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Violência

Trump e o vergonhoso ataque à democracia nos EUA

A invasão do Congresso nos Estados Unidos entra para a história como a vexatória e covarde tentativa do presidente derrotado nas urnas de se perpetuar no poder

Públicado em 

13 jan 2021 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Um apoiador ferido do presidente dos EUA Donald Trump reage durante um protesto contra a certificação dos resultados das eleições presidenciais dos EUA de 2020 pelo Congresso dos EUA, fora do Capitólio dos EUA em Washington, EUA, 6 de janeiro de 2021
Um apoiador do presidente do Donald Trump ferido durante invasão do Capitólio Crédito: REUTERS/Jim Bourg/AP
O resultado da eleição norte-americana foi claro, Joe Biden venceu no colégio eleitoral por 306 votos a seu favor, contra 232 votos para o candidato derrotado, Donald Trump. Biden, como presidente democraticamente eleito, recebeu mais de 81 milhões de votos, enquanto Trump, que buscava a reeleição, foi destinatário de aproximadamente 74 milhões de votos.
Ao invés de demonstrar civilidade, equilíbrio e espírito republicano, Trump como de costume se comportou como um típico fanfarrão ao não reconhecer a derrota e tentar lançar ilações infundadas sobre a credibilidade do processo eleitoral norte-americano.
Disse que acompanharia seus apoiadores na caminhada: “Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas”. Entretanto, Trump não teve a coragem de se aproximar e se juntar aos seus simpatizantes, que de fato caminharam em rebanho em direção ao congresso.
Essa atitude covarde  manchou com sangue a história da democracia norte-americana. Até o momento cinco pessoas morreram em decorrência da invasão. Os trumpistas acreditam cegamente nos devaneios e teorias conspiratórias semeadas e difundidas por Trump nas redes sociais. Por conta disso, como uma medida de segurança, ele foi bloqueado das principais plataformas pelos respectivos administradores.
Uma das pessoas que morreu durante a marcha foi Kevin Greeson, que tinha 55 anos de idade. Ele tinha histórico de pressão arterial alta e sofreu um infarto em meio ao tumulto. Em suas redes sociais constavam várias mensagens e postagens de apoio a Donald Trump, como “Vamos recuperar o país! Vamos pegar nossas armas e tomar as ruas!”.
Outra vítima da confusão armada por Trump foi o policial do Capitólio, Brian Sicknick, de 42 anos. Ele foi brutalmente ferido por trumpistas e não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer no hospital. Mais de 50 policiais da referida corporação foram feridos e atacados por canos de metal e outras armas utilizadas pelos apoiadores extremistas de Trump.
A invasão entra para a história como a vexatória e covarde tentativa de Trump em se perpetuar no poder. Serve como exemplo para os cuidados que a comunidade internacional deve ter com a onda do populismo de extrema-direita.
Isso é um alerta às instituições republicanas brasileiras em meio às declarações e ameaças do presidente Jair Bolsonaro à democracia. Declarações inconsequentes de Bolsonaro, como “E aqui no Brasil, se tivermos o voto eletrônico em 2022, vai ser a mesma coisa [que nos EUA]”, devem ser repudiadas pela sociedade brasileira. Esse tipo de comportamento estapafúrdio e irresponsável de Bolsonaro não pode ser tolerado!

Pablo Lira

É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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