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Serginho Groisman: “O que mais me preocupa é a evasão escolar”

Pela terceira vez consecutiva, o apresentador vai mediar o debate do Arena de Profissões; o objetivo é compartilhar os desafios e as experiências na educação

Publicado em 25/11/2020 às 16h02
Para Serginho, o desânimo deste momento precisa ser transformado em energia para encarar os desafios
Para Serginho, o desânimo deste momento precisa ser transformado em energia para encarar os desafios. Crédito: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus gerou uma crise econômica mundial e fechou muitos postos de trabalho. No entanto, o que mais preocupa o apresentador Serginho Groisman, do programa “Altas Horas”, da TV Globo, é a evasão escolar. A decisão de deixar de estudar, segundo Groisman, vai impactar diretamente as escolhas profissionais. Para ele, é preciso transformar o desânimo, gerado por este momento de incertezas, em energia para encarar os desafios.

Serginho vai mediar mais uma vez a mesa-redonda do Arena Profissões, promovido por A Gazeta, pelo terceiro ano consecutivo. O objetivo do evento é reunir nomes importantes da educação para compartilhar desafios e experiências, sobretudo em tempos de pandemia. Para evitar a propagação da Covid-19, nesta edição, o projeto ganhou um formato inédito e virtual. Dessa forma, os interessados vão poder acompanhar as discussões no dia 27 de novembro, às 16 horas, em uma live disponível no site A Gazeta.

Confira a entrevista na íntegra com o apresentador:

Como você vê o futuro dos jovens no mundo pós-pandemia?

Primeiramente, a coisa que mais me preocupa é a evasão escolar. Há muita gente saindo das escolas e faculdades por estar entristecida e desmotivada. Essa é uma questão muito grave, porque eles veem postos de trabalho se fechando em um momento em que a economia atravessa uma grave crise mundial, e que deve demorar para se recuperar. Fico preocupado com a fuga dos alunos dos bancos escolares porque essa decisão vai impactar diretamente a questão da escolha profissional. O desânimo deste momento precisa ser transformado em energia para encarar o que vem pela frente. O ano está sendo difícil para todos, e a pandemia ainda não acabou. No entanto, as escolas estão voltando às suas rotinas, com restrições de contato, ao mesmo tempo que coisas diferentes estão acontecendo. Prova disso é a tecnologia que passou a oferecer novas perspectivas de trabalho e novas formas de nos relacionarmos. É preciso se reconectar para conseguir andar para a frente, discutir sobre profissões e falar sobre sonhos. Acredito que, em determinado momento, vamos voltar a ter uma certa normalidade. Durante o Arena de Profissões, vou falar sobre este momento um pouco aflitivo e incentivar os sonhos desses estudantes, baseado nas escolhas que eu fiz e na educação.

E como foi a sua trajetória educacional?

Eu frequentei os cursos de Direito e História e me formei em Jornalismo. Foram universidades com perfis diferentes e que me deram uma visão clara do que eu queria. O jovem não deve ter medo de voltar atrás nas suas escolhas. O adolescente sofre pressão da família e da sociedade e quer o imediatismo de entrar nas universidades. Não adianta ser aflitivo. Experiências diferentes me fizeram entender qual era a minha vocação. Em minha trajetória como jornalista, fiz muitas coisas: atuei no rádio e no jornalismo impresso, fui professor... Experimentei diversas áreas como política e cultura, mas nunca achei que tivesse que parar. O que fiz foi rever os caminhos que percorri e as decisões que tomei. Aos poucos, essas escolhas foram se solidificando e fui buscando desafios diferentes. É importante sempre ter desafios novos, senão se acomoda, fica estagnado.

Como você avalia a sua vivência ao longo do tempo trabalhando com várias gerações. Quais as diferenças que você percebe nesse convívio?

Quando comecei, a internet ainda não existia. A transformação foi muito grande, bem diferente de quando escolhi minha profissão. Antes, as pessoas tinham perspectivas limitadas em Medicina, Direito e Engenharia, por exemplo. Hoje, o leque de opções é muito maior, com várias especializações. A tecnologia deu uma abertura grande para novas profissões, com mais campo para se aventurar. Para mim, o importante é adequar talento com vocação. A questão maior é justamente procurar essa vocação. Se antes os jovens tinham menos caminhos e se adequavam a uma dessas opções, hoje o campo é grande. Acredito que, além da vocação, é preciso ter prazer em trabalhar, fazer o que se quer. Ainda existem vestibulares com as profissões tradicionais, mas com um leque muito maior, mesmo naquelas profissões tradicionais. Tem que ter paciência para entender que os profissionais precisam se colocar como protagonistas de suas carreiras.

Qual o segredo para se manter tão relevante ao longo de décadas?

Acho que, no meu caso, é a questão de estar bem informado e atento ao que acontece em áreas diferentes. Quem está no mercado de trabalho não deve achar que tudo já foi feito. É preciso ter desafios constantes para se manter motivado, se autodesafiar. É necessário ficar atento para não ficar estagnado e manter a ética acima de tudo.

A experiência é sinônimo de respeito ou carrega o estigma de representar um profissional ultrapassado?

Pessoas com mais experiência são evidentemente mais especializadas do que as mais jovens. O que não pode acontecer é deixar de acompanhar o seu tempo, não se atualizar e ficar ultrapassado. O segredo é se superar sempre.

Como será a participação no Arena Profissões?

Este ano vai ser diferente porque não será presencial, não terá aquela troca de experiências com os jovens. Todas as vezes que participei, a experiência foi maravilhosa e com muito aprendizado. Vamos conversar sobre o presente e o futuro e espero que esse encontro seja tão relevante quanto os anteriores. Estar perto dos jovens é um momento de grande aprendizado.

O que os jovens querem para suas carreiras e para suas vidas?

Existem alguns equívocos de que sucesso tem a ver com dinheiro, mas, para mim, ele tem mais relação com o prazer. O que realmente importa é ter uma carreira que faça com que você consiga viver de maneira confortável, com vontade de continuar trabalhando. Tem que pensar no presente, refletir sobre o futuro e não na data da aposentadoria.

O empreendedorismo pode ser uma saída para os jovens?

Sim. O empreendedorismo está muito presente na vida dos jovens. Um aspecto importante é que as pessoas querem ser donas do próprio negócio, ao mesmo tempo que geram empregos. É um caminho muito legal. Carteira assinada dá mais segurança, mas o empreendedorismo é um caminho que ajuda a economia de um país e passou a ser uma tendência forte.

Quais as suas dicas para quem quer escolher uma profissão?

Tem que ter paciência para escolher o que vai fazer profissionalmente. Paciência durante o curso, não ter medo de mudar de ideia e procurar uma profissão que una os seus desejos legítimos de monetização e o prazer. Além disso, é necessário ter vontade de trabalhar para se desenvolver e dar o seu melhor.

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