O ano de 2020 ficará marcado na história como o ano da pandemia do novo coronavírus. Ela trouxe efeitos negativos para a saúde da população e para a economia. Além do risco maior à vida das pessoas, a Covid-19 engendrou impactos econômicos, sobretudo, quando a transmissão da doença se mostrou mais intensa em momentos distintos em várias partes do mundo.
Nesse período, governos nacionais e governos subnacionais, que se organizaram e capitanearam planos e estratégias de mitigação e controle da pandemia, tiveram que implementar medidas necessárias que suspenderam atividades econômicas não essenciais. Essas ações foram relevantes para favorecer o distanciamento social e propiciar o achatamento das curvas epidemiológicas.
Tal movimento possibilitou a preservação de inúmeras vidas na perspectiva da crise na saúde pública. Na ótica econômica, a retomada das mencionadas atividades se tornou possível quando os indicadores epidemiológicos começaram a sinalizar certo controle da pandemia.
No Brasil e no Espírito Santo, o período de maior intensidade da transmissão do novo coronavírus ocorreu no primeiro semestre de 2020. A suspensão de atividades econômicas não essenciais aconteceu de forma mais concentrada no segundo trimestre. Na sequência, determinados segmentos e estabelecimentos foram autorizados a retomarem as atividades, sempre respeitando as medidas de mitigação do contágio do novo coronavírus, como a obrigatoriedade do uso de máscaras por funcionários e clientes, recomendações de afastamento físico entre pessoas e ampla disponibilidade de álcool a 70% para a higienização das mãos.
No contexto capixaba, o comércio de materiais de construção foi um dos primeiros a retomarem suas atividades. Na comparação interanual, esse segmento computou crescimento de 103,6% no terceiro trimestre de 2020. Por conta de exemplos como esse, o comércio varejista ampliado evidenciou uma expansão de 13,7% nessa mesma base comparativa, o que contribuiu para os resultados positivos identificados no PIB do ES.
Na comparação do terceiro com o segundo trimestre de 2020, quando os impactos da pandemia se mostraram mais intensos, o ES apresentou desempenho melhor do que o observado para o Brasil. O PIB capixaba cresceu 10,3%, enquanto o brasileiro aumentou 7,7%. Esse desempenho sinaliza que a economia capixaba está apresentando uma recuperação, ao longo de 2020, mais expressiva se comparada ao PIB nacional.
Esse diagnóstico deve ser analisado com cautela, uma vez considerado que o Espírito Santo registrou uma queda de 11% na comparação dos PIBs do segundo e primeiro trimestre de 2020. Além disso, o resultado do terceiro trimestre proporcionou o fim de uma recessão técnica que se iniciou no final de 2019.
Dessa forma, o resultado positivo do terceiro trimestre traz esperança relativa à recuperação econômica, porém é preciso analisar os dados do quarto trimestre para constatar em que medida os prejuízos propiciados pela pandemia foram amenizados no Brasil e Espírito Santo.