Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 09:37
Pequeno em território, mas gigante em produção agrícola. Com pouco mais de 46 mil km², o Espírito Santo cultiva café, pimenta-do-reino, gengibre e produz ovos e outros alimentos, que saem dos campos capixabas e viajam pelo mundo, mais especificamente, para 125 países. >
Para viabilizar o comércio agrícola, em 2004, surgiu o programa Caminhos do Campo, conduzido pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag). O objetivo é conectar as comunidades rurais às rodovias estaduais e federais, possibilitando o transporte dos produtos capixabas. >
Hoje, são mais de 1.300 quilômetros de estradas pavimentadas desde o início do programa em 2004. Foram contemplados 142 trechos em 66 municípios, que fortalecem a logística da economia agrícola e melhoram a vida de quem vive no campo. De acordo com o secretário de Estado de Agricultura, Enio Bergoli, o progresso viabiliza a criação de novas agroindústrias, iniciativas de agroturismo, artesanato e geração de renda.>
Além da agricultura e da economia, o programa facilita também o acesso dos moradores do campo à saúde, educação e segurança. “Quando pavimentamos uma via rural, estamos garantindo o ir e vir das pessoas, impulsionando o desenvolvimento local”, afirma.>
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Na Região Serrana, já são 38 quilômetros de obras e R$ 77 milhões aplicados; no Caparaó capixaba, 30 quilômetros receberam investimento de R$ 53 milhões; na Região Sul, são 25 quilômetros com R$ 45 milhões aplicados; por fim, na Grande Vitória, 26 quilômetros de estradas contam com R$ 47 milhões investidos.>
Alguns dos exemplos de destaque são o Circuito Parque do Caparaó, que liga comunidades ao eixo da BR 262, e o trecho que conecta a comunidade de Pau D’Alho, em Guarapari, à rodovia BR 101.>
Mas o Caminhos do Campo ainda tem muito a trilhar. O secretário adianta que o governo aprovou carta-consulta com o Banco Mundial, o que deve garantir mais recursos para abrir novos caminhos e revitalizar trechos antigos. “É um futuro muito promissor”, ressalta Bergoli.>
Quem vive de perto esse impacto positivo são os produtores e as cooperativas. O presidente do Sistema OCB/ES, Pedro Scarpi Melhorim, afirma que o investimento nas rodovias é uma “via de mão dupla”. O acesso facilitado do produtor às cidades contribui para o conhecimento de novas tecnologias, que podem melhorar a produção, o que ele chama de ciclo virtuoso.>
“Ainda vemos um caminho a ser trilhado até que o Estado tenha uma infraestrutura rodoviária que não apenas comporte o crescimento, mas estimule o desenvolvimento. Nosso futuro passa por nossas estradas”, pontua Melhorim.>
Integrante do Sistema OCB/ES, a Cooperativa de Laticínios Selita, de Cachoeiro de Itapemirim, coleta leite de propriedades de diversas partes do território capixaba. Alan Diones, chefe da Assistência ao Cooperado, explica que a melhoria nas estradas trouxe mais segurança e economia nesse processo.>
“Havia perda de produção, prejuízo com manutenção dos caminhões e riscos para os motoristas, já que algumas estradas eram perigosas. Diminuímos os acidentes e custos, pois as estradas são melhores e o veículo gasta menos combustível”, diz.>
Um dos cooperados da Selita, João Batista, relembra que a região onde sua propriedade está localizada, na zona rural de Alegre, foi contemplada em 2005, ainda no início do programa Caminhos do Campo. “A maior tecnologia hoje não é a internet, é o acesso viário. Ter estradas de qualidade é o maior desenvolvimento que o governo pode fazer pelos produtores rurais”, ressalta o produtor.>
Leone Bull, presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais do Vale do Benevente (CoopBenevente), em Alfredo Chaves, avalia a atual conjuntura logística. “Algumas estradas eram um desafio, mas o asfaltamento facilitou a mobilidade no campo e incentivou os produtores a melhorarem também a estrutura das suas propriedades”, comenta.>
Luis Brambati, cooperado que cria animais na zona rural de Anchieta, concorda. Atualmente, ele consegue acessar o asfalto a apenas 600 metros de sua propriedade, o que facilitou a coleta de ração na sede da cooperativa. “Hoje, vemos essa facilidade na hora que saímos de casa. Você já sabe que vai sair tranquilamente e voltar para casa sossegado”, conta o produtor.>
Com a agroindústria não poderia ser diferente. Bull cita o acesso que liga Alfredo Chaves à Cachoeira Alta, em Prosperidade, no interior de Cachoeiro de Itapemirim, que permite o tráfego de veículos de grande porte que seguem para as áreas industriais na zona rural. >
O agroturismo também é fortemente beneficiado pelo programa. “O turista que está no litoral e vai visitar as montanhas quer uma estrada em que seu veículo possa trafegar, onde ele possa chegar facilmente aos locais e desfrutar do passeio”, afirma Bull.>
A situação da infraestrutura no campo vai além da construção de estradas. A garantia de que o saneamento básico esteja presente nas comunidades rurais é outro fator essencial para contribuir com a produção e a qualidade de vida no campo. Segundo a Seag, um amplo programa será preparado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente para contemplar essas áreas com ferramentas essenciais. >
Em parceria com o governo estadual e prefeituras, a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) realiza o Programa Pró-Rural, que leva água tratada e saneamento a comunidades de até 1.500 habitantes e conta com gestão das próprias comunidades. >
Desde 2023, o programa recebeu mais de R$ 40 milhões em investimentos, beneficiando 27 mil pessoas em locais como Barra de São Francisco, Nova Venécia, Água Doce do Norte e Alto Rio Novo. Além disso, a Cesan anuncia que realiza o maior investimento de sua história, com mais de R$ 11 bilhões em obras e projetos em todo o Espírito Santo. “A chegada da água tratada melhora a saúde e traz mais segurança e dignidade às comunidades, fortalecendo a agricultura familiar. O produtor passa a contar com um abastecimento regular e confiável para o consumo e para suas atividades no campo”, frisa a companhia.>
Além disso, duas multinacionais venceram leilão para fazer parceira público-privada com a Cesan para tratamento de esgoto em 43 cidades, o que também vai contribuir para uma nova infraestrutura no interior.>
Outra empresa que contribui com o saneamento no interior é a BRK Ambiental. Por meio do projeto Fonte de Futuro, mais de 8,5 mil alunos e 30 mil pessoas em comunidades vulneráveis foram beneficiadas no Tocantins, no Pará, em Macaé (RJ) e Cachoeiro de Itapemirim (ES).>
No Sul do Espírito Santo, a primeira fase da iniciativa contempla as escolas localizadas nos distritos de Alto São Vicente e Monte Alegre.>
“Além da tecnologia, temos a educação socioambiental dos professores e crianças, relacionando o saneamento com o cuidado dos nossos rios, das nascentes, e a conscientização sobre o descarte correto do lixo e dos efluentes”, explica Cláudio Sobrinho, gerente de Operações de Água e Esgoto da BRK.>
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