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Pandemia da Covid trouxe a
necessidade mundial
por papel higiênico,
provocando aumento no
consumo de celulose
Pandemia da Covid trouxe a necessidade mundial por papel higiênico, provocando aumento no consumo de celulose. Crédito: Ricardo Teles/Suzano

Vendas de celulose crescem e amortecem a recessão econômica

Em meio à pandemia, setor se reergueu, deslanchou e ainda minimizou os prejuízos para a economia do Espírito Santo

Publicado em 03/12/2020 às 03h03

A pandemia do novo coronavírus fez oscilar o desempenho de diversos setores econômicos, provocando, inclusive, queda na produção e comercialização de produtos para outros mercados. Na contramão dos impactos provocados pela doença, o setor de celulose e papel conseguiu deslanchar e ainda impediu uma queda mais significativa do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba, segundo indicadores econômicos.

Apesar de o ano de 2019 ter sido difícil, a Suzano anunciou investimentos importantes para o Espírito Santo, que somam quase R$ 1 bilhão. Fazem parte desse aporte a modernização da planta industrial de Aracruz, a expansão da base florestal e a construção de nova fábrica em Cachoeiro de Itapemirim.

O economista-chefe da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e diretor-executivo do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Estado (Ideies), Marcelo Saintive, ressalta que o setor de papel e celulose representa cerca de 8% da atividade econômica do Estado.

Na indústria de transformação, excluindo a extrativa, esse segmento chega a 20% da geração de riquezas da economia capixaba, segundo dados do Indicador de Atividade Econômica do Espírito Santo (IAE).

“Esses dados já demonstram a relevância do setor para a nossa economia. O segmento passou por um momento difícil em 2019, por conta da queda no preço da commodity e da redução da demanda, que afetaram o mercado mundial como um todo. Em 2020, ao contrário de alguns setores, a expectativa é de uma melhora ainda maior para o segmento. Isso porque a pandemia não impactou o setor. Pelo contrário, a indústria vem performando bem e crescendo significativamente”, avalia.

Floresta de eucalipto da Suzano
Suzano investiu em ampliar o raio de atuação da base florestal. Crédito: Chico Guedes/Arquivo

Na comparação de agosto de 2020 com agosto de 2019, a produção cresceu 45,6%, segundo Saintive. “Os dados demonstram a relevância e uma recuperação importante. Prova disso, foi a divulgação do plano de crescimento da empresa, que foi feito antes da pandemia. Ao todo, serão R$ 4,2 bilhões em investimentos no Brasil, sendo quase R$ 1 bilhão no Espírito Santo”, aponta.

Entre os projetos estão a modernização da planta industrial de Aracruz, com potencial de aumentar a produtividade. “Esse tipo de investimento amplia a eficiência em toda a cadeia produtiva, incluindo os fornecedores”, observa o diretor-executivo do Ideies.

Ele destaca ainda os reflexos da implantação da fábrica de papel higiênico no Sul do Estado e da expansão da área de plantio de eucalipto. “Ao ampliar o raio de atuação florestal, a companhia aumenta a eficiência e reduz o frete. Esse, por si só, é um setor capaz de impulsionar e ajudar a recuperação econômica do Estado de forma rápida. A oportunidade de sair da crise vai ser promovida pela celulose”, avalia.

Marcelo Saintive

Diretor-executivo do Ideies

"Ao ampliar o raio de atuação florestal, a companhia aumenta a eficiência e reduz o frete. Esse, por si só, é um setor capaz de impulsionar e ajudar a recuperação econômica do Estado de forma rápida. A oportunidade de sair da crise vai ser promovida pela celulose"

De acordo com dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o PIB capixaba apresentou queda de 5,9% no segundo trimestre de 2020 em comparação os primeiros três meses do ano. No acumulado de 2020, o recuo foi de 6,1% - superior à queda de 5,9% registrada no país. O comércio exterior contribuiu para esse resultado. A exportação e a importação de mercadorias faz com que o Estado seja mais suscetível às variações do mercado externo.

Além disso, como a China é um dos principais destinos dos produtos capixabas e o maior consumidor mundial de commodities, a paradeira na economia do gigante asiático no primeiro trimestre devido à pandemia, foi sentida também pelo Espírito Santo.

Mas o diretor de Integração e Projetos Especiais do IJSN, Pablo Lira, reforça que os investimentos anunciados pela Suzano vão ajudar a dar um salto na produção, influenciando diretamente no crescimento da economia, na geração de emprego e renda e equilíbrio do crescimento regional do Estado. As expectativas, segundo ele, são muito boas principalmente para o final de 2020 e para 2021.

- 5,9%

FOI A QUEDA DO PIB CAPIXABA NO 2º TRIMESTRE EM RELAÇÃO AO MESMO PERÍODO DE 2019

“Esses são fatores importantes para os próximos anos, com a expansão da produção industrial do Estado. A nova fábrica da Suzano no Sul do Estado, por exemplo, vai ter um efeito multiplicador, contribuindo para o crescimento da Região Sul. Além dos investimentos anunciados pela empresa, estamos na expectativa da retomada das atividades da Samarco, prevista para dezembro de 2020, paralisadas desde o desastre de Mariana, em 2015. Mesmo com os impactos da crise provocada pela pandemia, temos boas expectativas para o PIB do Estado”, avalia.

Ele lembra que a celulose é um dos principais produtos que compõem a base industrial do Espírito Santo e que impactam diretamente nos resultados, assim como o petróleo e a mineração. Outro fator que deve contribuir para o crescimento capixaba é a retomada da economia em outras partes do mundo, como na China.

O vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Leandro Lino, ressalta a importância de toda a cadeia produtiva da fábrica de celulose ao longo dos anos. “Quando analisamos o PIB associado aos bens e serviços, o resultado final acaba tendo um grande peso. A planta industrial da Suzano gera muitos empregos e se relaciona com diversos fornecedores, por isso tem uma contribuição tão importante economicamente”, diz.

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