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Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 15:28
Chegar aos 100 anos nos dias de hoje é uma dádiva difícil de ser alcançada, mas não impossível, pelo menos não para a Dona Alvarina Campos, que não só alcançou, como também ultrapassou. No dia 3 de janeiro, a munizfreirense completou 115 anos de muita saúde e vitalidade.>
Nascida em 1911, no distrito de Piaçu. em Muniz Freire, Região Sul do Espírito Santo, ela conheceu uma época em que a vida no interior era marcada pela dureza do trabalho rural e pela escassez de recursos. Tornou-se testemunha viva de mais de um século de transformações sociais, culturais e religiosas. >
Carinhosamente chamada de Nina, cresceu em meio à roça, ajudando a mãe e as irmãs nas tarefas do campo, em uma rotina marcada pelo esforço diário e pela simplicidade. A força, a coragem e a resiliência vieram de berço. Mãe solteira, Alvarina construiu sua própria história de independência em uma época em que poucas mulheres tinham essa possibilidade.>
Trabalhou por décadas como lavradora nas lavouras de café da região e caminhava 4 km por dia para garantir o sustento da filha e manter a casa. Mesmo sem acesso à educação, aprendeu com o tempo, e hoje carrega uma sabedoria que impressiona quem com ela convive.>
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Hoje, a centenária vive no terreiro do neto, Luiz Campos Gomes, de 54 anos, na comunidade Cristo Rei, em Assunção, distrito de Alto Norte.>
Mesmo aos 115 anos, segue ativa, lúcida e participativa, ajudando nos afazeres do dia a dia, observando a rotina da casa e mantendo sua forte presença de matriarca. Ela é mãe de uma filha, avó de nove, bisavó de oito e tataravó de 13 pessoas, deixando um legado que atravessa gerações.>
Para quem convive de perto com Dona Alvarina, a longevidade não é um mistério, mas resultado de uma vida simples, ativa e profundamente conectada à terra. Segundo o neto Luiz, a avó sempre manteve uma rotina saudável.
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Luiz Campos Gomes
NetoA alimentação baseada em produtos cultivados pela própria família e livres de agrotóxicos sempre fez parte do dia a dia da centenária. Ao longo da vida, ela plantou, colheu e preparou seus próprios alimentos, mantendo uma relação direta com a natureza e com o que colocava à mesa.>
Um hábito curioso, mas nem tão saudável, é o consumo de fumo, mantido até os 80 anos. O tabaco era cultivado por ela e pelas irmãs e fumado em cachimbo, prática comum entre trabalhadores rurais da época. Apesar disso, ela sempre manteve uma vida fisicamente ativa.>
A fé sempre foi um dos pilares da vida de Dona Alvarina. Devota de Nossa Senhora Aparecida, ela participou durante muitos anos de romarias ao Santuário Nacional, em Aparecida (SP), e a religiosidade, aprendida ainda na infância, acompanhou cada fase da sua caminhada. >
Sua história e fé também chamaram a atenção do bispo diocesano de Cachoeiro de Itapemirim, Dom Luiz Fernando Lisboa, que no ano passado visitou a centenária e a classificou como um exemplo de perseverança.>
Dom Luiz Fernando Lisboa
Bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim
A espiritualidade também sempre esteve presente nos momentos familiares. Segundo o neto, a avó fazia questão de reunir filhos, netos e bisnetos, especialmente durante a Semana Santa, para partilhar pratos tradicionais como arroz doce, canjicão e paçoca, preparados com ingredientes cultivados por ela mesma. Mais do que refeições, eram momentos de união e partilha.>
Aos 115 anos, Dona Alvarina Campos segue sendo um símbolo de fé, resistência e amor à família. Uma mulher que atravessou gerações mantendo vivos os ensinamentos da simplicidade, do trabalho e da confiança em Deus.>
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