Publicado em 10 de janeiro de 2021 às 20:53
- Atualizado há 5 anos
As imagens de milhares de apoiadores de Donald Trump invadindo o Capitólio mal saíram da mente, e uma nova ameaça de violência já se forma, tendo desta vez como alvo a posse de Joe Biden. >
Um dos alertas veio do líder democrata no Senado, Chuck Schumer. Em um comunicado, ele afirma ter instado Christopher Wray, diretor do FBI, a polícia federal americana, a perseguir implacavelmente os invasores do Congresso. E acrescentou: "A ameaça de grupos extremistas violentos continua alta, e as próximas semanas são críticas para o nosso processo democrático com a posse no Capitólio".>
Assim como nas semanas anteriores ao ataque da última quarta-feira (6), os avisos em fóruns online se acumulam. Segundo o Washington Post, há convocações para novos protestos, que culminariam no que os organizadores apelidaram de "Marcha das Milhões de Milícias", em 20 de janeiro, dia da posse.>
Há também promessas de retorno à capital americana no dia 17, feitas por apoiadores de Trump. O jornal fala de uma publicação citada pelo Grupo Alethea, de combate à desinformação, que chama para uma "MARCHA ARMADA NO CAPITOL HILL E TODOS OS CAPITÓLIOS ESTADUAIS".>
>
Online, os trumpistas também têm dito que o atual presidente ficará mais quatro anos. "Trump VAI tomar posse para um segundo mandato em 20 de janeiro!!", afirma um comentário em um fórum pró-Trump na quinta (7), um dia após a invasão, segundo a CNN americana. O republicano foi derrotado nas eleições.>
"Não podemos deixar os comunistas vencerem. Mesmo que tenhamos de queimar DC [Distrito de Columbia, onde fica Washington]. Amanhã tomamos de volta DC e tomamos de volta o nosso país!!">
Segundo falou à CNN Jonathan Greenblatt, diretor-executivo da Liga Anti-Difamação, que rastreia e combate o discurso de ódio, a organização tem observado conversas de supremacistas brancos e extremistas de extrema direita que se sentem encorajados nesse momento. "A expectativa é a de que a violência fique pior antes de melhorar.">
As cenas vistas na quarta foram condenadas por republicanos de peso, como o senador Mitch McConnell, líder do partido do Senado, e o vice-presidente, Mike Pence.>
A mensagem parece ter surtido pouco efeito, pois John Scott-Railton, pesquisador do Citizen Lab, grupo da Universidade de Toronto que monitora cibersegurança, afirmou à CNN estar extremamente preocupado com o dia da posse. "Enquanto a maior parte do público ficou horrorizada com o que aconteceu no Capitólio, em certos lugares de conversa da direita o que aconteceu foi considerado um sucesso.">
O fato é que agora a preparação para a segurança da posse de Biden ganhou novas proporções. O plano, segundo o Washington Post, parece preparar a capital para uma cerimônia de milhões -como seria se não houvesse a pandemia-, ainda que o número de participantes esteja limitado a uma fração disso.>
O jornal afirma que cerca de 6.200 membros da Guarda Nacional de seis estados -Virgínia, Pensilvânia, Nova York, Nova Jersey, Delaware e Maryland- irão apoiar a Polícia do Capitólio e outras forças de segurança de Washington nos próximos 30 dias.>
Altas barreiras de metal, construídas de forma que seja impossível escalá-las, também foram erguidas ao redor do prédio onde fica o Congresso americano. Esse tipo de estrutura já foi usado ao redor da Casa Branca e em outras cidades para lidar com manifestações prolongadas.>
Essa proteção, porém, teria sido instalada de qualquer forma nos próximos dias, já que a cerimônia de posse é um Evento Nacional de Segurança Especial, com supervisão do serviço secreto e de dezenas de agências federais. É o mesmo nível de segurança utilizado durante convenções dos partidos.>
Apesar das ameaças, congressistas responsáveis pela coordenação do evento insistiram que ele ocorrerá. "O ultrajante ataque ao Capitólio não nos impedirá de afirmar aos americanos -e ao mundo- que nossa democracia perdura", diz nota dos senadores Roy Blunt (republicano) e Amy Klobuchar (democrata).>
"A grande tradição americana de uma cerimônia de posse já ocorreu em tempos de paz, em tempos de turbulência, em tempos de prosperidade e em tempos de adversidade. Empossaremos Biden.">
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta