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Corrida para ser vice de Casagrande tem um franco favorito no ES

PSDB, PT e PP querem a vaga, mas um nome desponta para compor a chapa com o socialista

Vitória
Publicado em 18/07/2022 às 09h13
Ricardo Ferraço e Renato Casagrande andando juntos durante a campanha de 2018
Ricardo Ferraço e Renato Casagrande andando juntos durante a campanha de 2018. Crédito: Facebook/Ricardo Ferraço

O ex-senador Ricardo Ferraço, que saiu do PSDB, foi para o União Brasil e voltou ao PSDB, é hoje o franco favorito a ser vice na chapa do governador Renato Casagrande (PSB) na disputa pelo governo do Espírito Santo.

O PSDB, federado com o Cidadania, ainda não subiu oficialmente no palanque do socialista, mas é apenas questão de tempo. O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, já elenca as duas siglas entre as que compõem a ampla aliança em busca da reeleição do governador.

Ferraço há tempos é próximo a Casagrande. Em 2018, foi o principal responsável por levar os tucanos para o lado dele. 

 O PSDB sempre tratou Ricardo como um dos principais nomes do partido para integrar uma chapa majoritária, como candidato a vice ou a senador.

Na última sexta-feira (15), o próprio Ricardo expôs que apoia a reeleição da senadora Rose de Freitas (MDB). Ela conta com o endosso de PSDB e Cidadania.

Assim, como concluiu o presidente estadual do Cidadania, a vaga de vice é a mais adequada a ser postulada pela federação em relação a quem a dupla decidir apoiar na disputa pelo Palácio Anchieta.

Outros partidos têm o mesmo pleito. O PP é um deles. A sigla ainda tem o nome do deputado federal Da Vitória, cotado para disputar o Senado, mas com a consolidação de Rose como a parceira de Casagrande nesse quesito, os progressistas têm apenas um espaço a pedir. 

O governador já disse que tanto Ricardo quanto o presidente estadual do PP, Marcus Vicente, são bons nomes para a vaga. 

O PP montou uma chapa pesadíssima para concorrer a vagas de deputado federal. Embora o partido alegue que tem chances de eleger até quatro parlamentares para o Congresso, a saída de Marcus Vicente, figurando como vice, poderia aliviar um pouco a chapa.

Mas Ricardo, frise-se, é quem desponta como favorito.

O PT TAMBÉM TEM UM NOME

O PT, que recentemente firmou uma parceria com Casagrande, também chegou a reivindicar um espaço na chapa majoritária.

Ouviu do próprio Casagrande que, para o Senado, ele vai apoiar Rose de Freitas.

Já sobre a vice, nos bastidores petistas dizem que poderiam indicar a presidente estadual do partido, Jackeline Rocha, que hoje é pré-candidata a deputada federal. 

Nessa hipótese, Casagrande trocaria uma Jacqueline (Moraes, atual vice-governadora), por uma Jackeline.

Mas o PT sabe que a chance de conseguir emplacar na vaga é remotíssima. A sigla não exigiu estar representada na majoritária para fechar a parceria com Casagrande. O que pesou para isso foi o cenário nacional de aliança entre PSB e PT, como a coluna já ressaltou.

Já PSDB e Cidadania exigem uma vaga de destaque.

Mas o PT tem um peso, sim. Embora não vá dizer isso publicamente, afinal acabou de chegar ao grupo de aliados do governador, se a vaga de vice na chapa do socialista ficasse com o PP, isso causaria grande incômodo entre os petistas.

O PP apoia a reeleição do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), arquirrival do ex-presidente Lula (PT). Além disso, Casagrande prometeu que, apesar de ter apoio de partidos que trabalham pela eleição de outros presidenciáveis, vai fazer campanha apenas para Lula.

Como então se associar tão diretamente a quem defende Bolsonaro?

O PP também poderia se incomodar com o PT na chapa como vice, mas, como já dito aqui, até os petistas sabem que isso é muito pouco factível.

O PT argumenta que, nos estados em que houve aliança entre PT e PSB, os dois partidos sempre estão juntos na chapa majoritária.

Em São Paulo, por exemplo, em que o socialista desistiu de concorrer ao governo para apoiar Fernando Haddad, França vai ser o candidato ao Senado na coligação.

Nem tudo, no entanto, é ditado aqui pela lógica nacional.

Já em relação a Ricardo Ferraço, nem mesmo o PT se oporia. Apesar de os tucanos terem sido por décadas os principais adversários dos petistas, o inimigo agora é outro.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB, já disse que, num segundo turno entre Lula e Bolsonaro, escolhe Lula sem pestanejar.

No primeiro turno, a federação entre PSDB e Cidadania endossa o nome da senadora emedebista Simone Tebet na corrida pela Presidência da República. 

Tebet até foi recebida, institucionalmente, por Casagrande no Palácio Anchieta na sexta, o que não provocou nenhuma revolta no PT. 

O socialista já tinha avisado que, apesar de pedir votos apenas para Lula, não iria se furtar a dar um tratamento protocolar e cortês a outros concorrentes ao Palácio do Planalto, como Tebet e Ciro Gomes (PDT).

Ricardo também declarou apoio a Simone Tebet, na sexta-feira.

A senadora do Mato Grosso do Sul apareceu no último Datafolha com 1% das intenções de voto e não é vista como ameaça pelos petistas. Tebet, por sua vez, ao afirmar que o MDB apoia a reeleição de Casagrande, concordou com Rose de Freitas sobre o fato de não haver nenhum problema com o fato de o PT integrar a coligação.

PSDB e Cidadania já se sentem incomodados com a presença dos petistas na aliança, mas se o partido de Lula não compuser a chapa majoritária, como se desenha até aqui, a parceria segue sem percalços.

O PSB não quer uma chapa puro-sangue, como a que montou em 2018, com Jacqueline Moraes, também socialista, na vice. Ela agora é pré-candidata a deputada federal. 

Busca um nome de centro-direita, para equilibrar, digamos assim.

Ricardo se encaixa na medida.

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