Em 1993, Itamar Franco era o presidente do Brasil. O Real ainda não tinha se tornado a moeda do país. A Seleção Brasileira ainda era tricampeã. Foi naquele ano, nesse contexto tão distante, que o Espírito Santo ultrapassou a barreira dos mil homicídios. Uma triste marca que só foi abandonada neste 2019 que acaba de ficar para trás, quando foram registradas 978 mortes violentas no Estado. O ano da consolidação da virada, pelo seu simbolismo.
Porque é necessário fazer justiça: essa guinada estatística veio ocorrendo ao longo da década, com governos que se comprometeram com políticas públicas de Estado que se confirmaram eficazes. Após o ápice da letalidade em 2009, com 2034 assassinatos, o arrefecimento foi contínuo, ano a ano. À exceção notória de 2017, ano marcado pela explosão de violência em decorrência da greve da PM.
É o momento de reconhecer as vitórias. São 978 homicídios, número que continua sendo inaceitável, mas não comemorar que em dez anos a violência tenha sido reduzida em mais de 50% é reforçar um cinismo que em nada contribui na resolução dos problemas da segurança pública. Há muito a ser feito, mas o Espírito Santo avançou, e muito.
A marca desse sucesso foi a garantia da continuidade das políticas de segurança pública. A integração entre as polícias permitiu a qualificação da repressão e a prevenção em áreas mais vulneráveis. Houve planejamento, metas foram traçadas. Os resultados são fruto de organização.
Os momentos de esperança não cessam. Em 2019, no início de setembro, a Grande Vitória conseguiu contabilizar mais de 70 horas sem registro de assassinatos. Um período curto, mas nada irrelevante diante da rotina sangrenta estabelecida a partir da década de 80, que colocou o Estado entre os mais violentos do país.
Os êxitos reconhecidos até aqui não podem distrair as autoridades, que devem manter a atenção na manutenção da redução de homicídios, mas também estabelecer estratégias para sufocar as facções do tráfico que têm agido principalmente na Região Metropolitana. Com a recorrência de crimes patrimoniais, ainda parece distante o dia em que se poderá dizer que a tranquilidade domina as maiores cidades capixabas. Cabe ao poder público manter a confiança para trabalhar em busca de resultados tão relevantes quanto os dos números de mortes violentas.