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Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 08:12
O banco digital PicPay, fundado no Espírito Santo, fez um pedido para vender ações na Nasdaq, bolsa de valores nos Estados Unidos. Caso a negociação se confirme, será a primeira empresa nascida em solo capixaba a abrir capital em território norte-americano. Mas, afinal, o que pode muda para os clientes a partir dessa iniciativa?>
De acordo com o head de Dados e Tendências Macroeconômicas do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), Marcel Lima, para quem tem conta no banco digital não haverá mudança direta em um primeiro momento, mas a movimentação tende a promover saldos positivos no futuro.>
"Os clientes podem ser impactados positivamente, já que a empresa pretende utilizar parte do recurso para a implementação de novos serviços (como seguros, investimentos e crédito), além da melhoria na infraestrutura tecnológica e de segurança", afirma.>
É o valor que a operação pode movimentar
A venda na bolsa norte-americana deve ser a primeira operação do tipo de uma empresa brasileira desde o Nubank, em dezembro de 2021. A estimativa do mercado é que a operação levante até US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,7 bilhões na cotação atual), de acordo com o head do Ibef-ES.>
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Em 2021, o PicPay já havia tentado abrir capital na Nasdaq, mas recuou, uma vez que o mercado global à época começou a sofrer com a alta dos juros e uma aversão a empresas de tecnologia deficitárias. Somente em 2022 a empresa capixaba atingiu o breakeven, quando deixou de dar prejuízo e passou a obter lucro.>
A empresa chegou a ser precificada em menos de US$ 8 bilhões, abaixo US$ 25 bilhões do que inicialmente se aventava, em um momento de juros perto de zero, mas que começaram a subir no mundo todo.>
A expectativa é que a oferta aconteça ainda neste mês, com as apresentações para investidores (roadshows) começando por volta do dia 20 e a definição do preço da ação acontecendo na semana final de janeiro, caso as condições de mercado permitam. Se a operação for concretizada, a ação seria negociada sob o ticker "PICS".>
A operação já nasce ancorada, ou seja, com pedido firme de compra, com US$ 75 milhões do fundo Bycicle, de Marcelo Claure, ex-gestor do Softbank e que também investiu no Nubank e no Inter. A listagem prevê a emissão de novas ações Classe A. Com isso, a J&F Participações, dos irmãos Joesley e Wesley Bastista, continuará no controle do PicPay.>
No prospecto, que está na Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de ações dos EUA), o PicPay destaca a rentabilidade do grupo em expansão, que já entrega 17% de retorno (ROE, na sigla em inglês) e lucro avançando mais de 80% nos primeiros 9 meses de 2025, somando R$ 314 milhões, além de expansão forte de carteira de crédito.>
O banco tem cerca de 66 milhões de clientes, com carteira de crédito de R$ 19 bilhões e receitas de R$ 7,2 bilhões.>
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