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Coronavírus

O Brasil larga atrasado na corrida da vacinação

A letargia brasileira na vacinação contra a Covid-19 resultará em um maior número de infectados, mais mortes e no prolongamento dos impactos negativos da pandemia na economia

Publicado em 06 de Janeiro de 2021 às 06:00

Públicado em 

06 jan 2021 às 06:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Institutos de pesquisa anunciaram que os resultados das pesquisas clínicas com as vacinas para o novo coronavírus têm se mostrado favoráveis
O ano de 2020 finalizou com mais de 6,5 milhões de doses de vacina administradas em 50 países: Brasil não está na lista Crédito: Foto de Nataliya Vaitkevich/ Pexels
Desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a grande esperança que permeia a mente do cidadão global é a vacina. A vacinação em massa da população proporcionará o controle efetivo da pandemia.
O desenvolvimento da vacina em tempo recorde é produto do empenho e esforço conjunto de vários grupos de pesquisadores e instituições especializadas. A vacina reforça a relevância da ciência e tecnologia para superarmos a mais grave crise sanitária dos últimos cem anos.
O ano de 2020 finalizou com mais de 6,5 milhões de doses administradas em cinquenta países. O Brasil não consta na lista das nações que iniciaram a vacinação. O Ministério da Saúde sinalizou que no melhor cenário as primeiras doses serão administradas até o dia 20 de janeiro de 2021. No pior cenário a vacinação começará depois de 10 de fevereiro.
Insta salientar que nesse primeiro momento a vacinação estará focada em grupos compostos por profissionais de saúde e pessoas na terceira idade. Na sequência, outros grupos deverão ser gradativamente priorizados. Além disso, a maioria das vacinas contra a Covid-19 necessitam de duas doses. É uma corrida contra o tempo para que o Brasil alcance uma massa de imunizados na população que favoreça o controle efetivo da pandemia. Isso demandará um tempo considerável, não acontecerá de forma imediata em poucos meses.
governo federal deveria ter se antecipado e estruturado um robusto plano de vacinação, detalhando e resolvendo possíveis gargalos burocráticos, de insumos e logística, para colocar o país em uma posição de destaque. A adoção de múltiplas plataformas de vacina é uma estratégia que está sendo seguida por países desenvolvidos. A situação é crítica e não permite ao governo federal abrir mão de opções que estão sendo aprovadas pelas agências de saúde de países que estão dando exemplo na corrida da vacinação.
O processo de análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não está se mostrando compatível com a emergência e gravidade da situação. O Brasil inicia 2021 com mais de 7,7 milhões de infectados e cerca de 195 mil mortes pela Covid-19.
A letargia brasileira na vacinação contra a Covid-19 resultará em um maior número de infectados, mais mortes e no prolongamento dos impactos negativos da pandemia na economia. Cada dia que passa sem o início da vacinação os desdobramentos da pandemia se intensificam no território nacional, afetando a vida de milhões de brasileiros.
Por conta das incertezas e dificuldades do governo federal em organizar e colocar de pé um plano nacional de vacinação, governos subnacionais estão buscando alternativas para garantir a administração das primeiras doses com segurança e a maior brevidade possível. O Espírito Santo é um exemplo disso.
No final de dezembro, o governador Renato Casagrande sancionou a lei que autoriza o Estado a adquirir doses de vacina sem registro da Anvisa. Para isso acontecer, o imunizante necessita de registro em autoridade sanitária estrangeira, bem como precisa ter autorização de distribuição na respectiva nação. A Lei Complementar nº 960/2020, de autoria do presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Erick Musso, também flexibiliza a aquisição de medicamentos, equipamentos e insumos para o controle da Covid-19 no território capixaba.
Diferente do governo federal, o Espírito Santo demonstra responsabilidade, equilíbrio, articulação e mobilização de esforços para salvar vidas. A superação da pandemia depende da vacinação em massa da população. Não podemos perder tempo com questões ideológicas e discussões sem embasamento científico.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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