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É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

A canseira causada pela pandemia e a esperança nas próximas eleições

Ando muito triste com o que tenho visto, lido e ouvido nesses dias de acirramento da pandemia

Publicado em 05/03/2021 às 02h00
Atualizado em 05/03/2021 às 02h02
Pessoa usando máscara na pandemia
Tenho preferido não acompanhar de perto as notícias trágicas nem conversar muito sobre o assunto. Crédito: Freepik

Ando muito triste com o que tenho visto, lido e ouvido nesses dias de acirramento da pandemia. Não é pra menos. Crescem em ritmo acelerado a contaminação, as mortes e o nível de ocupação dos leitos hospitalares em muitos lugares. Doentes graves começam a circular pelos ares em busca de leitos vagos.

Tenho preferido não acompanhar de perto as notícias trágicas nem conversar muito sobre o assunto. Me restrinjo a tentar saber das curvas de tendências. Os números por si já não me dizem muita coisa, exceto para demonstrar que a vaca está indo, sozinha, para o brejo. Carrego uma grande melancolia em viver um tempo tão ruim, desses que geram sensações de impotência em larga escala.

Não acredito na equipe do Ministério da Saúde faz muito tempo. Não vejo nela alguém em quem possa confiar. Todos, inclusive o ministro fortão, me passam a mensagem de que estão tentando me enganar, que estão mais preocupados em esconder o tamanho da tragédia anunciada e em disfarçar a falta de competência, seriedade e disposição para dar conta do recado. Já não sinto raiva nem tenho pena dessa equipe. Que a História cuide de cada um e que a Justiça faça com que todos se arrependam amargamente dos respectivos desmandos e descasos.

Como não existe vácuo de poder, vejo gente nova assumindo posição de enfrentamento da pandemia em busca de palmas e, sobretudo, de mais peso político. As eleições no Congresso mudaram radicalmente a distribuição de forças entre os Poderes da República. Os governadores e prefeitos ganham aliados importantes nessa peleja para conseguir vacinas.

Mas não há como deixar de ler as manchetes sobre as sandices e bravatas que esse presidente de alguns vai produzindo em escala. Já li, faz tempo, que ele se move de acordo com estratégia muito bem estruturada e objetiva, orientada para desgastar instituições, lideranças e valores. Isso, sem falar nos seus traços psicológicos e de personalidade, próprios dos que não aceitam contraposição, sinais de infidelidade e tudo o mais que possa expressar conspiração de qualquer natureza contra si e seus interesses. Não sei onde isso vai parar.

Sei de gente que acredita piamente nas palavras e investidas presidenciais e que apoia e acha bom que ele continue comprando briga, vendo chifre em cabeça de burro. Respeito o direito de escolha e de opinião, mas as pesquisas mostram que essa turma está encolhendo.

As eleições estão no fim do túnel. Daqui pra frente devem surgir movimentações políticas de toda ordem que vão provocar reações contundentes para tentar anulá-las no nascedouro, em favor de polarizações conhecidas.

Tenho preguiça de ver esse filme novamente. Torço para que o segundo turno das próximas eleições para presidente ofereça ao menos uma alternativa para que eu possa dar um voto esperançoso.

*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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