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Mais de 76 mil capixabas deixam inadimplência em janeiro

Mais de 76 mil capixabas deixam inadimplência em janeiro

Os dados representam uma redução de 1,8 ponto percentual no cadastro de negativados no Espírito Santo; melhora foi puxada por famílias com renda de até 10 salários mínimos

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 18:13

Negociação de dívidas com Bancos
A taxa de famílias com contas em atraso caiu para 33,9% no mês de janeiro Crédito: Reprodução

O ano de 2026 começou com a inadimplência em retração no Espírito Santo após 76,9 mil capixabas deixarem a condição de negativados em janeiro. A taxa de famílias com contas em atraso caiu para 33,9%, em relação aos 35,7% registrados em dezembro de 2025 — um recuo de 1,8 ponto percentual. 

A redução foi puxada principalmente pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 16.210). Nesse grupo, o índice de inadimplência passou de 40,1% para 38%, o que representa cerca de 73,9 mil pessoas a menos no cadastro de negativados. Entre as famílias com rendimento superior a 10 salários mínimos, a taxa variou de 11% para 10,5%, mantendo-se abaixo da média nacional dessa faixa, de 14,8%.

Apesar da melhora, o patamar estadual ainda é considerado elevado. O índice de 33,9% permanece próximo ao registrado em janeiro de 2025 (33,5%) e à média do ano passado (33,8%). Os dados são do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o resultado é positivo, mas ainda exige cautela. “A redução da inadimplência representa um alívio para milhares de famílias, especialmente as de menor renda. No entanto, seguimos em um patamar elevado e acima da média brasileira, o que mostra que o ambiente de crédito continua pressionado”, avalia.

Dados do Serasa Experian analisados no relatório indicam que o tíquete médio da dívida no Estado foi de R$1.499,10 em janeiro. Cada consumidor inadimplente acumula, em média, quase quatro dívidas.

Outro sinal positivo foi a melhora na percepção de capacidade de pagamento entre as famílias de menor renda. O percentual das que afirmam conseguir quitar integralmente as dívidas no mês seguinte subiu de 13,3% para 15%. Também cresceu a participação de débitos com atraso de até 30 dias — movimento considerado favorável por indicar regularização mais rápida e menor incidência de juros.

Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, as dívidas com atraso de até 30 dias chegaram a 15,7%. No grupo de maior renda, o índice avançou para 33,3%.

Cartão de crédito é a principal causa das dívidas

No perfil do endividamento, o cartão de crédito segue como principal modalidade utilizada: 99,4% das famílias de maior renda e 91,6% das de menor renda declararam recorrer a essa forma de pagamento. Entre os consumidores com rendimento mais baixo, também são frequentes carnês e crédito pessoal, geralmente associados a juros mais altos. Já nas famílias de maior renda predominam financiamentos imobiliários e de veículos.

No total, 89,5% das famílias capixabas possuem algum tipo de dívida a vencer, o que reforça o cenário de atenção, apesar da melhora registrada no início do ano.

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