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Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 14:18
Dermatologistas de várias partes do mundo se reuniram para conhecer resultados de experimentos, novas substâncias e tendências que vão nortear a área no mundo. Sediado em Paris, o International Master Course on Aging Science (IMCAS) é o evento dita as tendências dos próximos meses. >
Os tratamentos voltados para a melhora da qualidade da pele foram os grandes protagonistas da edição deste ano. A Dermatologia atual busca resultados naturais, indo além da simples correção de linhas, rugas ou flacidez, para tratar a pele como um tecido funcional, trazendo mais densidade, firmeza e luminosidade. O SE CUIDA conversou com dermatologistas do Espírito Santo que estiveram no evento.>
Sobre as novas técnicas de injetáveis, a dermatologista Giane Giro conta que uso do ácido hialurônico para preenchimento deve ser pontual, para complementar os tratamentos realizados com tecnologias e ajudar na sustentação da face ou em áreas de embelezamento do rosto, sem o objetivo de corrigir a flacidez através de volumização. "A tendência atual é o uso de injetáveis dentro do conceito de Dermatologia regenerativa, para restaurar e rejuvenescer os tecidos da pele estimulando os próprios mecanismos biológicos do corpo".>
Esses injetáveis são os bioestimuladores de colágeno, os polinucleotideos, células tronco de gordura, plasma rico em plaquetas, entre outros. Os exossomos tem ação regenerativa, mas não estão liberados para uso injetável, sendo usados por via tópica. "Dentre os bioestimuladores de colágeno, a hidroxiapatita de cálcio foi muito comentada pela ação de estímulo de colágeno e por contribuir para a reorganização da matriz extracelular, promovendo a melhora da qualidade da pele. Além disso, os polinucleotideos, de uso recente da Dermatologia e ainda não disponíveis no Brasil, fazem a hidratação profunda da pele, tem ação anti-inflamatória e modulam a matriz extracelular", explica a médica.>
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Novos produtos com ácido hialurônico estão se adequando à tendência atual de promover a regeneração da pele, por isso existem opções de preenchedores combinados a bioestimuladores como a hidroxipatita de cálcio, que estimulam as células que produzem o colágeno, trazendo um efeito prolongado de ação, ao mesmo tempo que repõe o volume perdido com o envelhecimento.
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"Já temos no Brasil um produto híbrido, o HarmonyCa e tivemos um lançamento em Paris, da Neauvia. Além destes, existem muitas opções de produtos coreanos, combinando ácido hialurônico como booster para efeito de hidratação da pele, associado ao ácido polilatico como bioestimulador, que ainda não chegaram no Brasil", conta Giane. >
O tratamento da alopecia androgenética, conhecida como calvície, tem evoluído muito nos últimos anos. Além dos tratamentos consagrados, como o minoxidil, dutasterida e finasterida, novas opções de tratamento tem sido cada vez mais usadas.
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Giane Giro
DermatologistaTambém já é possível medir o processo de envelhecimento por meio de marcadores biológicos e elaborar estratégias baseadas para otimizar o funcionamento do corpo e retardar o envelhecimento biológico para promover longevidade com mais saúde. "Chamamos estas estratégias que modulam o processo do envelhecimento de Biohacking. Ele foi muito comentado em diversas aulas, e consiste em mudanças de hábitos de vida para o melhor controle metabólico, como dieta adequada, sono reparador, equilíbrio do microbioma do intestino, suplementação baseada em evidências e terapias que podem reverter ou desacelerar o envelhecimento epigenético", comenta Giane Giro.>
Quando o assunto são as olheiras, a tendência agora é tratar a qualidade da pele da pálpebra antes de pensar em volume. A dermatologista Pauline Lyrio conta que foi discutido muito na associação de tecnologias e fios de PDO lisos para espessar a pele fina da olheira, além do uso de polinucleotídeos que clareiam e firmam a região sem dar volume excessivo. "O olhar deve ser descansado, não preenchido".>
Já sobre as novidades para o pós-procedimento a palavra de ordem é regeneração. "Os produtos pós-procedimento deixaram de ser apenas 'calmantes' e passaram a ser 'aceleradores de resultado'. A grande estrela são os exossomos tópicos, seja na forma de cremes ou em máscaras faciais, combinados a outros ativos calmantes. Eles funcionam como mensageiros que 'ordenam' as células a desinflamar e produzir colágeno muito mais rápido. A promessa é reduzir o tempo de recuperação pela metade e potencializar o efeito do laser ou do injetável que acabamos de fazer". >
Pauline conta que o foco de sua curadoria em Paris foi em Biotecnologia Avançada. "A tendência europeia não é mais sobre agressão (máquinas pesadas), e sim sobre regeneração celular. Estou trazendo vários produtos inovadores com a proposta de medicina regenerativa para realizar drug delivery após nossas tecnologias, visando uma sinergia que otimiza os resultados. Novos preenchedores híbridos com efeito duplo: eles associam a ação tradicional de volumização com a estimulação ativa, fazendo um verdadeiro tratamento metabólico da pele".
