Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 15:39
As BRs 101, 262 e 259, no Espírito Santo, estão no centro do debate sobre segurança, logística e competitividade econômica. Não é à toa que são rodovias consideradas artérias vitais para o Estado. Por elas, escoam cargas industriais e agrícolas. Além disso, permitem fluxos de turismo e garantem a mobilidade entre o litoral e o interior. >
Apesar da importância, esses corredores logísticos passaram por desafios, que começam a ser desenrolar. Entre os problemas que vão ser corrigidos após investimentos estão a falta de duplicação, curvas perigosas e ausência de travessias urbanas seguras.>
As três rodovias — cada uma com seus desafios e estágios de avanço — formam o retrato de uma infraestrutura que ainda precisa acompanhar o ritmo da economia capixaba. Enquanto novos investimentos são anunciados, empresários, motoristas e gestores públicos mantêm o mesmo objetivo: transformar os principais eixos de transporte do Espírito Santo em estradas mais seguras, modernas e compatíveis com seu potencial logístico.>
O primeiro passo para solucionar esses desafios foi dado com a nova concessão da BR 101 para a EcoVias Capixaba, após mudanças no contrato definindo novas obrigações, prazos e modernizações na rodovia federal. Ao todo, 172 quilômetros vão ser duplicados e 41 quilômetros vão ter faixas adicionais. Há ainda a previsão de passarelas, novos contornos urbanos, passagens de animais e pontos de descanso para os caminhoneiros. A via é a principal conexão do Espírito Santo com a Bahia e com o Rio de Janeiro.>
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“Os investimentos em infraestrutura logística são essenciais para elevar a competitividade da indústria capixaba e impulsionar o desenvolvimento socioeconômico regional. As rodovias federais estão entre as obras mais estratégicas. Destacam-se aquelas que fortalecem a conexão logística do Estado e demais regiões do país”, pontua Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). >
A BR 101 é fundamental para o escoamento da produção agrícola, industrial e mineral, além de ser uma das rotas turísticas mais movimentadas do Estado. Apesar de obras que trouxeram avanços, a rodovia ainda concentra gargalos críticos, especialmente nos trechos de Serra, Iconha e Guarapari, onde o fluxo intenso de veículos pesados e o traçado sinuoso aumentam o risco de acidentes e reduzem a fluidez.>
Segundo o diretor-superintendente da Ecovias Capixaba, Roberto Amorim, a concessionária tem concentrado esforços em segurança e ampliação da via. Atualmente, 117,6 km estão duplicados e 18,6 km seguem em obras, com entregas previstas entre o fim de 2025 e 2026. A meta é concluir 172,8 km de duplicação até o sétimo ano de concessão, além da construção dos contornos de Ibiraçu e Fundão.>
“Somente nos três primeiros anos do contrato modernizado, será investido R$ 1,8 bilhão, com a duplicação de 84 quilômetros da rodovia. Seguindo esse ritmo, em agosto de 2028 teremos um corredor contínuo de pista duplicada, com mais de 200 km de extensão, ligando João Neiva a Atílio Vivácqua”, detalha Amorim.>
Ele afirma que as melhorias devem impactar diretamente a fluidez do tráfego e a redução de acidentes, especialmente nos pontos de maior movimentação de cargas e ônibus.>
Além das obras estruturais, a concessionária atua com o Programa de Redução de Acidentes (PRA), que monitora 50 pontos críticos. As medidas variam desde ajustes na sinalização e implantação de barreiras até o uso de radares e novos dispositivos de segurança, definidos em parceria com a Polícia Rodoviária Federal e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).>
“A aplicação de medidas, desde a mudança da sinalização até a implantação de novos dispositivos, como radares e semáforos, é definida de acordo com o diagnóstico específico de cada ponto. A melhora dos índices de segurança viária é resultado da junção de três fatores: infraestrutura de qualidade, fiscalização efetiva e comportamento consciente dos usuários”, pontua Amorim.>
