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Folia

Saiba por que segurar o xixi no carnaval pode causar infecção urinária

Uma das consequências mais comuns de segurar o xixi é o risco de infecção urinária. Quanto mais tempo a urina permanece na bexiga, mais tempo a bactéria tem para se proliferar e causar a infecção
Redação de A Gazeta

Publicado em 

15 fev 2026 às 10:00

Publicado em 15 de Fevereiro de 2026 às 10:00

Mulher fazendo xixi
Entre as mulheres, os sintomas mais frequentes incluem perda involuntária de urina e bexiga hiperativa Crédito: Shutterstock
Entre um bloquinho e outro, a vontade de ir ao banheiro costuma ficar para depois em meio às celebrações de Carnaval. No embalo da música, do calor e da animação, muita gente prefere segurar a urina a sair da festa — seja pela falta de banheiros nas ruas, pelas filas nos estabelecimentos ou simplesmente para não perder o ritmo da folia. O problema é que esse hábito, comum não apenas durante o Carnaval, mas também no dia a dia da população, pode ir além do desconforto momentâneo e trazer consequências reais para a saúde urinária.
Atualmente, a incontinência urinária afeta cerca de 10 milhões de brasileiros, o que corresponde a 5% da população. A condição atinge 45% das mulheres e 15% dos homens com mais de 40 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Embora não seja a única causa para esses problemas, ignorar repetidamente os sinais da bexiga pode contribuir para desequilíbrios no funcionamento do trato urinário a longo prazo, causando outras doenças até mais graves do que a incontinência.

Principais riscos do hábito à saúde

Segundo o urologista Mark Neumaier, do hospital São Marcelino Champagnat, a bexiga tem duas funções principais: armazenar e eliminar a urina. “A capacidade dela é de cerca de 300 a 400 mililitros. Quando chega nesse volume, o ideal é procurar o banheiro e esvaziá-la para evitar problemas”, explica. Ignorar repetidamente esse limite pode trazer impactos importantes, especialmente para as mulheres, que têm a bexiga menor. “Uma das consequências mais comuns de segurar o xixi é o risco de infecção urinária. Quanto mais tempo a urina permanece na bexiga, mais tempo a bactéria tem para se proliferar e causar a infecção”, alerta.
Com o passar dos anos, o hábito de adiar a ida ao banheiro também pode interferir no funcionamento do órgão, podendo chegar ao ponto de perder a capacidade de sentir a bexiga cheia. A bexiga pode perder força e capacidade de contração, o que dificulta o esvaziamento completo. “Com o tempo, pode surgir o resíduo pós-miccional, quando a urina fica presa no sistema. Além disso, segurar a urina pode contribuir para quadros mais graves, como incontinência urinária e até formação de pedras nos rins”, revela Neumaier.

Sinais de que algo pode estar errado

Existem alguns sintomas que podem indicar que o trato urinário não está funcionando bem. Nos homens, os sintomas mais comuns estão associados à próstata. “O jato da urina começa a ficar mais fraco; pode haver gotejamento no final da micção, além daquela sensação de urgência para ir ao banheiro ou de que a bexiga não foi esvaziada”, descreve o especialista. Esses sinais costumam surgir a partir dos 35 ou 40 anos e não devem ser encarados como parte normal do envelhecimento.
Entre as mulheres, os sintomas mais frequentes incluem perda involuntária de urina e bexiga hiperativa, aquela vontade súbita de sair correndo para o banheiro, a chamada urgência miccional. 
Esses sinais indicam que algo no aparelho urinário pode estar comprometido e devem ser avaliados por um especialista
Mark Neumaier - Urologista
A principal recomendação para manter o trato urinário funcionando bem é a ingestão adequada de líquidos, principalmente água. A orientação é consumir pelo menos dois litros e meio por dia, o suficiente para que a urina fique clara. “Bebidas como refrigerantes e cafeína podem irritar a bexiga, intensificando o desconforto”, aponta o urologista. Além disso, Neumaier também orienta a atenção para a frequência urinária. Para quem ingere cerca de dois litros de água por dia, o normal é ir ao banheiro até oito vezes por dia. “Um número de idas muito acima disso pode acender o alerta”, afirma.
Durante o carnaval, quando a combinação de calor, longos períodos na rua e consumo de álcool é comum, é importante manter os cuidados do dia a dia. “Além da hidratação com água, é preciso lembrar que o álcool tem efeito diurético, ou seja, faz com que se produza mais urina”, explica o especialista. Para quem pretende passar horas nos bloquinhos, a recomendação é simples: planejar pausas, identificar banheiros próximos sempre que possível e evitar segurar a urina por longos períodos. “Se você sabe que não terá banheiro disponível tão perto, planeje a ingestão de líquidos e evite ignorar os sinais do corpo”, finaliza.

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