como agia adolescente de 16 anos suspeito de liderar grupo criminoso digital no ES

Investigação aponta que jovem comandava transmissões ao vivo com tortura de animais, automutilação e pornografia infantil em plataformas como Discord e Telegram

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 18:49

Operação ’Desconectado’ apreende adolescente suspeito de integrar organização criminosa digital
Operação ’Desconectado’ apreende adolescente suspeito de integrar organização criminosa digital Crédito: Divulgação | Polícia Civil

Um adolescente de 16 anos, apreendido durante a Operação Desconectado realizada nesta quarta-feira (4), é apontado pela Polícia Civil como líder e fundador de um grupo criminoso digital que promovia cenas de extrema violência psicológica e física contra crianças e adolescentes. A atuação ocorria principalmente em plataformas como Discord e Telegram, com vítimas em diferentes estados do Brasil e também no exterior.

A forma como o adolescente agia foi detalhada em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira (5). O nome dele e o bairro onde morava não estão sendo divulgados em conformidade ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).

Segundo o chefe da Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Diccor), delegado Tarik Halabi Souki, o adolescente era um dos principais "oradores" do grupo chamado Panela 466. "Ele era uma liderança e fundador de um grupo no Discord chamado Panela 466. A função dele ali era ser um dos oradores principais desse teatro de horrores", afirmou.

Transmissões ao vivo e ordens de violência

De acordo com a investigação, o grupo realizava transmissões ao vivo em que o adolescente dava ordens diretas para que vítimas praticassem automutilação. As pessoas eram orientadas a usar facas, estiletes, pedaços de vidro e outros objetos cortantes. "Após os cortes, ele ordenava que elas pegassem o próprio sangue e escrevessem o nome dele no corpo, na parede, no teto, no vidro, espalhando o nome dele e do grupo Panela 466", relatou o delegado.

Ainda segundo Tarik, havia também incentivo à introdução de objetos cortantes nas partes íntimas e a transmissão e compartilhamento de material pornográfico infantil durante as sessões.

Maus-tratos e tortura de animais

O alvo da ação, um adolescente de 16 anos, foi apreendido no bairro Jardim Limoeiro, Serra. Contra ele, havia um mandado de busca e apreensão (MBA)

A polícia também apurou a prática sistemática de maus-tratos contra animais durante as transmissões. "Em alguns momentos, a gente escutava só os animais gritando, os barulhos, os ruídos dos animais sendo maltratados. Também tinha lives deles mutilando e executando os animais", afirmou o adjunto da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), delegado Tarsis Gondim. Segundo a corporação, o próprio adolescente confessou agir dessa forma desde os 12 anos.

Aliciamento e chantagem

O delegado Tarsis Gondim explicou ainda que o adolescente se aproveitava da vulnerabilidade emocional das vítimas. "Geralmente ele se aproximava de meninas com problemas psiquiátricos, neurodivergentes ou isoladas. Em algum momento, pedia nude e depois usava isso como chantagem", afirmou. As ameaças incluíam ainda o envio do material para familiares das vítimas.

As transmissões tinham hora marcada e reuniam dezenas ou até centenas de pessoas. O delegado Tarik relatou que o pessoal entrava como se fosse uma programação ao vivo. A investigação indica que o grupo tinha alcance internacional. Segundo o delegado, pessoas do mundo inteiro participavam e o apelido do adolescente era conhecido globalmente.

Vida fora do ambiente virtual

O alvo da ação, um adolescente de 16 anos, foi apreendido no bairro Jardim Limoeiro, Serra. Contra ele, havia um mandado de busca e apreensão (MBA).

Fora da internet, o adolescente levava uma vida discreta e agia sem levantar suspeitas. "Ele trocava o dia pela noite, ficava no terceiro andar da casa mexendo nos aparelhos. A mãe trabalhava o dia inteiro e não conseguia monitorar", explicou Tarsis Gondim.

Segundo o delegado, a mãe chegou a desconfiar, mas não imaginava a gravidade. "Ela achava que era pornografia normal, coisa de adolescente. Não sabia que era nesse ponto", afirmou. 

Apreensão e investigação

Material apreendido na casa do adolescente
Material apreendido na casa do adolescente Crédito: Divulgação | Polícia Civil

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, a polícia recolheu celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos. "Já fizemos uma análise prévia e há vasto material dessa degradação humana armazenado", disse Tarsis. 

O adolescente foi encaminhado ao Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo (Ciasi) e responderá por atos infracionais análogos à organização criminosa, maus-tratos a animais, armazenamento e difusão de pornografia infantil, entre outros crimes. O caso tramita sob segredo de Justiça.

Operação ’Desconectado’ apreende adolescente suspeito de integrar organização criminosa digital por Divulgação | Polícia Civil

A Polícia Civil reforça a importância da denúncia por meio do Disque-Denúncia 181. “Não é porque o filho não está na rua que ele está seguro. A internet abre portas para um mundo muito perigoso”, alertou o delegado.

A reportagem de A Gazeta procurou pelas plataformas do Telegram e Discord e o espaço segue aberto para um posicionamento.

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