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Mestre em Direitos e Garantias Fundamentais. Pesquisa questões referentes a gênero, discursos, poder e violências contra mulheres

2021, por favor, toque logo nossos interfones e campainhas!

Não faço promessas nem listas de metas para o ano que vai surgir, mas se tem uma coisa em que eu tenho fé é na gente

Publicado em 30/12/2020 às 05h00
Atualizado em 30/12/2020 às 05h00
Mulher com máscara
Sei que o interfone vai tocar, vamos acordar e conseguir sair desse looping . Crédito: karlyukav/Freepik

Parece que existiram 5 anos dentro de 2020. Ô ano complicado, viu? Fui atrás do meu artigo de ano novo do ano passado e, pasmem, eu achei que 2019 tinha sido “terrível, de inúmeras provações e situações que nos levaram ao limite”. Foram essas palavras que usei e tenho certeza que o futuro devia estar rindo da minha cara, porque se eu achei que 2019 foi tudo isso, é porque realmente não podia imaginar que tudo pode piorar sempre.

Comecei 2020 indo pra uma conferência mundial na ONU pra reafirmar os direitos das mulheres e também pra denunciar o que o governo Bolsonaro estava fazendo no Brasil; surgiu uma pandemia no meio da viagem e nove meses depois estamos com o mesmo governo Bolsonaro precisando ser denunciando todos os dias pelos atropelamentos causados aos direitos, especialmente, de mulheres, pobres, pretos e LGBT+.

Sabe aqueles pesadelos dos quais a gente não consegue sair, que a gente tenta acordar e não consegue? Esse é o governo Bolsonaro pra mim. Um terror, um sofrimento agonizante que parece que nunca vai ter fim, que sempre tá piorando, que parece que tá durando anos a fio. Mas eu sei que o interfone vai tocar, vamos acordar e conseguir sair desse looping.

Não sou de pular sete ondas, comer não sei quantas uvas e jogar as sementes pra trás, nada disso. Não faço promessas nem listas de metas para o ano que vai surgir. Mas se tem uma coisa em que eu tenho fé é na gente. Acredito muito no poder que nós mostramos ter mesmo em um ano tão difícil pra maioria como foi 2020 (e peço que o futuro não ria da minha cara novamente em 2021, por favor!).

Acredito na união, nas redes de apoio, nas redes de proteção de pessoas que se conheceram por meio da internet, nas adversidades que esse 2020 nos trouxe e que, mesmo sem apoio institucional nenhum, conseguiram enfrentar o luto, o medo, a fome, a violência. 2021, o que eu te peço é generosidade e que toque logo nossos interfones e campainhas.

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