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Letícia Gonçalves

O que mais pesou na escolha dos vices de Pazolini e Ricardo

A conveniência partidária falou mais alto. Só que isso tem um preço

Publicado em 15 de Agosto de 2026 às 09:27

Públicado em 

15 ago 2026 às 09:27
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Eliane Leal, Lorenzo Pazolini, Camillo Neves e Ricardo Ferraço
Eliane Leal, Lorenzo Pazolini, Camillo Neves e Ricardo Ferraço Divulgação e Cid Costa
O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) escolheu a policial militar da reserva e pastora evangélica Eliane Leal (PL) como vice na disputa pelo Palácio Anchieta. O governador Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição, optou pelo vereador de Vitória Camillo Neves (PP).

Camillo e Eliane têm seus méritos e formas de complementar as respectivas chapas, para o bem ou para o mal. Mas o fator decisivo que os levou a serem ungidos pelos postulantes ao governo pouco tem a ver com suas características pessoais ou trajetórias políticas.

No palanque de Pazolini, o que prevaleceu foi a vontade do PL. No de Ricardo, a da superfederação, formada por PP e União Brasil.

Vices podem ter peso na escolha do eleitor, sim, em maior ou menor grau. "Mas ninguém vota em vice", observou um aliado de Pazolini à coluna.

Ao escolher o nome que vai acompanhá-los durante a campanha e, se eleitos, durante a gestão, os candidatos, porém, sinalizam a forças políticas e a um nicho do eleitorado.

Pazolini, claramente, decidiu fortalecer ainda mais o partido do senador Magno Malta, que já tem uma vaga de candidata ao Senado na chapa, preenchida por Maguinha Malta, filha do senador.

Ricardo, por sua vez, atendeu a um pleito da União Progressista.

O Partido Liberal é um parceiro estratégico para o ex-prefeito de Vitória e o mesmo se pode dizer da superfederação para Ricardo.

O palanque de Pazolini conta apenas com PL, Republicanos e Democrata. Obrigatoriamente, o vice, ou a vice, teria que ser uma pessoa que é filiada ao menos desde o início de abril a uma dessas três siglas.
 
O universo de opções do ex-prefeito, portanto, era um tanto limitado. A ideia era escolher uma mulher, de preferência evangélica. E o PL tinha nomes a oferecer.

Contemplar, de novo, o partido de Magno, entretanto, tem um preço.

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A primeira consequência já veio. O Democrata se sentiu desprestigiado e chegou a romper com Pazolini.

O Democrata35, antigo PMB (não confundir com o antigo DEM) é uma sigla de pouca expressão, mas seria um desfalque no palanque do republicano.

Na manhã deste sábado (15), contudo, foi anunciada a reconciliação: "Essa reconciliação não anula a identidade de cada legenda, mas soma forças para a construção de uma convergência sólida, capaz de oferecer soluções reais para a população do nosso estado", diz nota assinada pela direção estadual do Democrata35.

Abraçar Magno de corpo e alma, por si só, envolve outras escolhas e renúncias. 

A vice do PL tem um perfil bem voltado à extrema direita, parecido com o do senador e de Maguinha.

Pazolini, assim, finca mais o pé no eleitorado ultraconservador e se afasta dos eleitores de centro e centro-direita.

A saia justa que o prefeito viveu na convenção estadual do Partido Liberal mostrou que nem o próprio republicano consegue rezar de cor e salteado a cartilha mais radical do bolsonarismo.

Mas Pazolini tampouco se opôs, de pronto, ao discurso antivacina de Magno, por exemplo.

DISPUTA INTERNA

Ricardo Ferraço, por sua vez, tem um palanque amplo, mas a federação União Progressista é a aliada mais robusta, em termos de estrutura, verba do fundo eleitoral e chapas completas de candidatos a deputado federal e estadual.

PP e União Brasil, ao firmar a parceria com o emedebista, deixaram evidente que faziam questão de uma vaga na chapa majoritária (vice ou Senado).

Por fim, exigiram a vice. Os nomes apresentados pela federação a Ricardo não agradaram, inicialmente, à maioria dos integrantes da aliança.


Após um período de tensão e disputa interna, chegou-se ao consenso da escolha de Camillo Neves. 

Prefeitos aliados a Ricardo preferiam alguém que tivesse mais densidade eleitoral na Grande Vitória, como o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT), mas este descartou a ideia

O governador não teve muitas opções também, considerando que deveria apontar alguém da federação.

E escolheu o pouco conhecido Camillo. O vereador não desponta, hoje, como possível candidato ao governo em 2030, ao contrário dos cálculos feitos por aliados de Ricardo a respeito de Vidigal.

Isso ajudou a formar o consenso. 

Camillo "rejuvenesce" a chapa. Ricardo tem 62 anos. O parlamentar, 34.

Mas não contempla o eleitorado feminino como, em tese, a pastora Eliane Leal pode fazer por Pazolini.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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