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Opinião da Gazeta

ES faz história com registro de menos de mil homicídios em 2019

É necessário fazer justiça: essa guinada estatística veio ocorrendo ao longo da década, com governos que se comprometeram com políticas públicas de Estado que se confirmaram eficazes

Publicado em 03 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

03 jan 2020 às 04:00

Colunista

Local de homicídio demarcado pela perícia: queda de homicídios em 2019 chegou a 11,81% Crédito: Agência Brasil

Em 1993, Itamar Franco era o presidente do Brasil. O Real ainda não tinha se tornado a moeda do país. A Seleção Brasileira ainda era tricampeã. Foi naquele ano, nesse contexto tão distante, que o Espírito Santo ultrapassou a barreira dos mil homicídios. Uma triste marca que só foi abandonada neste 2019 que acaba de ficar para trás, quando foram registradas 978 mortes violentas no Estado. O ano da consolidação da virada, pelo seu simbolismo.

Porque é necessário fazer justiça: essa guinada estatística veio ocorrendo ao longo da década, com governos que se comprometeram com políticas públicas de Estado que se confirmaram eficazes. Após o ápice da letalidade em 2009, com 2034 assassinatos, o arrefecimento foi contínuo, ano a ano. À exceção notória de 2017, ano marcado pela explosão de violência em decorrência da greve da PM.

É o momento de reconhecer as vitórias. São 978 homicídios, número que continua sendo inaceitável, mas não comemorar que em dez anos a violência tenha sido reduzida em mais de 50% é reforçar um cinismo que em nada contribui na resolução dos problemas da segurança pública. Há muito a ser feito, mas o Espírito Santo avançou, e muito.

A marca desse sucesso foi a garantia da continuidade das políticas de segurança pública. A integração entre as polícias permitiu a qualificação da repressão e a prevenção em áreas mais vulneráveis. Houve planejamento, metas foram traçadas. Os resultados são fruto de organização.

Os momentos de esperança não cessam. Em 2019, no início de setembro, a Grande Vitória conseguiu contabilizar mais de 70 horas sem registro de assassinatos. Um período curto, mas nada irrelevante diante da rotina sangrenta estabelecida a partir da década de 80, que colocou o Estado entre os mais violentos do país.

Os êxitos reconhecidos até aqui não podem distrair as autoridades, que devem manter a atenção na manutenção da redução de homicídios, mas também estabelecer estratégias para sufocar as facções do tráfico que têm agido principalmente na Região Metropolitana. Com a recorrência de crimes patrimoniais, ainda parece distante o dia em que se poderá dizer que a tranquilidade domina as maiores cidades capixabas. Cabe ao poder público manter a confiança para trabalhar em busca de resultados tão relevantes quanto os dos números de mortes violentas.

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