O ano de 2020 está mais para lições e aprendizado do que para lamentações. Em especial para o nosso país. Alguns até já lhe imputam a alcunha de ano perdido. Perdido, nem tanto, porém, necessariamente não ficará esquecido. A história, com certeza, encarregar-se-á de decifrá-lo melhor, e situá-lo no seu curso, especialmente através de leituras mais aprofundadas de suas consequências e impactos observados como legados objetivados na vida real das pessoas, do país e da sociedade como um todo.
Diante da inevitabilidade compulsória de termos que lidar com uma pandemia, para a qual nem o mundo e muito menos o Brasil estavam preparados, parece-nos que o que nos restará de legado resultante, que se revelará em anos subsequentes, estará mais na forma como a estamos enfrentando do que propriamente seus impactos mais imediatos.
E é nessa forma de vermos as coisas que devemos entender o ano de 2020 como um ano a nos oferecer preciosas lições. Algumas delas mostrando acertos, e outras tantas erros e também omissões. Nem todas, obviamente, afeitas ou decorrentes diretamente do fenômeno da pandemia. Mas a supremacia é dela.
Se de um lado o Brasil mostrou-se rápido e eficiente no campo da economia com o auxílio emergencial e a oferta de liquidez a juros mais acessíveis, de outro, patina enormemente na forma como está gerindo a pandemia, adentrando numa verdadeira guerra de vaidades - guerra das vacinas -, já antecipando o embate político em 2022. O foco não é 2022, mas sim a pandemia.
A grande questão, que agora se mostra como um “baita” problema, é que ao pecar pela forma em lidar com a pandemia, o governo federal tumultua ou mesmo trava a retomada da economia. Fato que já chama a atenção do setor produtivo, inclusive motivando-o a buscar alternativas, saídas próprias, para a agilização da vacinação de empregados. Está mais que claro que não haverá retomada sustentável sem vacinação em massa. A pandemia não está no “finalzinho”.
Fica claro também que o nosso país está em meio a uma verdadeira batalha travada entre o Brasil velho, negacionista em certos e importantes aspectos, de certo modo também flertando com o arcaico, e um Brasil competitivo, disposto a avançar, inserir-se internacionalmente e inovar. O ano de 2021 refletirá o desenrolar dessa batalha.