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Este é um espaço para falar de Política: notícias, opiniões, bastidores, principalmente do que ocorre no Espírito Santo. A colunista ingressou na Rede Gazeta em 2006, atuou na Rádio CBN Vitória/Gazeta Online e migrou para a editoria de Política de A Gazeta em 2012, em que trabalhou como repórter e editora-adjunta

O capitão da PM que quer ser governador do ES por um partido de extrema esquerda

Integrante do movimento "Policiais Antifascismo", Capitão Sousa é lançado pré-candidato ao Palácio Anchieta pelo PSTU neste sábado (14)

Vitória
Publicado em 14/05/2022 às 02h10
Capitão da PM Vinícius Sousa participa de ato contra o presidente Jair Bolsonaro em Vitória
Capitão da PM Vinícius Sousa participa de ato contra o presidente Jair Bolsonaro em Vitória. Crédito: Reprodução

A participação de policiais na política, em especial os militares, não é novidade. Embora não possam ser filiados a partidos, vez ou outra se arriscam nas urnas, após aprovação em convenção, e conquistam mandatos. No Espírito Santo, por exemplo, há o Capitão Assumção (PL) e o Coronel Alexandre Quintino (PDT), ambos deputados estaduais, e Da Vitória (PP), cabo da reserva da PM, que é deputado federal.

Via de regra, os egressos das corporações policiais são de direita e se identificam como conservadores. Embora Quintino esteja no PDT, um partido de esquerda, acabou parando lá por contingências eleitorais, uma vez que debandou do União Brasil (resultado da fusão de DEM e PSL) depois que o deputado federal Felipe Rigoni assumiu o controle da legenda.

Pode-se dizer o mesmo de Da Vitória, que, após passagens por PDT e Cidadania, aportou recentemente no PP. Ele mesmo disse que, finalmente, pôde se integrar a um partido ao qual se perfila ideologicamente. O PP é do Centrão, sem amarras ideológicas, mas, no momento, está ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL).

E aí eis que surge o Capitão Sousa, que se lança neste sábado (14) como pré-candidato ao governo do Espírito Santo pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

Uma sigla de extrema esquerda, que prega a estatização das 100 maiores empresas do país e a retirada de dinheiro de cerca de 300 bilionários, sustentando que, com essas e outras medidas, seria possível resolver problemas como a pobreza e o desemprego.

Uma solução simplista, de fato, que dificilmente daria certo, como toda solução simplista. Mas está de acordo com o nome do partido, que não tem socialista na composição apenas de enfeite, como ocorre com outras legendas.

O PSTU não tem tempo de TV no horário eleitoral gratuito e tampouco dinheiro sobrando para fazer campanha. Sousa sabe que a chance de ser o novo chefe do Palácio Anchieta é mínima. Mas, como é comum em candidaturas desse espectro político, a ideia não é vencer, é "fazer o debate".

"Nossa prioridade não é ganhar a eleição e sim fazer o debate e mobilizar a classe trabalhadora. A candidatura vai ser diálogo com os trabalhadores, um despertar para a consciência crítica sobre o que é o socialismo e por que ele é necessário, de forma radicalmente democrática, em que conselhos populares é que decidem as políticas e não os banqueiros e as grandes empresas", defendeu Sousa, em entrevista à coluna.

Mas, na hipótese de ser eleito governador, ele tem algumas propostas do que iria fazer. "Temos uma proposta de radical transformação da polícia, para que a base eleja o comandante geral e que as comunidades elejam os comandantes locais. É com mais democracia e não com menos democracia que se transforma a instituição", elencou. 

Ele é a favor da desmilitarização da polícia, mas esse é um tema que, certamente, ultrapassa as divisas do Espírito Santo, um governador não poderia decretar isso sozinho.

Sousa já foi alvo de procedimentos disciplinares na PM devido a participação em ato contra Bolsonaro, por exemplo. Diz, no entanto, que tem bom relacionamento com os colegas de ideologia oposta. "Embora a instituição não seja democrática, entre os policiais há um espírito democrático que permite esse debate. Eles me tratam com respeito e eu os trato com respeito", resumiu.

"Os colegas, quando, infelizmente, embarcam no discurso bolsonarista não fazem isso por culpa, mas para mudar o sistema, o que o presidente Bolsonaro falsamente disse que faria. Mas ele é uma pessoa do sistema. As pessoas não acompanham o que acontece na Câmara dos Deputados, então não conhecem a trajetória dele, de ataque aos trabalhadores", avaliou.

"A proposta dele de valorização do patrimônio nacional é convidativa. Mas ele representa uma aliança do Estado com o setor privado, com os banqueiros, com o rentismo internacional, com a privatização e a dependência econômica do país", criticou Sousa.

O capitão tem 38 anos e atua em Cachoeiro de Itapemirim. Em 2020, foi candidato a vice-prefeito da cidade pela Rede na chapa de Joana D'Arck (PT).

A primeira eleição da qual ele participou, no entanto, foi em 2019, um pleito suplementar para eleger o prefeito de Castelo. Não ganhou. Na ocasião, ele se lançou pelo Patriota, que, hoje, é um partido aliado de Bolsonaro. Sousa explicou, no entanto, que, na época em que se aproximou da legenda, a sigla era o PRP, que depois se fundiu com o Patriota. 

"Sou um socialista desde 2004, quando me filiei ao PT. Depois me desfiliei, ao entrar na PM, em 2008", narrou. Quanto ao PT de hoje, ele avalia que "do jeito que está não é possível alcançar o socialismo".

Além do Capitão Sousa, o PSTU lança neste sábado Felipe Skiter como pré-candidato ao Senado. O evento, em um restaurante da Rua da Lama, em Jardim da Penha, Vitória, vai contar com a participação da pré-candidata do partido à Presidência da República, Vera Lúcia.

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