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Pátio de minério de ferro da Vale no Complexo de Tubarão: empresa estuda produzir um novo produto a partir desse material
Pátio de minério de ferro da Vale no Complexo de Tubarão: empresa estuda produzir um novo produto a partir desse material . Crédito: Marcelo Rosa/Agência Vale/Divulgação

Espírito Santo dá largada na briga pelo ferro verde

Vale estuda fabricar no Brasil o HBI. O produto, feito de minério, tem mais valor agregado que as pelotas e é mais sustentável

Publicado em 03/12/2020 às 01h00

O Espírito Santo está na disputa com outros Estados para sediar um investimento no setor de mineração para fabricação de um novo produto menos poluente. A planta para produzir o “ferro verde”, chamado de HBI (Hot Briquetted Iron), está nos planos da mineradora Vale. O produto feito com minério ferroso tem mais valor agregado e é ecologicamente mais sustentável que as pelotas.

Em julho de 2020, a Vale anunciou o estudo para criar uma nova empresa, que vai fornecer soluções metálicas e siderúrgicas de baixo carbono. Chamado de NewVen, o negócio conta com um acordo não vinculativo com o conglomerado japonês Kobe Steel e Mitsui. Essa união pode viabilizar o projeto de HBI no Espírito Santo, com uma linha de produção mais sustentável e com baixa emissão de gás carbônico (CO²).

O HBI é uma redução do minério que se transforma em um elemento de qualidade superior ao ferro-gusa. É um processo posterior à pelotização e anterior à siderurgia. Usado para produzir aço de mais qualidade, é três vezes mais valorizado que a pelota. Mas a produção do “ferro verde” - que libera siderúrgicas de usarem poluentes na transformação do minério em aço - depende de uma série de fatores, principalmente no setor de energia. O diretor da DVF Consultoria, Durval Vieira, explica que a instalação do empreendimento deve ser concretizada após a entrada em vigor do novo mercado de gás, que promete baratear o preço desse combustível.

“A Vale pode implantar o complexo siderúrgico na região de Ubu, em Anchieta. A pelota produzida pela mineradora tem de 72% a 74% de ferro, mas, com a HBI, pode chegar a 96%. Usar o gás no minério será muito atrativo para o mercado. A companhia já tem feito vários estudos para agregar valor à pelotização, mas tudo vai depender da lei do gás. O HBI vai competir com a sucata, que vira matéria-prima nas aciarias elétricas”, considera Vieira.

US$ 125

É O PREÇO DA TONELADA DE MINÉRIO DE FERRO ENTRE SETEMBRO E OUTUBRO

O empreendimento, no entanto, está no radar de outros Estados, que querem atrair a mineradora. Mas o Espírito Santo tem tomado medidas para manter o investimento, que no início do século já era estudado pela Vale para o território capixaba. Uma das ações para manter o projeto em solo capixaba foi aprovar a lei estadual de gás, que permite a compra do combustível pelas empresas locais de qualquer fornecedor no mundo.

A Vale informou que está buscando alternativas para atender às demandas do mercado por produtos com baixa emissão de CO2, como é o caso do HBI, usado como insumo em fornos elétricos de siderúrgicas.

Vale

"Como maior produtor mundial de pelotas de minério de ferro, matéria-prima necessária para a produção de HBI, a Vale tem confiança que será possível atrair investidores para viabilizar essa indústria no Brasil. A condição para esta iniciativa é o barateamento do custo do gás, combustível usado no processo de produção do HBI. A Vale está conduzindo estudos de engenharia de planta industrial para apoiar na atração de investidores para projetos de HBI no Brasil"

Esse item elimina o uso do coque ou carvão metalúrgico na siderurgia e tem alta concentração de ferro para corresponder as novas ações industriais na Europa, diante do Acordo de Paris, que estabelece queda na produção de poluentes.

MINERAÇÃO SE RECUPERA

Após sofrer com tragédias ambientais, o setor de minério de ferro no Espírito Santo se deparou com a crise do coronavírus, que reduziu a demanda pela commodity. Embora a pandemia não tenha acabado, a busca por aço no mercado doméstico e o apetite chinês, que voltou após a China controlar o avanço da doença no país, têm permitido uma nova valorização do minério e das pelotas.

O insumo é a base para o setor siderúrgico mundial. A nova cotação do mineral vai contribuir para a recuperação da indústria e deve elevar a produção de pelotas, que têm se mantido abaixo da capacidade das usinas do Complexo de Tubarão, em Vitória.

"Passado o período mais crítico da Covid-19, a China voltou com muita fome para o mercado de mineração, provocando forte aquecimento. Hoje o preço do minério está muito bom, sendo comercializado a mais de US$ 100. Isso tem estimulado o setor no Brasil, e a Vale está nadando de braçada", explica Durval Vieira.

Outro ponto positivo para a retomada da mineração capixaba, destacado pelo executivo, é o retorno da Samarco, que deu início à volta, após cinco anos sem operar.

Durval Vieira

Diretor da DVF Consultoria

"Acreditamos que a mineração vai passar por um período muito bom pelos próximos dois anos. As expectativas são as melhores. O momento é muito bom para a Vale e também será para a Samarco"

Prova dessa boa perspectiva do mercado de mineração vem, por exemplo, do preço da comercialização do minério. De fevereiro a maio, a tonelada estava por volta de US$ 80 e nos meses de setembro e outubro chegou a valer US$ 125, no pico, ou seja, uma alta de 50%.

“Os preços estão muito bons. A Vale e a Samarco mudaram seus processos de produção e passaram a trabalhar com o rejeito a seco, evitando a construção de barragens líquidas. Isso tem ajudado muito e dá mais segurança ao processo”, pontua Vieira.

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