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Escolas vivem novos tempos, com estudantes tendo que se adaptar
Escolas vivem novos tempos, com estudantes tendo que se adaptar. Crédito: Fernando Madeira

Ensino do Estado é o primeiro da turma na avaliação do Ideb

Espírito Santo alcançou a melhor nota do país ao lado de Goiás no Ideb. No entanto, os indicadores ainda são considerados baixos

Vitória
Publicado em 03/12/2020 às 01h30

Num momento em que as escolas ainda estavam fechadas e a maioria das pessoas vivenciava a exaustão do isolamento, a Educação no Espírito Santo recebia um alento: o ensino médio havia alcançado a nota 4,8 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a melhor do país ao lado de Goiás.

O indicador se refere ao ensino público e privado. Num recorte por gestão administrativa, a rede estadual obteve o segundo lugar, com as médias mais altas do Brasil em Matemática e Língua Portuguesa as duas áreas aferidas na avaliação. Os resultados, divulgados em setembro de 2020, reúnem as notas dos alunos mais a taxa de aprovação, e referem-se ao ano de 2019.

Embora positivos, ainda guardam uma boa distância das metas estabelecidas. Produzido a cada dois anos, o Ideb terá, portanto, provas aplicadas em 2021 no ensino médio, e também no 5º e 9º anos do fundamental, ainda sob o efeito imensurável da pandemia.

4,8

É A NOTA ALCANÇADA PELO ENSINO MÉDIO DO ES

Para Caio Sato, coordenador do núcleo de inteligência do Todos pela Educação, tanto a aprendizagem quanto a aprovação serão colocadas à prova nesse contexto de crise sanitária que obrigou as escolas a ficarem fechadas por meses. Os alunos que vão retomar as atividades presenciais somente em 2021 deverão sofrer um impacto ainda maior.

Nesse cenário, Caio Sato reforça que as redes de ensino precisam investir em avaliação diagnóstica para fazer as intervenções necessárias e, assim, garantir a recuperação de conteúdos que não foram aprendidos ao longo de 2020.

REALIDADE

O Ideb é uma ferramenta que, ao estabelecer metas de desempenho, ajuda a mensurar a evolução das escolas e redes de ensino, mas não deve ser o único instrumento dos gestores. Patricia Guedes, gerente de Desenvolvimento e Pesquisa do Itaú Social, aponta que o indicador pode até mascarar realidades adversas.

Patricia Guedes

gerente de Desenvolvimento e Pesquisa do Itaú Social,

"O Ideb não conta a história toda. No ensino médio, na verdade, eles está ‘olhando’ para os sobreviventes, uma parcela pequena que consegue atravessar os anos finais do ensino fundamental e chegar até a 3ª série do médio. Infelizmente, no país, perdem-se muitos alunos no caminho. O Ideb é importante, é possível ver onde houve avanços, mas sozinho não conta a história toda, sobretudo se o que se quer é reduzir as desigualdades"

E por falar em desigualdades, reforça Patricia Guedes, uma das estratégias para agora e no pós-pandemia é utilizar-se da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que, segundo ela, pode servir de bússola na orientação do trabalho de professores e escolas.

A especialista destaca ainda a aprovação do novo Fundeb que, mais do que o financiamento, aborda também a necessidade do monitoramento para eficiência dos gastos.

“Por isso, insisto, é preciso olhar não só para o Ideb, mas para a trajetória escolar dos alunos. Há um dado também mui to importante que é a porcentagem de estudantes em distorção idade-série. Cerca de 30% dos alunos chegam ao 9º ano do fundamental tendo repetido pelo menos uma série. A cultura da reprovação precisa acabar; não melhora a aprendizagem e só desmotiva o aluno a continuar. Um ano de reprovação na vida do estudante é muito negativo”, atesta.

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