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A inovação na segurança dos procedimentos foi um ponto alto, com o lançamento de um diminuto transdutor de ultrassom que pode ser acoplado na ponta do dedo. "Ele mapeia as zonas de perigo simultaneamente à execução do procedimento, liberando as mãos do médico para injetar com precisão total. A proposta futura, com ajuda da inteligência artificial, é ter na tela a diferenciação colorida dos tecidos em tempo real", diz a dermatologista.
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Pauline Lyrio
Dermatologista
A dermatologista Giane Giro conta que a perda rápida de peso devido ao uso das canetas emagrecedoras pode resultar em uma aparência de envelhecimento acelerado da pele, devido a perda de sustentação provocada pela redução dos compartimentos de gordura da face. "Além disso, a redução de massa muscular que costuma vir acompanhada dos tratamentos com os análogos do GLP-1, também impacta na percepção de flacidez facial e corporal".
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Por isso, os pacientes que fazem uso das canetas devem ter o tratamento acompanhado de suporte nutricional, com ingesta adequada de proteínas e micronutrientes, mantendo a atividade física regular. "Os tratamentos para evitar a piora da flacidez devem começar logo no início do processo de perda de peso, com tecnologias para estímulo de colágeno. O uso de bioestimuladores, com destaque para o ácido polilático que tem ação comprovada nas células tronco de gordura, também está indicado nestes pacientes, tanto para uso em áreas faciais como corporais. O ácido hialurônico ajuda a repor o volume perdido nos compartimentos de gordura, ajudando na sustentação do rosto", diz Giane. >
Pauline Lyrio diz que o chamado "Ozempic Face" ou “Ozempic Body” exige uma abordagem 3D. "Não basta apenas repor o volume perdido com preenchedor. O consenso é primeiro 'colar' a pele solta com bioestimuladores de colágeno e tecnologias de ultrassom microfocado, e só depois refinar contornos com ácido hialurônico. Mas, deve-se considerar uma abordagem preventiva: iniciar o bioestímulo de colágeno juntamente com o uso das canetas, ou seja, não esperar a pele desabar".
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Segundo a dermatologista Karina Mazzini, um dos grandes consensos entre as palestras foi a consolidação da biotecnologia aplicada à dermatologia, especialmente com o avanço dos exossomos e terapias regenerativas, que passam a ser utilizados não apenas para rejuvenescimento, mas também como suporte no tratamento de inflamações cutâneas, melasma, sensibilidade, rosácea e protocolos capilares.>
Outro destaque foi a evolução dos sistemas de drug delivery, tecnologias que facilitam a penetração de ativos na pele com maior eficiência e conforto. Karina comenta sobre um aparelho sul-coreano chamado TargetCool, que utiliza pressão associada a resfriamento para veicular substâncias na pele, inclusive anestésicos sem dor, podendo ser utilizado em protocolos para rejuvenescimento, melasma, olheiras e inflamações cutâneas.>
Karina Mazzini
DermatologistaNas aulas sobre melasma, hoje entende-se que o pigmento é consequência, e não a causa principal. O foco passou a ser o controle da inflamação, da vascularização e da integridade da barreira cutânea antes de qualquer estratégia de clareamento. “A mensagem que mais se repetiu foi tratar primeiro o terreno da pele, estabilizar e fortalecer, para só depois modular o pigmento”, explica Karina.>
Também ganhou destaque o uso criterioso do ácido tranexâmico, principalmente por via intradérmica, em casos selecionados de melasma resistente, além do papel cada vez mais reconhecido dos antioxidantes orais como suporte ao tratamento e à fotoproteção. Por outro lado, substâncias como a glutationa, especialmente na forma injetável, vêm perdendo espaço por falta de evidência consistente e preocupações com segurança.>
As aulas ainda reforçaram avanços em protocolos combinados para olheiras, flacidez facial e corporal, qualidade da pele e tratamentos capilares, com integração de lasers, bioestimuladores, exossomos e tecnologias de energia, sempre com foco em resultados naturais, progressivos e personalizados.>
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