No meio do colapso do sistema de saúde brasileiro causado pelo repique avassalador da Covid-19, o Espírito Santo tem consolidado a sua posição de referência na condução das providências de combate à pandemia. Isso não significa, como alerta o secretário de Saúde, Nésio Fernandes, que os capixabas estão livres de uma terceira onda de contaminação. Mas, justiça se faça, o Espírito Santo tem sido competente na gestão da ocupação dos leitos hospitalares dedicados às pessoas contaminadas.
Essa boa gestão permitiu que os profissionais de saúde capixabas socorressem brasileiros de outras regiões em que os leitos de UTI se esgotaram. Foram 36 os doentes que vieram do Amazonas e 16 os de Rondônia. Desses, a maioria já retornou curada aos seus Estados. Desde quarta-feira (03), o Espírito Santo recebe doentes contaminados pela Covid-19 vindos de Santa Catarina.
Enquanto na maior parte dos Estados brasileiros a ocupação dos leitos hospitalares está em 100% ou próxima desse percentual, no Espírito Santo ela se mantém em torno de 75%. Isso decorre da boa administração da Secretaria Estadual da Saúde, que acompanha de perto a evolução da contaminação e se antecipa às variações na quantidade de infectados. É por essa razão que o secretário da Saúde alerta para a ameaça de aumento da ocupação de leitos em março e abril, quando a pandemia coincidirá com a sazonalidade das doenças respiratórias, e anuncia a abertura de 157 novos leitos nas próximas semanas.
A decisão do governo estadual de acolher doentes de outros Estados da federação é correta e merece aplausos. É uma atitude humanitária em um país assolado pela maior crise sanitária dos últimos cem anos e que vê o governo federal se omitir na coordenação desse tipo de socorro. Da mesma forma, merece aplausos o esforço do governador em procurar pressionar o governo federal em favor da liberação e compra de novas vacinas, já que a vacinação em massa é o único caminho possível para controlar a pandemia.
Os brasileiros sabem que, se dependesse do governo federal, até hoje a vacinação não estaria iniciada. E se a vacinação é interrompida a quase toda semana, outra razão não há senão a pachorra com que a questão foi e é tratada pelo Ministério da Saúde. Vale assim a pressão dos governadores para que o governo federal assuma uma atitude mais ativa contra a Covid-19.
Ou que pelo menos deixe de atrapalhar e pare de promover aglomerações, inventar piadas contra o uso de máscaras, criticar as restrições à circulação de pessoas e fazer gracinhas com coisa séria, fingindo acreditar que a Covid-19 não passa de uma gripezinha que está no finzinho e que quem se vacina pode virar jacaré.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta