Uma família de macacos guigós foi flagrada no Monumento Natural Estadual Serra das Torres (Monast), em Atílio Vivácqua, no Sul do Espírito Santo. O registro raro, feito no dia 21 de maio, foi divulgado pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) nesta segunda-feira (8).
No vídeo, um casal de macacos e três filhotes aparecem bem juntos nos galhos de uma árvore. O flagrante é considerado uma raridade devido aos hábitos discretos da espécie, que costuma evitar o contato visual. “Eles estavam despertando, tanto é que ainda dá para ver as caudas enroladas. Esse registro mostra a importância do Monast para a conservação da biodiversidade da região, funcionando como um grande refúgio da vida silvestre”, destacou a pesquisadora Paloma Santos.
De acordo com o gestor do Monast, Marcos Paulo Rodrigues Almeida, o episódio reforça a necessidade do monitoramento constante da fauna por meio de novas tecnologias. Ele explicou que ferramentas como o drone térmico permitem identificar os animais com total segurança e o mínimo de interferência no ambiente natural, fornecendo dados fundamentais para orientar as estratégias de proteção das florestas.
Conheça a espécie
De nome científico Callicebus personatus, o macaco guigó também é conhecido como saúa, sauá-de-cara-preta ou guigó-mascarado — conforme dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Encontrada em áreas de Mata Atlântica do Espírito Santo e de Minas Gerais, essa espécie passa a maior parte do tempo nas copas das árvores e vive em pequenos grupos familiares, alimentando-se de frutos e vegetais.
Atualmente, o primata é classificado como vulnerável à extinção pelo ICMBio, pela União Internacional para a Conservação da Natureza e pelas listas oficiais de espécies ameaçadas do Espírito Santo. Entre as principais ameaças à espécie estão a perda e a fragmentação de habitat, além dos impactos provocados por surtos de febre amarela.
O Monast
Localizado entre os municípios de Atílio Vivácqua, Muqui e Mimoso do Sul, o Monumento Natural Estadual Serra das Torres (Monast) é a maior unidade de conservação de proteção integral no Espírito Santo, segundo o Iema.
Com cerca de 10 mil hectares (100 milhões de m²) de extensão, a extensa área de Mata Atlântica localizada no sul capixaba abriga mais de 200 tipos de plantas e mais de 240 espécies de animais — incluindo algumas ameaçadas de extinção. O local é lar de jaguatiricas, lontras e preguiças-de-coleira, além do "exclusivo" sapo-pulga, anfíbio encontrado apenas no Monast.