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Coronavírus

2021 será o ano da vacina. E o Brasil?

Neste novo ano, o que esperamos é que, com as lições de 2020 bem aprendidas, estas comecem efetivamente a tomar vida. Mas o país ainda não aprendeu a primeira lição

Publicado em 02 de Janeiro de 2021 às 06:00

Públicado em 

02 jan 2021 às 06:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman Orlando Caliman
Reino Unido começa a vacinar população nos próximos dias
Até agora, por exemplo, cerca de 40 países já deram início à aplicação de vacinas Crédito: Freepik
Se 2020 foi o ano da pandemia, 2021 será o da vacina. Da mesma forma, se 2020 nos ensina através de suas lições - e que lições! -, em 2021 o que esperamos é que, bem aprendidas, estas comecem efetivamente a tomar vida. E nesse aspecto, a primeira delas, sem dúvida a mais crucial e decisiva, remete-nos à vacina.
Por mais paradoxal que nos possa parecer, vem dos Estados Unidos, portanto, de Trump, o primeiro exemplo de lição bem aprendida e já em execução. O governo americano investiu pesadamente no programa “Warp Speed” – “incrivelmente rápido” -, destinado ao desenvolvimento de pesquisas e produção de vacinas. Duas delas já estão em estágio de aplicação, a Pfizer e a Moderna. Nunca na história se produziu uma vacina em tão curto tempo e comprovadamente eficaz e segura. Sem dúvida, incrivelmente rápido.
O que nos parece claro é que a velocidade e intensidade da retomada da economia global e dos países serão ditadas pela velocidade com que o processo de imunização das populações vai se dar. O que implica dizer que terão mais chances de sucesso aqueles países que se mostrarem mais ágeis. Daí a explicação para a corrida dos países em busca de imunizantes. Até agora, por exemplo, cerca de 40 países já deram início à aplicação de vacinas.
Infelizmente, o Brasil, pelo menos até o momento, não tem se mostrado propenso a integrar esse bloco da frente. Como afirmou Bolsonaro, “não dou bola pra isso”, referindo-se à vacinação. E indo mais além, conclui que quem deve ter pressa é o vendedor, não o comprador. Imputando assim a responsabilidade pela demora às empresas produtoras. Um erro que poderá custar caro ao país.
Assim, o Brasil adentra-se no ano de 2021 devedor em relação à aplicação da primeira lição. Ou seja, o país ainda não se mostrou com pressa na solução, por exemplo, de um desemprego que já atinge cerca de 30% da força de trabalho, contabilizando-se desempregados formais, desalentados e desocupados.
A vacinação trará dois resultantes importantes, para não dizer cruciais: redução de custos inerentes à pandemia e condições mais favoráveis para o crescimento da economia. Executemos, portanto, e bem, a primeira lição. Mas, a pressão tem que vir do lado da demanda; não da oferta. Que tenhamos, então, um 2021 de execução de lições bem aprendidas. Já será um grande avanço.

Orlando Caliman

Orlando Caliman Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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