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Letícia Gonçalves

Bet Eleitoral: as apostas que errei e acertei no Espírito Santo

Entenda como as circunstâncias e as alianças de última hora mudaram o jogo dos pré-candidatos ao governo e ao Senado no ES

Publicado em 17 de Agosto de 2026 às 10:28

Públicado em 

17 ago 2026 às 10:28
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
rose de freitas, arnaldinho borgo, sergio meneguelli, paulo hartung e evair de melo.png
Rose de Freitas, Arnaldinho Borgo, Sérgio Meneguelli, Paulo Hartung e Evair de Melo Montagem/A Gazeta
Se existisse uma espécie de bet eleitoral, esta colunista teria perdido algumas apostas. E ganhado outras.

Na pré-campanha, várias candidaturas foram ensaiadas ou especuladas e nem todas vingaram. O último sábado (15) marcou o fim do prazo para registro de candidatos na Justiça Eleitoral.


Aliás, ele nem participou da convenção estadual do PSD, realizada no último dia 5. Aparentemente, está afastado das articulações políticas locais.

O ex-governador manteve nos últimos anos a vida mais voltada à atividade na iniciativa privada e em São Paulo. 

Apesar de não ter sido verbalmente incisivo durante a pré-campanha sobre o que iria fazer nas eleições, nunca se comportou realmente como alguém que pretendia mesmo disputar.

ARNALDINHO BORGO

Outro pré-candidato ao governo do Espírito Santo que não apareceu nas urnas foi o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). 

Também nunca botei fé que ele conseguiria, considerando o contexto em que tentou deslanchar a candidatura. 

No grupo do então governador Renato Casagrande (PSB), do qual faz parte, ficou sem espaço, já que o socialista preferiu apoiar o então vice, Ricardo Ferraço (MDB), como sucessor.

Ao lado do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), como Arnaldinho chegou a tentar, não teria como. O próprio Pazolini é candidato ao Palácio Anchieta.

Ir para a disputa isolado, só com o já pouco expressivo PSDB, seria muito arriscado. 

De forma que o tucano preferiu permanecer na Prefeitura de Vila Velha e hoje é um cabo eleitoral de Ricardo.

ROSE DE FREITAS

Agora, é preciso reconhecer que a ex-senadora Rose de Freitas (MDB) é uma que não apenas eu, mas a maioria das pessoas não acreditava que conseguiria ser candidata ao Senado. Ao menos não pelo MDB. 

Ela insistiu e conseguiu.

Durante meses, não havia nem clima no MDB-ES para colocar a candidatura de Rose de pé. O presidente estadual do partido, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, tentou disputar o mesmo cargo. 

Outros integrantes do grupo casagrandista, como o prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSB), também.

Mas esses desistiram, e Rose persistiu, com apoio da cúpula do MDB nacional.

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SÉRGIO MENEGUELLI


O deputado estadual e ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli (PSD), nos bastidores, já era considerado carta fora do baralho na tentativa de disputar o Senado.

Ninguém via um palanque em que o nome dele poderia ser encaixado na chapa majoritária.

Isso na hipótese de o PSD coligar com o partido de algum dos candidatos ao governo.

A sigla, entretanto, decidiu lançar-se sozinha na corrida pelo Senado, justamente para garantir a candidatura de Meneguelli. 

Com a manobra, o presidente estadual do PSD, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, evita que, daqui a dois anos, o ex-prefeito dispute contra ele.

EVAIR DE MELO

O deputado federal Evair de Melo é hoje candidato ao Senado pelo Republicanos. Por meses, ainda filiado ao PP, ele tentou migrar para o PL, mas não conseguiu espaço para disputar no partido do senador Magno Malta.

De forma que, nos bastidores, o que se acreditava era que Evair seria, no fim das contas, candidato à reeleição.

Mas ele trocou de partido, foi para a legenda de Lorenzo Pazolini e, lá, conseguiu ser lançado ao Senado.

O partido de Pazolini, aliado ao PL, fechou as portas para Meneguelli, o que deixou a avenida aberta para o deputado federal.

AS CIRCUNSTÂNCIAS, SEMPRE ELAS

Claro que, primeiramente, a vontade de uma pessoa disputar faz diferença. Mas o fator definitivo são as circunstâncias.

Arnaldinho Borgo, por exemplo, queria muito disputar o governo do Espírito Santo, embora tenha prometido em 2024 não concorrer em 2026.

Fatores alheios à vontade do prefeito de Vila Velha, entretanto, o forçaram a cumprir a promessa.

Já a resiliência de Rose e Evair frente às circunstâncias importou porque as circunstâncias mudaram.

Meneguelli, por sua vez, vai aparecer nas urnas graças a Renzo Vasconcelos, que preferiu cumprir a palavra dada ao correligionário em vez de pagar para ver se o ex-prefeito de Colatina disputaria mais uma vez o comando do Executivo municipal em 2028. 

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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