Outro empreendimento muito aguardado no Espírito Santo é a ampliação da BR 262, principal via de ligação com Belo Horizonte (MG) e com parte da Região Serrana capixaba.>
Após tentativas fracassadas de concessões vinculadas a duplicações, a situação da rodovia terá novo desfecho com acordo do governo do Estado e da União para destinar R$ 2,3 bilhões das compensações recebidas pela tragédia de Mariana para financiar parte das obras necessárias.>
O atual traçado deve virar uma rodovia turística com posse estadual. Um novo desenho será feito para a estrada federal, que será totalmente duplicada. >
Com relevo acidentado e intenso fluxo de caminhões, o trajeto sofre com curvas fechadas, pista simples e falta de acostamento em vários trechos. A estrada é estratégica para o escoamento da produção de Minas Gerais e do interior capixaba, além de integrar o fluxo turístico e logístico entre o litoral e o Centro-Oeste do país.>
Segundo o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Espírito Santo, Romeu Scheibe, os projetos executivos que definirão os trechos prioritários estão em elaboração. “O investimento permitirá modernizar trechos críticos entre Viana e Venda Nova do Imigrante, incluindo contornos urbanos e correção de curvas perigosas, além de melhorias de drenagem, sinalização e dispositivos de segurança”, observa.>
Scheibe ainda explica que o empreendimento está estruturado em três fases. A primeira vai de Viana a Marechal Floriano, com novo traçado já duplicado, três túneis, pontes e viadutos. O segundo segmento, de Marechal Floriano a Pedra Azul, será paralelo à rodovia existente. A terceira fase, de Pedra Azul a Conceição do Castelo, atravessa áreas mais conturbadas e passará por Venda Nova do Imigrante, com restauração e melhorias estruturais.>
“Enquanto aguardamos a finalização dos estudos técnicos e do modelo de contratação, mantemos ações de manutenção emergencial e intervenções pontuais em toda a malha, em parceria com a PRF, garantindo trafegabilidade e segurança”, acrescenta Romeu Scheibe.>
A expectativa é que a nova via tenha menos curvas perigosas para diminuir a frenagem e ampliar a velocidade média da rodovia, resultando em economia de combustível e redução de emissões de CO2. No total, o investimento nas três fases está estimado em R$ 6 bilhões.>
O edital das obras deve sair no início de 2026. Mas, paralalelamente aos estudos de duplicação, o governo federal analisa a possibilidade de passar para iniciativa privada, por meio de concessão, o gerencimento quando a nova estrada for concluída.>
A BR 259, que liga o Norte capixaba ao Leste mineiro, é um eixo essencial para o escoamento da produção agrícola, mineral e industrial do Espírito Santo. Apesar dessa importância estratégica, o trecho ainda enfrenta problemas estruturais e falta de capacidade de escoamento compatível com o volume atual de caminhões e cargas pesadas.>
De acordo com o superintendente do Dnit-ES, a rodovia está dividida em três lotes de intervenção. O primeiro, entre João Neiva e Colatina, já passou por duplicação; o segundo, de Colatina a Baixo Guandu, está em processo de restauração da pista existente; e o terceiro, que seguirá até a divisa com Minas Gerais, deve ter as obras contratadas no início de 2026. >
“Temos cumprido nossa missão institucional, com toda a malha coberta por contratos de manutenção. Nosso foco é avançar na restauração e na entrega de projetos estruturantes, que ampliem a segurança e a eficiência da via”, afirma Scheibe.>
Mesmo com avanços pontuais, a BR 259 ainda não tem projeto de duplicação completa nem previsão de concessão. Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, a elaboração de uma modelagem de gestão e de aporte de recursos federais e estaduais é fundamental para destravar o potencial logístico e econômico da região. Segundo ele, a duplicação da 259 é uma das obras prioritárias para melhorar o fluxo de transporte e a competitividade industrial no Centro-Oeste e Noroeste capixaba.>
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