O secretário da Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, não podia ser mais explícito quando, na quarta-feira (17), repercutiu o decreto do governador do Estado que, na véspera, determinou quarentena de 14 dias com restrições de serviços e atividades, exceto os essenciais: “Precisamos nos programar para ficar esses 14 dias em casa; se essas medidas falharem, não haverá leitos de UTIs para todos”. “As medidas são duras, mas extremamente necessárias”, completou.
O secretário tem sido incansável, desde o início da pandemia, em alertar os capixabas sobre a necessidade de seguir as recomendações das autoridades de saúde de respeitar o isolamento social, usar constantemente a máscara e sempre higienizar as mãos, já que não há tratamento precoce que possa estancar a disseminação da Covid-19. E a imunização, através da vacinação, sabemos todos, caminha a conta gotas, alcançando até agora pouco mais de 4% da população.
A persistente e comovente pregação do secretário de Saúde tem razão de ser: o nível de ocupação de leitos de UTI no Espírito Santo, que nunca havia ultrapassado a 80%, superou, no fim de semana, a marca de 90%. A nova onda de disseminação do vírus aumentou a quantidade de óbitos em 11,4% na primeira quinzena de março em relação ao mesmo período do mês anterior. Dezessete municípios do Estado passaram a ser classificados no risco alto de contaminação.
Não havia outra alternativa para o governador senão decretar novas medidas de restrições. Por isso, recebeu o apoio imediato dos outros poderes – Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas – e dos dirigentes mais conscientes da indústria, do comércio, da agricultura, dos transportes e das religiões.
“O que estamos fazendo é o certo, vamos cumprir o nosso dever”, disse o presidente do Tribunal de Contas, Rodrigo Chamoun, conclamando os capixabas a respeitarem as restrições. E é o que nos cabe fazer, já que o novo comportamento da doença, como alerta o secretário de Saúde, está levando a óbito um grande número de pessoas entre 18 e 44 anos que não tinham qualquer comorbidade, o que se contrapõe à percepção de que só os idosos com comorbidade estariam vulneráveis à contaminação.
A esperança que fica é a de que a quarentena dos próximos 14 dias resulte em redução dos índices de ocupação de leitos hospitalares e da quantidade de contaminados e de óbitos para que não corramos o risco de ficarmos sem vaga nos hospitais e termos a quarentena prorrogada. Cabe a cada um de nós contribuir para que essa situação de colapso não ocorra.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta