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Qualidade de vida

Os capixabas vivem cerca de 8 anos a mais do que os maranhenses

No ano de 2019, o ES apresentou a segunda maior esperança de vida ao nascer do Brasil. Em média, um capixaba vive mais do que 79 anos

Públicado em 

09 dez 2020 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Casal de idosos em Vitória
Casal de idosos em Vitória Crédito: Vitor Jubini 
Como comentamos na última quarta-feira nesta coluna, o Espírito Santo se encontra em uma posição diferenciada na comparação entre os demais estados brasileiros. No ano de 2019, o Estado sustentou a nota A na capacidade de pagamento da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). A nota mais elevada nesse indicador de equilíbrio das contas públicas foi alcançada ainda em 2012 pelo nosso Estado e vem sendo mantida desde então.
Ainda em 2019, o Espírito Santo apresentou a menor taxa de homicídios das últimas três décadas, com 24 assassinatos por 100 mil habitantes, evidenciou o melhor resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para a 3ª série do ensino médio e computou a menor taxa de mortalidade infantil do Brasil, a saber, 7,8 mortes de menores de um ano por mil nascidos vivos. Essas evidências sinalizam que o estado se encontra avançando em políticas públicas multisetoriais em um trabalho contínuo e integrado.
A esperança de vida ao nascer é outro indicador que aponta para um cenário de melhoria de qualidade de vida para os capixabas. Essa medida é considerada no cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que é atualizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e considera três dimensões: educação, renda e saúde. Essa última é mensurada pelos padrões de longevidade dos habitantes de um país, estado ou município.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019 a expectativa ou esperança de vida média no país era de 76,6 anos. No contexto mundial, o Afeganistão é o país com a menor esperança de vida ao nascer, 53 anos, enquanto o Japão registra uma das melhores expectativas ao nascer, 86 anos, conforme apontam os dados da CIA World Factbook.
Hábitos e comportamentos individuais podem influenciar ganhos em anos na esperança de vida de unidades geográficas. O caminho para uma maior longevidade pode ser construído com uma boa alimentação, prática regular de atividades físicas, realização de consultas médicas e exames de rotina e a não incorporação de exageros no estilo de vida, como por exemplo o consumo abusivo de drogas lícitas e ilícitas.
Ao mesmo tempo, políticas públicas que promovam, sobretudo para famílias socioeconomicamente mais vulneráveis, condições coletivas de melhoria de atendimento e acompanhamento por profissionais de saúde, assim como geração de renda e empregos suficientes para o provimento alimentar adequado e balanceamento nutricional são relevantes. Nesse sentido a expectativa de vida tende a ser ampliada.
A garantia de água potável, a existência de rede de esgotamento sanitário estruturada e o funcionamento de sistemas de coleta de resíduos eficientes também favorecem ganhos em anos de vida para a população. Do mesmo modo, estratégias de planejamento urbano de construção e/ou revitalização de espaços de esporte e lazer, como as academias populares, são essenciais para melhorar a qualidade de vida da sociedade.
Com base nas informações do IBGE, no ano de 2019 o Espírito Santo apresentou a segunda maior esperança de vida ao nascer do Brasil. Em média, o capixaba vive 79,1 anos, sendo superado apenas por Santa Catarina, onde um cidadão vive, em média, 79,9 anos. Maranhão é o estado que evidencia a menor expetativa de vida ao nascer, 71,4 anos. O bom resultado dos dois primeiros estados, aqui mencionados, pode ser explicado pelo estilo de vida de seus cidadãos, bem como pelos desdobramentos de políticas públicas multisetoriais nas áreas da saúde, educação, assistência social, saneamento básico, planejamento urbano, esporte e lazer.
Com mais esse resultado positivo na dimensão da qualidade de vida da população, o Espírito Santo se destaca ainda mais no caminho do desenvolvimento humano sustentável.

Pablo Lira

É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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